Mas, naquela época, os Antigos já haviam descido sobre este mundo. Na mente de Sean, imagens primordiais começaram a surgir... Há bilhões de anos, na era selvagem e remota, os Antigos já haviam entrado formalmente neste mundo. Naquela época, nem mesmo seres vivos existiam, e o ambiente hostil tornava a sobrevivência das espécies quase impossível. No entanto, os Antigos, com sua civilização e tecnologia altamente avançadas, gradualmente transformaram o mundo, ao mesmo tempo que se transformavam a si mesmos. Aos poucos, seus assentamentos se espalharam por todo o globo, tornando-se uma das primeiras formas de vida. Centenas de milhões de anos. Tempo suficiente para inúmeras gerações de raças se reproduzirem e florescerem. Mesmo a humanidade atual tem apenas alguns milhares de anos de história, menos de dez mil, quanto mais centenas de milhões, ou até mesmo um bilhão de anos atrás. Na mente de Sean, cidades prósperas começaram a surgir: em terra firme e nos oceanos, os Antigos ergueram suas metrópoles. Nessas cidades, eles alcançaram um esplendor muito superior ao da humanidade atual. Mas... Assim como todos os seres vivos, eles começaram no auge e, com o tempo, foram se tornando mais fracos. Sean já havia encontrado essa ideia muitas vezes, inclusive entre alquimistas e feiticeiros. Nos tempos antigos, a feitiçaria e a alquimia estavam no auge deste mundo, mas, com o passar do tempo, tornaram-se cada vez mais comuns. Hoje em dia, qualquer fusão simples de ferramentas de ferro e preparação de medicamentos já é considerada boa alquimia. A história do desenvolvimento dos Antigos também foi assim. Com o passar de centenas de milhões de anos, eles começaram a degenerar, perdendo suas maiores tecnologias e a capacidade de voar pelo espaço sideral sem a ajuda de máquinas. Nos duzentos milhões de anos seguintes, a sobrevivência dos Antigos enfrentou um grande desafio... Pois um poderoso deus primordial apareceu neste mundo. O Grande Cthulhu. Um deus primordial que raramente se manifesta verdadeiramente e possui um poder imenso e incognoscível. Sua morada está nas profundezas do abismo do atual Mar do Sul. Ao chegar a este ponto da história, Sean subitamente despertou... "O que foi, Mestre?" Do outro lado, Lussier, que estava brincando, notou o movimento de Sean voltando a si e perguntou curiosa. "Eu... eu estava distraído?" Olhando para o cristal em sua mão, parecia não ter mudado nada. Mas, naquele instante, Sean viu tantas histórias, e até mesmo vislumbrou levemente a forma de um deus primordial. Nas profundezas do oceano distante do sul, no fundo do mar vazio, um gigante estava à espreita, ainda não desperto. Ou melhor, não se sabia se ele despertaria. Sean apenas deu uma olhada rápida, guiado pelo cristal dos Antigos, e a sensação de arrepio que percorreu todo o seu corpo o fez voltar a si imediatamente. "Mestre, você só olhou por um momento, não foi? Não me pediu para inspecionar os arredores?" Lussier perguntou, confusa. Foi então que Sean percebeu que ela ainda não havia chegado à borda da barreira. Ou seja, no exato momento em que ele deu a ordem... Entendo. Em sua mente, tantos fragmentos de história haviam passado, mas, na realidade, foi apenas o instante em que ele pediu a Lussier para verificar os arredores. "Descobriu algo?" Lussier se aproximou curiosa. Olhando para o cristal roxo na mão de Sean... Na verdade, aquela pedra já estava em sua mochila há algum tempo. Todas as noites, ao verificar se algo havia sido esquecido, ele a via. Além de ser mais fria que as outras pedras, não tinha nenhuma sensação especial. Não sabia o que poderia estudar com aquela pedra! "Descobri algumas coisas, mas... é complicado." "O quê?" Lussier perguntou curiosa. "Sobre as histórias antigas dos Antigos. Acho que devo anotar isso para estudar mais tarde." Sean disse casualmente. Parecia que só ele conseguia ler as inscrições na estela, então esse método só podia ser usado por ele. Melhor não contar a Lussier por enquanto. Afinal, nem todos podem lidar com questões sobre deuses primordiais. Mesmo ele, com seu corpo humano atual, não conseguia resistir à pressão mental de um deus primordial. "Quer que eu copie?" "Não, vou registrar eu mesmo. Primeiro, vá procurar coisas valiosas por aqui." Sean disse. "Hum." Vendo Lussier se afastar, Sean decidiu continuar lendo a história. O Grande Cthulhu... Um deus primordial sempre escondido nas profundezas do mar! Não é de admirar que os Profundos que ele encontrou parecessem homens-peixe, e muitas vezes os alvos que Sean descobria apontavam para o mar. Mas o que realmente estava nas profundezas do oceano, ninguém ousava concluir diretamente. Agora, a história dos Antigos já lhe contara. Sean fechou os olhos e continuou a história dos Antigos... Ao longo desses anos, embora tivessem degenerado, ainda mantinham um poder considerável. Nos bilhões de anos seguintes, os Antigos travaram guerras prolongadas e intensas com várias raças, como os Descendentes Estelares de Cthulhu, os Profundos, a Grande Raça de Yith e os Voadores Polipos. Eles até conseguiram firmar um tratado de paz com uma facção de Cthulhu, delimitando fronteiras e coexistindo pacificamente. Ao ver isso, Sean ficou impressionado com a força dessa raça primordial. Conseguir empatar com um deus primordial e seus descendentes mostrava que, como raça nascida das estrelas do cosmos, seu poder ainda era imenso. Mas, com o tempo, o ambiente do mundo mudou. A primeira era glacial chegou, matando a maioria dos seres vivos no gelo e na neve. Os Antigos, já enfraquecidos, não escaparam. Além disso, a rebelião de seus servos, os Shoggoths, naquela época, destruiu a maior parte das cidades gloriosas dos Antigos. Shoggoths? Sean de repente se lembrou daquilo... Embora na época ele tivesse lutado apenas contra uma parte do corpo deles, os verdadeiros Shoggoths já deviam ter se afogado nas correntes da história. A história continuou. Os capítulos finais eram quase uma crônica da decadência dos Antigos. Cada vez mais cidades se tornavam desertas devido ao ambiente, e cada vez mais raças morriam por causa da sobrevivência. Os Antigos, que outrora lutaram contra tantas raças poderosas, chegaram ao fim de sua história... No final, alguns deles recuaram para as profundezas do mar, de volta aos seus lares originais, esperando a morte. Outros começaram a se estabelecer em lugares onde ainda havia recursos. O planalto ocidental, naquela época, era uma planície, o último lar dos Antigos na terra firme. E essa barreira de cristal foi criada para a sobrevivência final da espécie... Ao perceber que o fim da extinção era inevitável, os Antigos depositaram todas as suas esperanças em seu criador. Não no deus demônio distante nas estrelas do cosmos. Pois Azathoth, o Senhor de Todas as Coisas, já estava adormecido e não podia despertar. Se ele acordasse, provavelmente o universo seria reiniciado. Eles procuravam outro mestre criador! O verdadeiro Deus dos Deuses!