Capítulo 72: Capítulo 72 Inesperado (Parte 1)

Cada recarga de munição era uma liberação de magia, então aumentava diretamente a proficiência. Sendo assim, cada recarga automática de balas equivalia a um treino de magia. Embora parecesse consumir menos energia mental do que praticar sozinho, era preciso conter-se um pouco. Sean não queria desmaiar por esgotamento mental durante uma luta.

Sob a pressão de seus ataques, a velocidade de [Recarregar Munição~] do oponente estava quase parada. Para um veterano, recarregar levava apenas dois ou três segundos, mas a barra de progresso do inimigo parou assim que começou a avançar. Ao se aproximar, Sean ouviu o som de metal caindo.

Puf~

Mais um tiro.

[Proficiência em Magia: 98]

"Não... não me mate." Segurando a coxa ferida, o homem recuou e jogou a arma de lado.

Observando a vida do oponente cair para [1600/1900], aquele tiro acertou a coxa e reduziu 300 pontos de vida. Não era um ferimento fatal, e ele ainda teria chance de revidar, mas o [Medo!] e o [Pânico!] que ele demonstrava tornavam essa chance muito pequena.

"Quem são vocês? Por que atacaram a cidade de Koga?" Sean perguntou.

Com [1900] de vida, ele ainda não estava no nível de Ordem 2.

Olhando para os músculos escuros do homem, ele parecia no máximo alguém que se exercitava regularmente, com um preparo físico próximo ao de Danti, mas ainda faltava um pouco para alcançar o nível Ordem 2.

"Se me soltarem, eu conto."

Talvez por ter visto Igniya se aproximar...

O rosto bonito aliviou um pouco a tensão. Ele não parecia mais tão [Aflito!], e seu estado mudou para [Elaborando Estratégia!].

Puf~

[Proficiência em Magia: 99]

"Ah!!"

Outro tiro disparado, desta vez mirando na mão do oponente, mas errou e acertou o braço...

"Não tente ser esperto. Diga logo e evite mais sofrimento."

Vendo o homem segurar o braço e rolar no chão por meia volta, ainda gritando.

[1450/1900]

Perdeu 150 pontos de vida. Gritar por quê?!

"Fale, senão o próximo tiro é na sua cabeça." Sean rugiu ferozmente para o homem que se contorcia no chão.

Até Igniya, ao lado, se assustou. Nunca tinha visto Sean com aquela expressão. Ela notou a aparência da bala de pólvora que ele havia disparado; não era uma bala comum.

Embora fosse uma feiticeira, ela já tinha visto armas de fogo, que sempre foram brinquedos da alta sociedade. Em várias ocasiões, ela vira muitas e até usara algumas vezes. Balas de pólvora exalam um odor muito forte e irritante.

Mas Igniya, que estava ao lado de Sean, não sentiu cheiro nenhum. Além disso, ela pôde ver a faísca da bala que ele disparou voar direto para o braço do homem no chão.

Por um instante, Igniya sentiu no fundo do coração que aquilo devia ser magia...

Ela até se lembrou de quando ele testou suas habilidades com os itens mágicos dela!

"O quê? Ainda precisa pensar?" Sean viu que o estado [Elaborando Estratégia!] do oponente não mudava, indicando que a dor não era tão grave quanto ele demonstrava; ele estava apenas fingindo.

Realmente, alguém perto do nível Ordem 2 tinha resistência física e mental um pouco melhores que as pessoas comuns.

"Eu falo... eu falo... mas vocês têm que garantir que não vão me matar." O homem se virou, ainda deitado no chão, mas tentando garantir uma chance de sobreviver.

"Isso depende se a informação que você der for verdadeira."

Igniya, ao lado, completou.

"Tudo bem! Eu prometo." Foi Sean quem respondeu afirmativamente.

O homem olhou para ele, depois desviou o olhar para Igniya.

