Capítulo 772: Capítulo 772: O Poder do Deus Antigo

Em algum lugar do centro de Jagon, Sean sentiu pela primeira vez uma sensação que nunca havia experimentado antes.

— Sean!

Ao seu lado, Lucille também sentiu uma poderosa pressão vinda de longe!

Mais forte do que todos os inimigos que já havia enfrentado antes, até mesmo...

— Eu sei.

— E os outros? — Sean olhou para trás, para a equipe que o acompanhava. Todos eram membros de elite, poucos em número, mas cada um de alto nível.

— Estamos aqui, príncipe. O que houve?

Curiosos, todos correram até Sean, sem entender como os dois haviam caído de repente.

— Nada, estou bem. — respondeu Sean.

Vendo que o príncipe parecia não estar bem, o grupo rapidamente pediu para parar.

— Vamos descansar um pouco, Alteza. O senhor também está cansado.

— Hum.

Apenas um aceno, sem movimentos extras.

E já era fim de tarde!

No deserto, as noites são frias, com ventos e areia fortes, inadequados para seguir em frente. Além disso, ninguém sabia para onde ir, impossibilitando a jornada.

Nesse momento, Sean sentia sua mente se dispersar, incapaz de pensar... como se, cada vez que tentava se concentrar, fosse interrompido, como se estivesse bêbado.

Visão turva, pensamentos desconexos.

— A saúde do príncipe não está boa. Vamos acampar aqui. — ordenou o líder do grupo.

Em um deserto desolado, andar sem rumo é como uma mosca sem cabeça. Só amanhã tentarão encontrar a cidade mais próxima para o príncipe descansar.

— E agora, o que fazemos?

— Montem as tendas, deixem o príncipe descansar... Tragam toda a água. Tem poções?

— Eu tenho aqui! — disse Lucille, que também estava passando mal.

Sempre carregava várias poções no bolso, mesmo sem beber no dia a dia, mas as renovava antes do vencimento.

Era um hábito de anos, impossível de largar!

— Senhora Lucille, como está se sentindo? — Os soldados também se agruparam ao redor dela.

Estranho.

Há pouco estavam bem, por que, de repente, o príncipe e a feiticeira Lucille ficaram assim?

Para todos, os sintomas eram muito parecidos: suor frio na testa, semblante de sofrimento... mas sem febre, temperatura normal.

— É a mente.

— O quê?

— Sean e eu fomos pressionados por alguma força mental. Vocês conseguem contatar o grupo de feiticeiros mais próximo? Se sim, peçam para descobrir quem se infiltrou no reino! — Lucille lançou um feitiço de [Clareza], mas não adiantou.

A sensação era como ter bebido demais.

Mente dispersa, incapaz de pensar em outras coisas.

— Fomos atacados? — perguntaram os soldados, preocupados.

Sabiam que aquela feiticeira era a pessoa mais forte de Jagon atualmente. Desde que descobriram que ela tinha nível 18 ou mais de Ordenador, o grupo ficou mais tranquilo, senão proteger o príncipe seria estressante.

Mas agora...

Ela havia caído sem motivo.

— Provavelmente não. Nenhuma magia humana chega a esse ponto.

— Então o que é?

— Não é humano, mas isso não significa que não exista... — Lucille se ergueu com dificuldade.

Não humano?

Ninguém entendeu.

— Vão se preparar e encontrem o grupo de feiticeiros mais próximo. O resto, pensamos depois... Se não encontrarmos o inimigo, chamaremos reforços. A batalha na frente deve acabar logo!

Pelo tempo, a tropa liderada por Freya já deveria ter chegado à linha de frente. Com essa força de elite, o exército logo contra-atacaria.

Na guerra, quando atinge o auge, previsões são inúteis, mas força absoluta e suprimentos ajudam. A verdadeira elite do império era a guarda pessoal de Sean, que mostraria seu valor ao entrar em campo.

Os suprimentos dos lordes também chegariam à frente, e a guerra se tornaria unilateral.

A vitória na frente era só questão de tempo...

O importante agora era este grupo.

Lucille começava a achar que a guerra era apenas uma fachada. O verdadeiro objetivo do inimigo já havia começado!

— Sim, senhora Lucille.

Alguns saíram correndo, enquanto outros que cuidavam de Sean se afastaram um pouco. Na tenda, ficaram apenas Sean e Lucille.

— Você ainda esconde algo de mim, não é?

— Por que diz isso...

Embora com dor de cabeça e mal-estar.

Longe de desmaiar, Sean ainda conseguia se sentar com força de vontade.

O desconforto era a sensação horrível...

— Já notei antes. Em momentos críticos, você sempre dá um jeito. No começo, achei que fosse sua habilidade, mas ultimamente também tenho visto visões. Acho que você é igual, não é?

Sean virou-se para Lucille.

— Não entendi.

— Sabia que negaria. Mas recentemente, tenho lembranças vagas do passado. Escolhi esquecer, mas elas estão muito nítidas agora.

Lucille virou-se um pouco.

— Sean, me diga a verdade... Você já me viu antes?

Nunca vira Lucille tão séria.

Sua aparência era linda, mas o olhar sempre severo. Só agora Sean percebeu um toque de ternura.

— Não.

Negou com a cabeça.

— Foi a primeira vez que te vi na cidade... Mentora Lucille.

Chamá-la de mentora destacava sua posição superior.

Talvez isso a fizesse perceber: sim, ela era mentora, deveria dar o exemplo...

— Devo estar imaginando coisas. — Olhar um tanto decepcionado.

— Mas se quer saber por que vejo essas coisas, posso te dar uma resposta.

— Hã? — Lucille virou-se novamente.

— Toda magia no mundo vem de matéria conhecida. Qualquer arte secreta tem rastros. Mas se ultrapassa o senso comum, é desconhecido. Só há uma força desconhecida no mundo... o poder dos deuses antigos.

— Nós...

Sean olhou para Lucille, firme.

Isso já não era segredo, já que ambos sentiam essa capacidade de presságio.

— Nós, em algum momento, tocamos no poder dos deuses antigos.