Vir pedir armas emprestadas a mim, e ainda por cima foi procurar o Marquês, seu amigo de infância...
Aos olhos de estranhos, talvez essa princesa parecesse ter sentimentos nobres, mas a Serya de agora já não era mais a pequena princesa daquela história. Pelo que Sean conhecia dela, era pura mentalidade de uma política.
Por isso, quando ele ouviu que ela tinha um noivo designado desde a infância, também ficou surpreso, e ainda por cima uma história de princesa e cavaleiro!
— Mas... a história que você contou antes é verdade? — perguntou Freya.
Na verdade, antes de Serya chegar, Sean já havia contado a Freya sobre os assuntos dela, e a cena no salão principal onde Serya insistiu em ir contra todas as opiniões.
Até Freya ficou surpresa ao ouvir!
Embora não tivesse muito contato com ela, já havia trocado breves palavras com Serya durante o casamento. Freya, que já vira muitos jogos de poder, a classificou de imediato como uma política refinada e egoísta. Quem diria que anos atrás havia um momento tão romântico.
A carruagem já havia sumido de vista. Freya olhou para a estrada fora da mansão e murmurou: — Essa pessoa muda rápido, hein.
— É bem rápido. — concordou Sean.
— Mas... você sabe qual é o objetivo da sua irmã ao vir pedir armas? — Freya de repente olhou para Sean e perguntou.
Ele ergueu a cabeça e pensou por um momento. Embora não tivesse certeza, por um lado, talvez ela realmente achasse que canhões dariam vantagem em ataques marítimos; por outro...
— Talvez ela queira que o antigo cavaleiro dela a ajude.
— Ajude-a?
Sean assentiu: — Hum, ao meu lado estão Melsusa, comandante da Guarda Real, e o futuro Sol da Coroa que você liderará. Já Mudan tem pelo menos um grande número de soldados imperiais. A situação de Serya é mais complicada. Na superfície, ela tem muita influência entre os nobres, mas boa parte dessa influência vem de sua posição e do fato de ainda não ser casada. Ela mesma deve saber disso.
Na verdade, pensando bem, tanto Sean quanto o príncipe Mudan têm um apoio considerável e leal, enquanto o lado de Serya é incerto.
Dizem que é uma facção nobre, mas a facção nobre é a mais bagunçada.
Parte dela está em outros campos, e muitos são completamente oportunistas... Depender desse tipo de facção não trará bons resultados no final; não ser apunhalado pelas costas já é sorte.
E, pelo que parece, parte dos nobres que seguem Serya provavelmente é por causa de sua identidade.
Filha do Rei Sol, princesa de Jagon... Se ela se casasse com qualquer nobre, a família dele ganharia prestígio. Serya deve saber disso, por isso mantém cuidadosamente relações com vários nobres, apenas "flertando", mas sem favorecer nenhuma família, senão essa relação se quebraria.
Hmm...
Parece calculista, mas é uma vantagem feminina, não há o que dizer.
Mas, mesmo com grandes vantagens, as desvantagens também são grandes...
Serya não pode manter o equilíbrio entre os nobres para sempre, e como já foi dito, a facção nobre é a mais bagunçada. Ela terá que fazer algumas escolhas.
O Marquês Anu Kobira deve ser uma delas.
Após ouvir a explicação de Sean, Freya perguntou curiosa: — E você ainda quer dar as armas para ela?
— Isso envolve a segurança dos habitantes do império, claro que vou dar. Além disso, nunca considerei essas coisas como trunfos. A fábrica de armas imperial tem cópias... Conseguir não significa saber fazer, e mesmo que façam, não vai mudar muita coisa. Enquanto Jagon estiver estável, a venda interna dessas armas não será maior que a de produtos civis. — explicou Sean.
— Além disso, o importante agora é investigar a origem dos fantasmas.
Pessoalmente, Sean ainda não se tornou alguém que calcula cada passo. Talvez porque sua vida de décadas tenha sido de uma pessoa comum; de repente se tornar nobre, mas sua mentalidade ainda não mudou completamente.