Prometer ou não era só da boca para fora; qualquer um podia dizer isso... Nessa hora, Sean não precisava colocar a honra de um nobre em primeiro lugar, desde que o homem dissesse a verdade.

Afinal, ele podia ver as mudanças no estado dele...

O homem já estava perdendo sangue, com o estado [Dor!] pairando sobre a cabeça. Ao mesmo tempo, [Elaborando Estratégia!] ainda não mudara, mostrando que, mesmo naquela situação, ele pensava em como escapar.

Vendo o homem se levantar lentamente, sentando-se, ele finalmente falou.

"Nós, na verdade... na verdade..."

Seu olhar estava um pouco vago, e naquele instante, o estado sobre sua cabeça mudou.

Puf~

Desta vez, foi na cabeça!

[Proficiência em Magia: 100]

O som do tiro ecoou de perto, e ao mesmo tempo, uma faísca abriu um buraco em sua testa.

Seus olhos estavam arregalados de terror, incrédulos!

A mão atrás das costas nem teve tempo de se mover antes de ser atingido na cabeça.

O dano direto caiu para [250/1900]. Ainda restavam mais de duzentos pontos de vida, mas os estados subsequentes, como [Convulsão!] e [Rigidez!], fizeram a vida cair cerca de trinta ou quarenta por segundo, zerando em poucos segundos.

"Sean! Por que você não deixou ele terminar?" Igniya, embora sem experiência em combate, não era nova em ver mortes como feiticeira. Mais do que o desconforto físico, ela não entendia por que ele o matara justamente quando ele estava prestes a falar.

"Tem certeza de que ele ia falar?"

Virando o corpo do homem, eles viram que ele segurava um objeto do tamanho de uma bolinha atrás das costas.

"Isso é uma bomba!" Igniya disse o nome do objeto.

Sean já tinha visto bombas antes, com o especialista em explosivos da equipe de arqueologia; havia vários tipos, e aquela devia ser uma delas...

"Ele nunca teve intenção de falar direito. O tempo que dei a ele foi para ele tentar nos levar junto." Sean disse.

Ele tinha visto o estado [Luta pela Vida!] aparecer de repente no oponente e atirou imediatamente!

"Como você sabe disso?" Era a maior dúvida de Igniya novamente.

O homem à sua frente falava pouco no dia a dia, mas quase sempre encontrava o ponto crucial, desde aquele incidente no pomar... não, desde os ratos no esgoto.

"Sean, você sabe magia?" Ela olhou seriamente para ele.

"Sei."

Desta vez, ele não escondeu. Se antes ele temia que ela pudesse falar demais, depois de tanto tempo juntos, os dois já se conheciam bem. Especialmente quando Igniya o mandou se esconder e enfrentou a luta sozinha, isso mostrou que ela era digna de confiança.

"Então é verdade..."

"Vou explicar isso depois. O mais importante agora é voltar ao condado. Uma organização que recruta mercenários não deve estar planejando apenas uma revolta." Ele olhou para o corpo já "frio" no chão.

Mesmo que fosse para morrer junto, ele não revelaria o objetivo.

Sem uma fé forte, não seria assim...

"Hum." Igniya concordou com a cabeça.

Falando em magia, logo depois que Sean recarregou a munição com o último tiro, seu corpo sentiu uma recuperação instantânea. Ele já tinha usado um pouco de energia mental algumas vezes, mas o desconforto do cansaço desapareceu naquele momento.

Isso era um avanço de nível?

Não havia tempo para verificar agora; ele continuou correndo em direção ao condado.

Já estava perto...

Ao se aproximar, ele viu de longe que muitas pessoas já tinham caído.

Além dos bandidos mascarados, havia servos e guardas do conde... espalhados por todo lugar, do pátio da entrada até a casa.

Sean procurou por alguém que ainda tivesse vida.

"Aguente! O que aconteceu aqui? E o conde?"

O guarda abriu os olhos lentamente.

"Me salve." A primeira palavra foi por sobrevivência, e então ele apontou o dedo para a direção da casa.