Capítulo 762: Capítulo 762: O País por Trás

“Pai!” “Maldito, seu desgraçado! O que você fez!” Na multidão, o príncipe de Caristão soltou um grito furioso, e os soldados ao seu redor se revoltaram ao ver seu rei ser apunhalado diretamente! Mesmo com a magia dos feiticeiros de Jagon, eles avançaram com tudo, sem se importar com nada... Lusiel não esperava que Sean fosse tão ousado. Por mais que ela desprezasse os assuntos dos dois reinos, aquele era o rei inimigo à sua frente. Matá-lo sem nem perguntar nada não era declarar guerra aos guardas imperiais ao redor? De todas as direções, inúmeros soldados avançavam sem medo da morte. Não adiantava lançar sua magia rápido demais; o número era grande demais. Do outro lado, Freya e Miri também não esperavam que Sean fizesse isso, e gritaram para o grupo de acompanhantes avançarem junto. “Todos parem!” Sean deliberadamente abriu um espaço. Lusiel, ao seu lado, recuou junto... Nesse momento, a segunda leva de tropas de Caristão, prestes a avançar, viu que seu rei ainda estava de pé, sem cair, e até sentiu que sua mão se mexia. “Sean!” Lusiel chamou o nome de Sean. “Espere e veja.” O homem-polvo. De humano a polvo, biologicamente falando, era passar de um mamífero a um cefalópode. Todo o corpo mudou, até a estrutura original se transformou. A menos que esmagassem sua cabeça, uma simples perfuração no coração não o mataria. E nem se sabia se o coração ainda estava no lugar original! “Afastem-se um pouco...” Sean fez Lusiel recuar mais um pouco com ele. E as tropas de Caristão se apressaram para proteger seu rei. “Majestade, Majestade!” O capitão da guarda imperial agarrou o rei Murray e o sacudiu rapidamente. Foi então que algo estranho aconteceu... Nem o capitão da guarda nem o príncipe de Caristão viram sangue saindo do rei Murray. Ao apertá-lo, o corpo começou a amolecer, tornando-se algo que não parecia tecido muscular. “O que você fez, Sean!” Vendo seu rei mudar, até o tratamento deixou de ser respeitoso. “Só queria matá-lo. Por que ele não morre? Isso é mudança dele!” Nesse momento, Lusiel também pareceu notar a transformação no corpo do rei, e aquela mudança lhe trazia uma sensação familiar. Logo depois, Freya e Miri chegaram, separando novamente Sean das tropas de Caristão, e os dois lados voltaram a se enfrentar. Só que desta vez os soldados de Caristão estavam ainda mais [furiosos!], afinal, seu rei havia sido ‘apunhalado até a morte’ diante deles! “Pai, pai... Você ainda está vivo?” O príncipe de Caristão, vendo que seu pai ainda respirava, achou estranho e chamou alguém para buscar um alquimista. Mas antes que o alquimista aparecesse, o corpo do rei Murray já havia começado a sofrer mutação... O rosto passou de cor de carne para um tom escuro, e um pequeno tentáculo brotou de seu queixo. “Isso...” A guarda imperial e o príncipe olharam para aquela cena bizarra, sem saber o que fazer. Mas logo as roupas do rei Murray não suportaram mais seu corpo. Ele começou a ficar mole, a se liquefazer, enquanto sua cabeça inchava gradualmente. Olhos e nariz se distorceram de forma extrema, assustando os soldados ao redor, que se afastaram rapidamente. Mais tentáculos de polvo cresceram de debaixo de sua boca, e toda a cabeça se transformou na de um polvo. Ao lado, Lusiel, como se visse aquele homem-polvo de antes, tapou a boca surpresa. Freya também não esqueceu aquele rosto; já o tinha visto antes... “Homem-polvo.” Os de Jagon sacaram suas armas. Já as tropas de Caristão não entendiam o que estava acontecendo. Por que seu rei havia se transformado assim? Especialmente o filho do rei Murray, que arrancou a adaga cravada no peito de seu pai e descobriu que não havia uma gota de sangue nela, e até o ferimento no peito estava se curando lentamente. Inacreditável! “Pai... O senhor...” “Meu filho, você finalmente viu minha verdadeira forma.” “Por que o senhor se tornou isso!” O capitão da guarda imperial mal podia acreditar que o rei que jurara proteger se transformara numa criatura com cabeça de polvo e braços como tentáculos, ainda de pé, metade parecendo humano! “Majestade...” “Meu querido capitão da guarda, deve ter sido difícil para você comandar a guarda imperial todos esses anos.” Diante desse elogio, ninguém sabia se deveria aceitá-lo. A súbita transformação do rei pegou todos de surpresa, e nem sequer tinham certeza se aquele ainda era o próprio rei. “Não se surpreendam tanto. Muitas coisas não contei a vocês, mas já que foram vistas... é hora de dizer. Sim. Este é o poder que obtive. Nosso futuro, tudo o que fizemos, foi para conseguir essa força maior.” Ninguém entendia por que o rei Murray dizia aquilo. “O que o senhor está dizendo, pai? Não estamos lutando pelo futuro de Caristão?” “Claro que é pelo futuro, mas não só do nosso país, e sim de toda a humanidade. Todos deveriam ter esse poder, todos deveriam ser guiados por ele... Os mortais devem servir!” O rei Murray saiu de entre os olhares confusos. Feridas de faca, até cicatrizes de danos físicos, não adiantavam a menos que fossem na cabeça. E mesmo nessa forma mole, se a cabeça fosse esmagada, ainda poderia viver... Abandonar carne e ossos, obter um novo corpo, era assim. Mais do que qualquer coisa, parecia a forma que uma civilização superior deveria ter. “Vocês vão me entender. Porque com isso, podemos ser imortais, e até nos livrar de doenças e da morte.” O rei Murray caminhou confiante até a frente de todos... Bem na frente estavam Sean, Freya e os outros. A aparência peculiar do homem-polvo era repugnante; aqueles tentáculos musculares se contorcendo davam vontade de cortá-los. “Você sempre se perguntou por que comecei a guerra, príncipe Sean?” “Então vou lhe dizer... Foi para que uma força maior pudesse ir ao Templo do Deserto, vindo do oeste, até o lugar onde pudessem invocar o grande Pai.” Oeste! O rei Murray disse uma resposta que chocou Sean. Oeste... Em sua mente, imagens que vira antes surgiam, algo que já deveria ter visto há muitos anos, mas nunca tivera a chance de ir até lá. “Os Borg!” Eram os Borg... .................. Naquele momento, no oeste do deserto, uma força ainda maior de armaduras negras começava a surgir majestosamente na borda do grande deserto, e já podiam ser vistos nas cidades mais próximas. “O que é aquilo? Olhem lá!” Na cidade de Areia Amarela, na fronteira do deserto, avistaram de longe a chegada dessa tropa.