Ao longo dos anos, ele sempre deixou uma margem em tudo o que fez, sem chegar ao ponto de eliminar todos os oponentes em potencial por interesses.
No momento, a ameaça a Jagon são os fantasmas marinhos de origem desconhecida; o resto pode ser resolvido depois!
— Hum, já mandei Mirk com alguns membros do Sol da Coroa para o sudeste se encontrar com Lucille, mas disseram que é difícil encontrá-la.
Ah...
O assunto de repente mudou para sua mentora, e Sean ficou sem graça.
Ela sumiu sem dar notícias, e nem o Sol da Coroa nem o Batalhão de Investigação conseguem encontrá-la.
Sean é quem mais conhece os truques de "transformação" dela. Se ela quiser se esconder, poucos no mundo conseguiriam achá-la...
— Deixe a mentora de lado. Ela vai voltar quando descobrir as coisas. Se encontrar problemas, ela mesma vai buscar ajuda.
— Ah, e o príncipe Tur disse que virá aqui mais tarde.
Sean ouviu a agenda do dia.
Mesmo sendo príncipe, quando se tem trabalho a fazer, não há descanso... Às vezes, ele até inveja aqueles que estão em missão, recebendo altos salários e ainda viajando por aí!
— Tudo bem, deixa eles virem.
Ele pegou a mão de Freya e voltou para sua mansão...
..........................
No dia seguinte, Serya recebeu alguns canhões e mosquetes da zona industrial, além de muitas munições especiais e granadas.
Essas armas de fogo eram raras nas guerras do deserto.
Um motivo é o desenvolvimento industrial atrasado dos países do deserto; outro é que os povos do deserto, por causa do ambiente, têm corpos mais fortes e níveis mais altos. Além disso, o grande deserto isola a região, e ao sul está o mar infinito.
Barreiras naturais prendem todos os países do deserto em Adak. Historicamente, todas as guerras foram entre eles, raramente com inimigos externos. Por isso, armas como as de Zumbartar são pouco comuns.
Da manhã ao meio-dia, Serya fez as tropas carregarem por muito tempo até finalmente colocarem tudo nos dragões voadores.
Isso já mobilizou a maioria dos dragões de transporte da capital!
Parte deles só foi conseguida com a ajuda da Ordem dos Cavaleiros Dragões...
— Está tudo contado?
— Sim, princesa. — disse um general ao lado de Serya.
Originalmente, o Rei Sol queria que Melsusa, comandante dos Cavaleiros Dragões, viesse junto, mas a batalha recente contra piratas causou perdas consideráveis à ordem. Por sugestão de Serya, outra tropa da Guarda Real foi escolhida.
Além disso, estavam acompanhando os filhos de alguns duques que se manifestaram no salão principal. Eles também queriam conquistas para obter reconhecimento familiar, então trouxeram seus soldados.
— Está bem, vamos partir.
Assim que Serya disse isso, um nobre perguntou ao lado:
— Princesa, vai montar um dragão voador?
Ela parou e olhou para ele.
Eden Iffrit.
O segundo filho de Brown Iffrit, o conselheiro imperial. Também foi um dos companheiros de infância de Serya.
— Você acha que sou uma princesa que vai de carruagem devagar, descansando em hotéis luxuosos? Porto dos Cervos é longe daqui. Se não formos de dragão voador, não chegaremos a tempo... Pare de enrolar e suba. — apontou para outro dragão ao lado.
Hoje, Serya vestia uma armadura de couro leve, cintura fina ajustada, calças compridas e botas altas, exibindo uma beleza e aura diferentes. Desde o início, os nobres que a acompanhavam não tiravam os olhos dela.
Os nobres provavelmente não estavam acostumados a montar esses animais, então até o dragão de Serya era controlado por um veterano do exército, enquanto ela só precisava montar junto.
Eden olhou para o olhar determinado dela e entendeu o temperamento teimoso de Serya.
— Tudo bem, tudo pelo império!