Há cerca de uma década, a cidade de Koga não parecia ter mudado muito em relação ao que viria depois.
Quando Sean ainda era barão da vila, o conde da cidade já era uma figura inalcançável. O barão anterior de Weigel passou a vida inteira sem realmente sair da vila, relutante em ter contato com esses nobres.
Naquela época, Sean achava que isso era muito recluso...
Mas, depois de dar uma volta e anos se passarem, Sean até admirava o lema da família Weigel.
"Guardar a terra natal, sem cobiçar o exterior."
Pelo menos, isso evitaria tantos problemas. Os moradores de uma vila pequena já conseguiam se sustentar, e mesmo que a guerra estourasse mais tarde, dificilmente alcançaria uma aldeia tão remota nas montanhas.
Era como um paraíso isolado, com poucas conexões com o exterior...
O único problema era rezar para não sofrer interferências externas!
O dirigível se aproximava lentamente de Koga, e Lucille ao lado ficava cada vez mais animada.
"Olha, Mestre! Aquele lugar!"
"Ah, deve ser a localização da academia da cidade." Sean olhou para o prédio que Lucille apontava e perguntou.
"E ali?"
Ele olhou.
"Talvez seja alguma zona industrial, parece muito..."
Sean não era nada estranho àquela cidade; afinal, viveu lá por muito tempo, e comparada às cidades que visitou depois, Koga não era grande, mas para a fronteira era um lugar bom, com recursos e produtos abundantes, capaz de se sustentar e se desenvolver sozinha.
"Uau, Mestre conhece bem esta cidade?" Lucille perguntou curiosa.
"Não, é tudo muito parecido." Sean respondeu.
"Na verdade, poucas cidades conseguem ser tão bem construídas quanto Koga. O senhor é realmente uma pessoa experiente."
Do outro lado, Ash se aproximou de repente.
Como estavam para atracar, muitas pessoas se aglomeravam na borda do dirigível, e ele também se aproximou.
"É só costume de ver muito." Sean respondeu com um sorriso.
O dirigível atracou oficialmente no topo da colina nos arredores de Koga. O mais evidente era a escadaria de centenas de metros que descia do topo até a base. Sean se lembrava bem da época da revolta em Koga...
Frelia, como a bruxa convidada, mal havia chegado quando a cidade pegou fogo, e ele e Igniya correram daquele lugar até a mansão do conde.
Falando em Frelia, ela estava ali, timidamente atrás de Stele, acompanhada por duas garotas da idade dela.
Parecia que, por coincidência, ela notou que ele a observava...
Ela se virou.
Sean rapidamente desviou o olhar.
Mas ela devia ter visto; no instante em que virou a cabeça, ele sentiu o olhar dela.
Quando olhou de volta, Frelia estava com os olhos fixos, curiosa, e até mostrou a língua fazendo uma careta!
Hã...
Heh~
Ele se perguntava se, ao voltar à linha do tempo normal e conversar com Frelia sobre isso, ela se lembraria.
O ponto de atracação do dirigível em Koga ainda tinha muita gente. Para uma cidade grande, esses dirigíveis eram um dos principais meios de transporte, e uma ferramenta importante para comerciantes ricos. Todas as vilas e aldeias ao redor, se alguém quisesse ir para o norte, a maneira mais rápida ainda era pegar o dirigível, então não faltava gente.
Sean desceu do dirigível com Lucille, seguido pelas bruxas da Asa do Céu e Ash.
Ao descer do alto, dois garotos, um menino e uma menina, apareceram na frente deles.
Gritaram na direção deles: "Mestre... aqui..."
Hã?
Os dois, claro, não estavam chamando por ele. Sean se virou e viu Ash se aproximando com um sorriso.
Puxa.
Que coincidência.
Nessa volta, ele acabou encontrando todas as pessoas com quem tinha laços. Esses dois deviam ser Igniya e Warren! Os dois únicos discípulos de Ash.
Sean pensou, olhando para a garota mais baixa, Igniya... cabelo curto loiro, rosto meio sujo, roupas de tecido cinza-escuro, pequena e franzina. Não dava para associá-la à garota jovem e animada de mais de uma década depois.
Agora, parecia uma bagunceira.
"Como vocês vieram parar aqui?"
"Recebemos sua carta e calculamos que chegaria hoje, então esperamos desde cedo!" Quem falou foi Warren.
Warren era mais velho, parecia um garoto de sete ou oito anos, enquanto Igniya tinha no máximo cinco, talvez até menor do que Lucille quando ele a salvou.
"Vocês também... Eu voltaria naturalmente, não precisavam trazer Nya até aqui." Ash repreendeu.
"Fui eu que pedi para o irmão mais velho me trazer, Mestre!"
A voz da garotinha ainda era infantil, com bochechas gordinhas e macias.
Um tom rosado de sol, mas não se sabia quantas vezes ela tinha passado a mão suja, manchando parte com poeira.
Naquele momento, não só Sean olhava para os dois, mas Lucille também, puxando o braço dele. "Mestre, olha que gracinha aquela garotinha!"
"É, bem fofa..."
Ela sempre foi fofa.
Um sentimento difícil de descrever no coração.
Sean quase não lembrava da última vez que viu Igniya. Foi no encontro no palácio de Bashalan? Ou na despedida chorosa em Koga...
Na verdade, muito tempo atrás, Sean tinha uma grande afeição por aquela jovem bruxa animada e adorável, seja por suas ideias excêntricas ou por sua disposição em segui-lo por aí, esperando por ele todas as manhãs na porta da loja do Claude para caçar monstros.
Até mesmo quando ela concordou em voltar com ele para a vila de Talamian, ele se sentiu bastante orgulhoso.
Só que, às vezes, a vida é muito diferente do que se imagina. Naquela época, ele não podia ficar no Império de Bashalan, e ela era discípula do mago daquele país.
Encontrar-se, e depois se separar!
Se não fossem os eventos posteriores, Sean acreditava que, talvez anos depois, aquela garota de cabelo loiro apareceria sorrindo como a maga Elinta em sua cidade de Oro...
"Pequena como uma boneca de porcelana."
As palavras de Lucille o trouxeram de volta ao presente.
"Heh, realmente..."
E naquele momento, Ash também se virou, um pouco envergonhado.
"Desculpe, façam-me rir. Mestre Stele, vocês gostariam de visitar minha torre de mago?" Ele convidou o grupo das bruxas da Asa do Céu.
"Agradeço a gentileza, mas talvez tenhamos que visitar o Conde Hamilton."
Isso chamou a atenção de Sean. Será que a Asa do Céu e a família do Conde Hamilton se conheciam há muito tempo?
Ah, sim.
Eles eram todos da facção do príncipe. Ele se lembrou de repente.
"Então..." O olhar se voltou para Sean.
"O senhor gostaria de reconsiderar? Talvez meu lugar também possa ajudar em sua futura viagem."