Sean examinou atentamente a criatura de aparência estranha na página do livro.
— Vocês desenharam isso da parede? Em que lugar? — Um pressentimento instintivo deixou Sean em alerta.
Aquela coisa parecia estranha de qualquer ângulo. Se realmente existisse uma criatura como a da imagem, que forma grotesca e distorcida ela teria.
E, justamente essa coisa bizarra, Sean tinha uma vaga lembrança...
Durante a batalha no Palácio Imperial de Bashalan, quando foi falsamente acusado por vários nobres e, sem saída, foi forçado a invocar Yog-Sothoth, ele viu criaturas assim nas visões que lhe foram mostradas — e não era apenas uma!
O monstro que antes parasitava o Grão-Feiticeiro da Corte Imperial de Bashalan, Lapsi, que se autodenominava Shoggoth, não era feito por essas criaturas?
Como o desenho era muito abstrato, Sean não tinha certeza, mas coisas que cresciam em forma de pupa não eram comuns, e ele ainda se lembrava claramente.
Lembrava que, na época, o que Shoggoth queria se chamava... Cristal dos Antigos.
— Antigos.
— Vossa Senhoria conhece essa criatura?! — Ross, ao lado, perguntou animadamente.
Sean olhou para ele, e o outro pareceu perceber algo e mudou imediatamente o tom.
— Desculpe, Príncipe. — Inclinou a cabeça humildemente.
Jagong tinha uma estrutura diferente do Império de Bashalan; o poder real era mais respeitado ali, e até plebeus podiam se ajoelhar diante dele. Se os soldados vissem aquela atitude, ele seria punido.
— Fiquei muito empolgado, às vezes não consigo me conter.
Sean acenou com a mão.
— Sem problemas! Eu só ouvi lendas sobre essa coisa.
Ross era um verdadeiro grande estudioso; seu conhecimento e compreensão da história superavam os de qualquer um que Sean já conhecera, e não ficava atrás nem dos estudiosos da capital de Jagong — na verdade, era até melhor. A academia tinha seus níveis, e Sean percebia isso pelo mapa e pela maquete que Ross havia feito.
Ele mesmo, usando os privilégios de príncipe no Palácio de Jagong e gastando mais tempo, não conseguiu fazer algo muito melhor do que o que Ross produzira às pressas, e até nos detalhes não era tão bom quanto.
Agora, aquele grande estudioso queria se aliar ao seu país — deveria ser bem-vindo!
Depois que Sean terminou de falar, Ross conteve sua [empolgação!] e [urgência!], sem ousar perguntar mais, até que Sean tomou a iniciativa.
— A lenda de que se chama Antigo vem da época do Império de Bashalan...
Ele viu Ross erguer a cabeça surpreso.
— Estudioso Ross, você sabe que no Tesouro do Palácio de Bashalan há um cristal roxo?
Na época, por ser um nobre, Sean não podia questionar o Rei Simon. Mesmo depois que sua identidade de príncipe foi revelada por Melsusa, os dois lados não se comunicaram mais. Após alguns dias de tensão simbólica, o Rei Simon o enviou embora sorrindo — provavelmente todos queriam que ele fosse embora.
O assunto nunca mais foi mencionado, e mesmo depois que Shoggoth morreu, Sean não conseguiu investigar o Cristal dos Antigos.
Agora, bem.
Um ou dois anos depois, algo relacionado a ele apareceu novamente.
— Como Vossa Alteza sabe disso? — Ross perguntou curioso.
— Então existe.
Acima da cabeça de Ross apareceu o estado [curiosidade!] e [reflexão!].
— Realmente existe. O tesouro do reino tem registros. Há cerca de dez anos, eu administrei os registros dos artefatos do palácio real por um tempo e vi muitos tesouros raros. Lembro-me desse cristal roxo.
— Como foi obtido? — Sean insistiu.
Parecia que aquele grande estudioso não era falso; ele conhecia coisas que poucos sabiam.
— Lembro que foi há algumas décadas, trazido pelo mar do sul para o Império de Bashalan, vindo de um comerciante marítimo. Por ser muito valioso, foi comprado pelo então príncipe e levado ao palácio.
Ao dizer isso, Ross percebeu e examinou o local registrado no livro.
Mar...
Tempo, e os lugares onde ele e Lilith estiveram.
— Mestre.
— Lilith, você se lembra da história que ouvimos dos aldeões? — perguntou a Lilith ao lado.
— Lembro... está tudo escrito no livro.
O livro estava nas mãos de Sean...
Ele o abriu. Atrás da imagem, contava a história da vila.
Era transmitida de geração em geração pelos idosos da vila... O local com as gravuras na pedra era um recife não muito longe da vila, no mar.
Na verdade, eram aldeões perto da costa. Havia muitos pequenos recifes no mar raso. No dia a dia, tanto adultos quanto crianças que nadavam bem podiam chegar até eles, e a parede de pedra com as gravuras estava lá.
Dizia-se que era um observatório astronômico, e muitos afirmavam que era o melhor lugar para observar o céu!
Mas por que e quem mandou fazer isso, ninguém sabia.
O tempo era muito distante, muitas histórias já estavam distorcidas...
— Príncipe, com base em meus anos de pesquisa histórica, se os Antigos de que Vossa Alteza fala realmente existem, então eles pediram que os humanos observassem as estrelas para eles. — Ross fez sua suposição ousada.
— Oh, por que diz isso?
— Muitas histórias transmitidas na história, especialmente lugares lembrados por gerações, não são bons lugares: prisões, campos de execução ou matadouros. É justamente por serem especiais e causarem medo que são lembrados. Com o tempo, as histórias de sofrimento são esquecidas, mas o lugar permanece na memória.
Essa era a avaliação de Ross, um estudioso profissional.
Parecia fazer sentido, e essas coisas eram da área de Ross.
— Então deixo isso com vocês para encontrar a resposta. Se acharem, me avisem imediatamente.
— Entendido, Príncipe.
No final, Sean deixou o assunto com os dois, já que não podia acompanhá-los em expedições arqueológicas por vários lugares.
Depois que os dois saíram, Sean ficou sozinho perto da janela da cabine, olhando para o mar lá fora...
— Antigos.
Em sua mente, as imagens que Yog-Sothoth lhe mostrou vinham à tona repetidamente.
Yog, Nyarlathotep e Shub-Niggurath...
Esses três deuses antigos que controlavam as regras do universo pareciam estar começando a lutar, abertamente ou nas sombras. Dava para perceber pelo que Shub-Niggurath lhe dissera da última vez.
Sean não tinha esquecido, mas na época não havia o que fazer.
Ou melhor, até agora e no futuro, também não havia jeito... A diferença de dimensão era grande demais, nem estavam no mesmo nível. Nem adiantava mencionar a palavra "nível" diante deles.
Então, mesmo tendo ouvido essa notícia, Sean não podia fazer nada.
Eles estavam disputando o controle deste universo?
E o que era aquela Grande Existência?