Capítulo 603: Capítulo 603: O Exército de Jagon

Rugido~~ Dragões voadores passavam sem parar sobre a capital de Kelserck. No início, a multidão aplaudia, mas um ou dois ainda iam bem; essas criaturas que, ao abrir as asas, cobriam um pedaço do céu, quando começaram a se multiplicar, deixaram todos inquietos! Dezenas, vinte e tantas... Cada vez mais dragões surgiam no céu, e a poderosa pressão que emanava deles fez com que os cavalos na cidade começassem a se agitar. Muitos olhavam para o céu, enquanto com as mãos tentavam acalmar seus montarias... E em seus olhos, além do choque, já se via um traço de preocupação. Ainda bem que essa tropa era nossa aliada; se fosse inimiga, como as outras cidades aguentariam? Para enfrentar dragões, quantos homens seriam necessários empilhar, sem falar em lutar contra seus guerreiros! Deserto de Adak. Finalmente, a partir de boatos ouvidos de muitos, formava-se uma impressão dele. Realmente tão poderoso e invencível quanto os rumores diziam! Os dragões se empoleiravam no céu, sob o comando de Melsusha, formando uma fileira horizontal que seguia seu passo, aproximando-se lentamente da cidade imperial... O sol era encoberto por esses dragões que tapavam o firmamento, como nuvens negras pressionando a cidade. Enquanto isso, na ponte da cidade imperial, Kiana e Luoh, em alerta, aguardavam a chegada desses aliados. À frente vinha um patrulheiro de armadura prateada, ladeado por dois comandantes homens. Ao vê-los surgir no horizonte, Luoh liderou pessoalmente um grupo para recebê-los. "Bem-vindos, nobres convidados, comandantes do deserto." Ele tentou manter uma expressão relaxada, para que o clima não ficasse tenso. Mas Melsusha, do outro lado, não correspondeu. Saltou do cavalo, com a espada na bainha, mas sempre na mão... Aqui era o palácio de outro reino; trazer armas já não era permitido, e ela ainda a segurava abertamente. Dava a impressão de que poderia atacar a qualquer momento! No entanto, Melsusha se conteve... Ela olhou ao redor, para o vasto palácio construído à beira do lago. "Então esta é a capital de Kelserck. Não parece grande coisa." "Ha~ A comandante brinca. Nossa capital, claro, não se compara à grandiosidade de Jagon, mas lugares pequenos têm suas vantagens, são mais confortáveis de morar." Luoh respondeu com um sorriso. Na verdade, Melsusha não queria zombar tão abertamente do país alheio. No início, viera humildemente para buscar o príncipe, esperando até que o príncipe Shawn se desse bem com o imperador de Kelserck, o que lhe daria mais trunfos para ser herdeiro. Mas, dois dias atrás, chegou a notícia de que o príncipe Shawn havia sido sequestrado na capital deste reino! Felizmente, depois souberam que nada grave acontecera, o príncipe não correra perigo, e a feiticeira ao seu lado capturara os inimigos, etc. No entanto, o fato já ocorrera... Para Melsusha, leal à família Izidihar do Rei Sol, essa desfeita era um desprezo, por isso armou esse espetáculo de dragões pressionando a cidade para mostrar a este povo. Jagon não é de se provocar, nem pode ser tratado com descaso. No mar, os cavaleiros de dragão podem ser afetados por navios, mas em terra, esses senhores dos céus não perdem para nenhum país. "Talvez lugares pequenos não sejam seguros." Melsusha deu uma risada fria, ainda de mau humor. "A comandante tem um senso de humor peculiar." Luoh riu, mas logo seu rosto ficou sério. "Quem entrar em nossa capital, seja quem for, não sofrerá dano antes que morramos." Seu olhar sério, como o de um verdadeiro soldado... Melsusha, vinda de uma formação militar, ao ver aquele olhar sincero, engoliu as provocações que ia fazer. Olhou para Malo e Oshalia atrás, acenando para que a seguissem. "Esperem, comandante!" Mal havia dado um passo, foi barrada por um soldado ao lado. "O que foi?" "Kelserck tem suas regras; mesmo sendo aliados, não podemos entrar na capital com armas." Disse um soldado de armadura amarela, desconhecido. "Não confio na segurança desta capital. Levo a arma para proteger nosso príncipe." Melsusha olhou para ele. Apenas um olhar de alguém de alto escalão já gelava o sangue... "Deixe, deixe. Se a comandante quer levar, que leve. Claro que receberemos nossos amigos." Comparados aos soldados, Kiana e Luoh sabiam ceder mais. Era claro que ela ainda estava irritada com o sequestro da carruagem do príncipe Shawn; se quer bater de frente, vá em frente. O príncipe deles está em nosso país, há motivo para preocupação? Mesmo sem consultar ninguém, Luoh podia autorizar a entrada por conta própria. Afinal, a proibição de armas era só para estranhos; os guardas da capital e os generais entravam armados, até no salão principal alguns portavam armas, não era grande coisa. Ao ouvir a permissão, Melsusha olhou com interesse para o homem à sua frente. Ele usava luvas nas mãos, um uniforme azul com um punhal. Um alquimista, provavelmente. A profissão mais comum em Kelserck devia ser a de alquimista! .................. A tropa acabava de entrar pelo portão da capital, enquanto do lado de fora do salão principal, Shawn acompanhava o imperador Ser à espera... "Tio Ser, não se preocupe. Chamamos essas criaturas de pterossauros em nosso país; são bestas dóceis, que costumam nos ajudar a transportar mercadorias no deserto. São calmas, não se enfurecem, e é uma forma especial de saudação em nossa nação." Mesmo estando no palácio de outro reino, quando seus homens chegaram, Shawn sentiu-se mais confiante e começou a apresentar os dragões de sua terra aos nobres e à realeza de Kelserck. Esses caras, no mar, eram todos uns covardes, mas em terra, agiam como soberanos. É realmente... Um tanto sem palavras. Durante a guerra com Borg, Shawn não pudera ver aquela batalha; depois, vira algumas cenas de combate com dragões, mas o mais comum era o cerco a piratas... Naquela época, os cavaleiros de dragão, embora fortes, eram limitados demais, sem meios de atacar bestas marinhas, e não eram bem vistos. Agora, porém, ele se alegrava de tê-los trazido. Exatamente para se dar um prestígio... "Oh, o exército de Jagon tem esse tipo de tropa?" "Sim, muitos. Os cavaleiros de dragão são uma força exclusiva nossa, mas raramente vêm tão longe." Como imperador, ele certamente já ouvira falar dos cavaleiros de dragão, no máximo nunca os vira pessoalmente, sem ter certeza; agora que os via, devia entender por que Jagon superava outros países em certos aspectos. "É realmente um exército poderoso." Ele respondeu com um sorriso. Mas os estados de [Preocupação!] e [Reflexão!] acima de sua cabeça o denunciavam. Shawn só pôde rir por dentro. Nesse momento, Melsusha, liderando a tropa, já entrara no palácio vindo da capital, e ao longe já se viam ela, Malo e Oshalia. Ela se adiantou em direção à escadaria... Os três, ao vê-lo de longe, apressaram-se para se ajoelhar diante dele. "Nobre rei, conforme suas ordens, todos já chegaram; alguns ficaram em Yalanburg, aguardando a frota de Dansu." Disse Melsusha, ajoelhada. Provavelmente, a mensagem que ele enviara já fora recebida pela marinha do porto de Dansu, e eles enviariam uma frota para buscá-lo.