Capítulo 666: Capítulo 666: Espírito Maligno (Parte 1)

Serya liderou todas as tropas nobres que a acompanhavam em direção à vila costeira.

Felizmente, o local da implantação não ficava longe do mar; caso contrário, não se saberia se conseguiriam correr até a costa no menor tempo possível.

— Princesa Serya!

Durante o trajeto, o Marquês Anu de repente chamou Serya, que cavalgava ao seu lado.

Como era noite e a névoa densa no ar frio do litoral tornava inconveniente o uso de dragões voadores, todos optaram por galopar a cavalo, pelo menos assim a velocidade seria maior...

— O que foi? — Serya olhou na direção de Anu, mas em poucos segundos voltou a focar à frente.

Cada membro da família real Izdiar não era alguém criado no luxo; isso talvez se devesse às regras estabelecidas pelos mais velhos da geração anterior em tempos especiais. Sua tia, a maior feiticeira do deserto, já governara todos os feiticeiros da Coroa Solar do império.

E seu pai, o Rei Sol, fora em sua juventude um guerreiro ardente.

Segundo as histórias que contava, durante a luta dos dois irmãos para retomar o poder, o Rei Sol liderou exércitos por um longo período, sempre na vanguarda de cada batalha.

As cicatrizes dos ferimentos daquela época ainda eram visíveis...

E justamente por essa relação, Serya e Mudan, assim como a irmã mais nova, Rayla, e o irmão mais novo, Os, foram ensinados desde pequenos com algumas técnicas de combate. Quanto ao irmão mais velho, embora não se soubesse como foi seu ambiente de crescimento, os feiticeiros ao seu redor sentiam uma forte ondulação mágica em肖恩.

Eles lhe disseram em segredo que肖恩 tinha pelo menos capacidade de feiticeiro de nível 4 ou 5.

Parece que herdou o talento da tia!

Mas isso já bastava para mostrar que cada um da família Izdiar era adequado para lutar no campo de batalha, sem medo de qualquer combate.

Serya olhou para Anu, que parecia hesitar em falar, sem saber o que ele queria dizer, mas que parava antes de começar...

— Se tem algo a dizer, diga logo. Agora é melhor do que durante a batalha. — Serya disse sem virar a cabeça.

Sob a luz do fogo noturno, seu perfil deslumbrante fazia o coração de muitos homens presentes palpitar, ainda mais que esses nobres já eram adeptos de Serya; qualquer movimento seu era notado por todos...

— O Marquês Anu está preocupado com o perigo? Se houver perigo, pode ir na frente, deixe os soldados conosco, não tem problema. Não vamos roubar seus méritos; o que é seu continua sendo seu. — zombaram outros jovens nobres ao redor.

Entre todos ali, exceto a Princesa Serya, os demais tinham status inferior ao do Marquês de Fronteira, Anu Kobira.

Sempre se vangloriavam com base em suas posições familiares na capital.

Anu não se importava com essas palavras...

Ao longo dos anos, especialmente desde que conquistou o status da família Kobira, ele enfrentou muito mais do que essas provocações sem sentido; não valia a pena rebater por uma disputa de ciúmes ou exibicionismo.

Mas, com a brisa do mar tocando seu rosto, Anu não conseguiu se conter e falou.

— Princesa Serya, se houver perigo mais tarde, enviarei meus comandantes para tirá-la daqui, mesmo que custe a vida deles. O resto fica comigo... — Anu ia dizer "nós", mas pensou que os jovens nobres não eram confiáveis, então contaria apenas consigo.

— Você acha que eu fugiria?

— Não é fuga, é pelo futuro de todo o reino!

Anu parecia já esperar que Serya dissesse isso, então preparou uma resposta antecipada.

O ideal dela era se tornar como a imperatriz anterior, governando o deserto; por isso, só usando o argumento do reino inteiro poderia fazê-la considerar a realidade.

Após dizer isso, ela não respondeu de imediato, mas Anu sabia que ela havia entendido!

Ele, que em pouco mais de uma década passou de filho bastardo a conquistar toda a posição da família e sufocar o contra-ataque dos filhos legítimos... De certa forma, Anu nunca foi uma pessoa sentimental; ele se considerava um governante frio. E justamente por isso, quando Serya propôs fornecer armas a outros países, ele concordou imediatamente.

Todos podiam ser ignorados, menos essa princesa.

Cavaleiro e princesa...

Embora a promessa feita naquela época não pudesse mais ser cumprida, aquele período era como um sonho eterno para Anu, o sonho juvenil de um homem!

Após um tempo,

A tropa já sentia a proximidade da costa, pois o som das ondas do mar na névoa já era audível. Serya aproveitou esse momento para responder a Anu:

— Sabe por que eu quis vir pessoalmente?

Anu olhou para ela, e os outros nobres também pareciam observar a princesa.

— Por quê?

— Porque concluí que esse incidente fantasmagórico foi causado intencionalmente por alguém... Lembro que minha tia, ao me ensinar, disse que um governante às vezes precisa confiar plenamente em seu julgamento; se você hesitar, nunca conseguirá realizar algo.

— ...Como concluí que foi algo artificial, espalhei deliberadamente a notícia de que iria embora. Agora, apostei e venci; desta vez, também não falharei! — disse Serya com confiança.

A tropa chegou completamente à beira-mar.

Como estavam viajando leves, havia pouco mais de mil pessoas, menos de duas mil. Para proteger a princesa, Anu fez outro grupo seguir atrás; eles eram apenas a vanguarda.

Na costa, o mar enevoado estava imerso na escuridão...

Com a névoa, a lua não conseguia iluminar a água, e a vila ao redor estava estranhamente silenciosa.

— Como não há ninguém?

— Mesmo que o fantasma tenha levado alguns, não havia testemunhas? — disse Edon, do grupo nobre.

Ele ordenou que um soldado batesse na porta de uma casa vizinha.

Sem resposta, nem mesmo um som.

— Não faz sentido, como pode ser? — Edon disse, confuso, e mandou o soldado arrombar a porta.

A luz do fogo varreu a pequena casa por alguns segundos e ele saiu...

Essas vilas costeiras eram feitas de pequenas cabanas de madeira; na alta temporada de pesca, podia não haver ninguém em casa, pois a família inteira estava no mar.

O lugar era tão pequeno que se via tudo de uma vez, não precisava procurar muito...

— Não tem ninguém, senhor. — respondeu o soldado.

— O quê?

Serya olhou surpresa para os outros ao redor.

Por que esse incidente era diferente dos outros? Não havia ninguém.

— E os outros? E os outros soldados? Não enviamos soldados para guarnecer? — disse ela.

Enquanto todos se perguntavam o que estava acontecendo, um soldado alertou que, na névoa do mar, parecia haver um clarão verde passando.