【A capacidade de seguir o fluxo natural é o meio mais adequado para conjurar magia. Forçar demais e transformar a matéria original só fará com que você se perca nisso e não consiga voltar atrás!】
De repente, um fragmento assim passou pela mente de Lucille...
Era uma cena de muitos anos atrás, quando ela e seu mentor estudavam magia nas montanhas nevadas do planalto. Lucille não sabia por que essa batalha a fazia relembrar tantas coisas do passado!
Ao longo dos anos, ela passou por inúmeras lutas, grandes e pequenas: vinganças, provocações, e até aqueles que queriam brigar só por não gostar dela. Sempre foi sua experiência acumulada e sua poderosa magia que a permitiram dominar os oponentes. E, pelo que via agora, ela não estava em desvantagem. Então, por que essas lembranças antigas vinham à tona justo agora?
A intuição lhe dizia que algo não estava bem...
Mas, mesmo assim, a magia em suas mãos se completava naturalmente.
Em questão de segundos, uma tempestade de gelo e neve congelou toda a área do mar próxima à vila de pescadores.
Durante a luta, Lucille já havia pensado: se não conseguisse derrotar o inimigo com magias ofensivas comuns, então o melhor era imobilizá-lo.
Ela decidiu congelar completamente o monstro. Assim, imóvel, quem estivesse por trás dele teria que aparecer!
Enquanto pensava, a magia em suas mãos já tomava forma...
Quase toda a extensão do mar se solidificou rapidamente sob sua poderosa magia. Mesmo no mundo inteiro, poucos teriam tamanha força... O gelo, que se formava velozmente, subiu pelo braço gigante de dunas de areia.
Como a areia já havia absorvido a umidade, o gelo seguiu por ela até alcançar o corpo do monstro...
Ele tentou resistir, mas só fez com que seu corpo ficasse ainda mais frio.
Lucille ainda controlou a força do último braço de dunas para pressioná-lo para baixo. Se ele submergisse completamente na água, o congelamento seria total, e seria quase impossível escapar.
"Morra, monstro!" murmurou ela.
Rugido~
Ele se debatia desesperadamente.
O braço até conseguiu se soltar do envoltório de areia, mas já era tarde demais. O gelo se formava rápido e firme; o braço que ele erguia logo não conseguia mais se mover.
Uma mão levantada, enquanto a parte inferior do corpo já estava congelada. Até mesmo sua enorme e caótica massa carnuda, como um saco abdominal, ficou imóvel sob o poderoso gelo...
Bum!
A superfície congelada do mar, centrada em Lucille, se estilhaçou instantaneamente.
"Congele!"
O ar frio dissipou a névoa ao redor...
Nesse momento, as pessoas na praia também puderam ver a situação do mar. Com o reflexo da lua brilhante, o monstro verde ao longe começava a perder suas cores.
"Olhem o mar!" alguém alertou.
Todos olharam para baixo, para a superfície do mar...
Aquilo já não era mais água do mar, apenas uma camada de cristais de gelo. E, em toda a extensão da praia, a água não se movia mais. O gelo refletia a luz ainda mais intensa da lua, estendendo-se por vários quilômetros!
"Isso..."
Eles mal podiam acreditar no que viam. Alguém realmente conseguira congelar todo o mar.
Com tamanho poder, o monstro provavelmente não era páreo!
Quando olharam novamente para o monstro, ele já não se mexia... O gelo subira por seu corpo distorcido, congelando-o por completo. Uma mão erguida parecia tentar resistir, mas não havia jeito; o gelo fixara todo o movimento.
Lucille, em meio à batalha, respirou aliviada.
"O corpo humano tem muita água. Você absorveu tanta gente, não imaginava que seu próprio corpo também teria tanta água, não é?" disse ela, rindo, ao olhar para o monstro congelado.
A luta mágica está em encontrar a solução dentro da magia do oponente...
Embora não soubesse do que aquele monstro era feito, e ele nem parecesse algo deste mundo, o fato é que ele devorara muitas pessoas. E a grande quantidade de água no corpo humano era a chave para o congelamento.
Se a água do mar, encharcando todo o corpo, só causava congelamento externo, as pessoas que ele havia devorado eram o verdadeiro golpe fatal, capazes de atravessar seu interior e causar a morte real...
"Devorou tanta gente, e no fim foi derrotado por eles! Humpf!" Lucille deu uma risada fria.
De repente, uma luz intensa passou por trás dela.
Ela desviou rapidamente...
O raio de luz atravessou o corpo do monstro, arrancando a mão que estava erguida.
"Quem?!"
Não só Lucille, mas também os outros espectadores se assustaram. Havia um ataque oculto?
"Nunca imaginei que existisse uma feiticeira como você neste mundo. Impressionante, usar tantas coisas para derrotar meu filho tão cuidadosamente criado." A voz vinha da escuridão, mas não se via ninguém.
"Humpf, fingindo ser um fantasma!"
Lucille, ouvindo a direção da voz, disparou um feixe de luz mágica que atravessou a escuridão.
A luz alcançou uma ilha distante...
E lá realmente havia um farol.
Por ser perto do porto da cidade, aquele farol servia para alertar os navios noturnos sobre a presença de terra, e as diferentes luzes indicavam variações na linha d'água. Normalmente, os faróis são construídos perto da borda da bacia oceânica, para lembrar grandes frotas de não se aproximarem, pois ali encalhariam.
E o oponente estava exatamente perto do farol, provavelmente observando a luta o tempo todo.
Lucille, ao vê-lo, também ficou curiosa...
Uma pessoa?
Era uma pessoa, e pelo que ele dissera, parecia que aquele monstro era criação sua.
Ela voou rapidamente para perto do farol.
Um farol construído em um recife isolado, agora visível com a névoa dissipada.
"Foi você quem invocou esse monstro?" perguntou Lucille, olhando para ele. Ela mantinha os pés no chão, para não cair em armadilhas mágicas.
O feiticeiro do outro lado pareceu notar isso...
Um homem aparentando ter mais de cinquenta anos, com uma longa barba, mas um rosto anormalmente sombrio, quase estranho. Algo parecia se projetar de metade de seu rosto!
"Quem é você?" perguntou Lucille, franzindo a testa. "Por que causar tamanha confusão?"
Seu olhar se tornou vigilante.
Pois ela notou que, na parte inferior do queixo dele, algo pequeno e móvel se projetava, como pequenos tentáculos. Quase todo o queixo estava coberto por eles... Era algo muito desagradável de se ver.
"Beckman, acho que há muitos anos me chamavam assim." O outro parecia não se importar com a pergunta de Lucille, e até respondeu cooperativamente.
Lucille, claro, nunca ouvira esse nome.
Mas se Sean estivesse ali, provavelmente ficaria ainda mais surpreso!
Pois aquele nome era o mesmo da pessoa que causara sua primeira viagem ao passado, o feiticeiro que se aliara a piratas e, no fim, usara o poder dos deuses antigos...