Capítulo 556: Capítulo 556 Conversa

— E aí, encontraram alguma coisa? — perguntou Lucille, insistindo.

Mas Rachel, sentada à sua frente, lançou um olhar discreto para Lucille antes de balançar a cabeça.

— Na verdade, essa organização rebelde já é inimiga de muitos países há muito tempo. Nós, de Kelserck, também somos um dos alvos deles... é uma perseguição implacável. A maioria dos eventos que acontecem no país tem a participação deles. Mas eu nunca imaginei que eles fossem atacar os tributos de dois reinos desta vez. Nunca imaginei.

— É bem estranho mesmo. Isso mostra que a organização está ficando mais ousada — respondeu Lucille.

Na mesa, estava sua carne defumada favorita, que Rachel tinha cortado especialmente e temperado com especiarias típicas daquele país. Quase sempre que vinha, havia um pouco preparado... Só essa irmã no mundo inteiro conhecia seus gostos.

— Come mais. Quanto tempo você vai ficar desta vez? — perguntou Rachel, olhando para ela.

— Se o Sean voltar, talvez eu vá com ele... — pensou um pouco, mas na verdade não sabia dizer ao certo.

No fundo, não queria ir com Sean para o deserto. Aquele lugar não era o ideal para se viver, e ainda teria que ficar o tempo todo no palácio ou na capital, o que era ainda pior. Mas se não dissesse isso, Rachel poderia tentar convencê-la a se juntar ao lado de Kelserck.

Pensando bem, ficar com o pequeno discípulo era a opção mais viável.

— E a sua viagem?

— Depois eu saio de novo — disse Lucille.

Rachel suspirou. Depois de tantos anos tentando convencê-la, aquela irmã mais nova que vira crescer ainda não queria ficar com ela, insistindo em fazer do próprio jeito.

— Você realmente não pensa em ficar comigo? O palácio de Jagon também é um lugar rico, mas, pelo que conheço de você, isso nunca te importou... Eu ainda quero, como antes, que você se junte a mim. Não importa o que faça, é melhor do que viver vagando por aí. Já se passaram mais de dez anos, Lucille! — Rachel tentou apelar para a idade, achando que, para uma garota, mais de dez anos vagando já era o suficiente. Mesmo sendo uma feiticeira de alto nível com uma vida mais longa, não podia ficar perambulando para sempre.

Lucille ficou em silêncio.

A carne defumada que estava comendo de repente perdeu o gosto. Toda vez que se encontrava com essa irmã, o assunto sempre acabava nisso, de um jeito ou de outro. Não era que odiasse... mas era pesado demais, e ela sempre tentava evitar.

— A gente vê depois. Pelo menos, com meu pequeno discípulo, tenho mais liberdade. E treinar o futuro Imperador do Sol, o Rei Sol do deserto, não é pouca coisa — disse Lucille, sorrindo para ela.

Rachel só balançou a cabeça, rindo. Parecia que toda vez que tocavam nesse assunto, o resultado era o mesmo.

— Vamos parar com isso, irmã Rachel. Ah, e outra coisa: eu vi, entre os tributos do meu discípulo, uma Pedra de Alquimia e um Vinho da Imortalidade. Foi você quem os preparou? — depois de pensar muito, finalmente encontrou uma pergunta para desviar o assunto.

— Você já viu?

Lucille balançou a cabeça com força.

— Não!

Não podia dizer que sim. Aquilo era algo que ela e Sean tinham combinado de não contar a ninguém. Já que ele não contou ao Rei Sol, ela também não podia contar a essa irmã.

— Mas meu discípulo me falou sobre eles. Ele ouviu falar... Só que, infelizmente, foram roubados por aqueles piratas — disse Lucille, suspirando por dentro. Ainda bem que aqueles dois itens não estavam com ela agora; tinha entregue a Sean antes para guardar, senão seria difícil explicar.

— Ouvi dizer que o Vinho da Imortalidade pode reviver pessoas, e que a Pedra de Alquimia permite fazer sínteses alquímicas mesmo sem condições ideais, ignorando até matrizes.

— Ha ha ha... De onde você tirou isso?

— Foi meu discípulo que disse — respondeu Lucille, como se fosse óbvio.

— Isso foi só um exagero que inventamos para fazer o Rei Sol valorizar os tributos e entender sua importância. Na verdade, não é nada disso... O Vinho da Imortalidade é um ótimo remédio curativo, que realmente pode restaurar as forças rapidamente e até curar ferimentos graves. Mas falar em reviver mortos é exagero demais. Uma cabeça cortada não vai crescer de novo — disse Rachel, rindo.

— É verdade!

As duas riram e continuaram a comer...

Naquela noite, a lua iluminava os rostos das duas. Lucille ainda era bela como uma jovem, mas do outro lado, o tempo já havia deixado suas marcas. Rachel não era feiticeira; tinha um pouco de poder mágico, mas entendia pouco de bruxaria — talvez parte do que sabia tivesse sido ensinado por Lucille. Diferente de Lucille, que usava magia para congelar a aparência, Rachel deixava o envelhecimento seguir seu curso natural. Somado aos anos de trabalho duro, ela parecia ainda mais velha.

— E a Pedra de Alquimia? — mesmo enquanto comia, Lucille não deixava de fazer a pergunta que a incomodava.

— Também é um produto exagerado. Nos últimos anos, nossa pesquisa tem sido focada em reduzir o consumo de materiais. Com o aumento do número de alquimistas, muitos recursos estão sendo usados em excesso. Por isso, estamos tentando desenvolver algo que economize esses materiais. A Pedra de Alquimia é o melhor material para isso, mas a pesquisa está apenas no estágio inicial. Não conseguimos avançar.

— Por quê? — perguntou Lucille, curiosa.

— Parece que falta alguma coisa, mas não sei explicar o quê... — Rachel também estava frustrada com a pesquisa da Pedra de Alquimia. Parecia que nunca conseguia ultrapassar o ponto crítico.

Toda vez que sentia que podia dar um passo adiante, algo a impedia.

De repente, ela olhou para Lucille...

— Sabia que a ideia da Pedra de Alquimia veio do seu mentor?

— Hã?

— Sim. Há muitos anos, quando ele estava em Lewis City, ele me falou sobre algo assim. Na época, não dei importância, achando que violava o princípio da troca equivalente. Mas, conforme fui subindo de nível, percebi que minhas convicções antigas talvez não estivessem totalmente certas. Que tal você se juntar a mim e continuar a pesquisa do seu mentor? — o assunto deu uma volta e voltou ao convite para que ela se juntasse ao grupo.

— Ai, irmã Rachel, vamos deixar isso para outro dia, tá? — sem conseguir convencê-la, Lucille apelou para a teimosia.

— Tá bom, tá bom. Hoje não falo mais. Amanhã eu falo!

As duas se entreolharam, rindo, e continuaram comendo. Na capital de Kelserck, as noites eram frescas, perfeitas para apreciar a lua e fazer um lanche noturno.

Lucille conversou com ela sobre muitos assuntos, a maioria histórias engraçadas de sua vida nos últimos anos. De vez em quando, falava do pequeno discípulo, mas, como o nome "Sean" era muito sensível — ambas conheciam outra pessoa com o mesmo nome —, evitavam tocar nesse assunto...

Sem perceber, o tempo passou e, de repente, já estava amanhecendo!

Que rápido.