Sean olhou fixamente para o topo da cabeça do grande rato e para o estado sem precedentes que ali aparecia!
A loja era pequena, com apenas dois cômodos simples. Além da entrada, só restava o depósito, e o porão também deveria ser um armazém para guardar coisas.
"Aqui! Venham rápido." O dono da loja foi primeiro para os fundos abrir a porta do porão e depois voltou correndo para chamar os dois.
Ignya olhou para Sean.
"Vá primeiro, Sean." Disse ela, mas percebeu que ele não se mexia.
"O que está esperando? Anda logo." Ignya disse, ansiosa.
Foi só então que Sean saiu de sua observação... O tempo era curto demais para olhar mais, e as vigas do telhado já estavam cheias de ratos saindo.
Os ratos perto da porta, com medo da chama fluida na frente do cajado mágico de Ignya, não ousavam avançar, mas continuavam tentando...
Finalmente, ele jogou a chama fluida do cajado no meio dos ratos, e os dois correram para os fundos.
"Rápido!"
No instante em que fecharam a porta rapidamente, sentiram os ratos já se chocando contra a entrada.
O porão ficava bem no centro dos fundos, com uma escada como a de uma caverna que se estendia para baixo...
Também era uma tampa de madeira. Quando Sean e Ignya entraram, perceberam que havia ainda uma porta de ferro, e o coração apertado deles se acalmou um pouco.
Com uma porta de ferro, devia ser muito mais seguro!
Os três entraram no porão e rapidamente trancaram a tampa de madeira e também prenderam a porta de ferro. O barulho então se acalmou...
E a luz também se apagou na escuridão total.
Puf!
Ignya acendeu uma chama no cajado mágico.
"Apague essa chama! Num lugar assim, vamos sufocar." Sean disse de repente.
Acender fogo num espaço tão pequeno era como suicídio, então ele apagou diretamente a chama do cajado dela.
Mas a luz momentânea iluminou rapidamente o ambiente ao redor: era uma salinha de uns dez metros quadrados, com alguns barris grandes nos cantos cheios de ração animal.
Até o ar tinha um cheiro de grãos de cereais.
Claro, podia ser também poeira, mas estava tudo misturado e difícil de distinguir.
"Está escuro demais aqui."
Depois que a chama se apagou, Ignya disse, insatisfeita.
"Use outra magia, de luz ou algo assim."
"Eu não tenho esse tipo de magia! E também não trouxe nenhum item mágico que brilhe." A voz soava um pouco irritada, mas como estava escuro, Sean não conseguia ver a expressão dela.
"Sentem-se à vontade, aqui é seguro. Este depósito foi feito para evitar que ratos ou outros insetos roubassem os grãos, nunca pensei que serviria de abrigo hoje." Foi então que o dono da loja, que estava calado até agora, finalmente falou.
Na verdade, Sean se sentia meio culpado por ele.
O cara estava tocando o negócio dele direitinho, só porque estava perto deles, acabou entrando e virou essa bagunça.
Ele tinha olhado para o dono antes: devia ter a idade do Danti, uns trinta anos ou um pouco menos.
Como não se cuidava, com a boca cheia de barba, parecia mais velho...
"Você vê ratos com frequência por aqui?" Sean perguntou de repente.
Esticou a mão para trás, tateando, e sentou-se perto da escada. Na escuridão, sentiu Ignya se aproximar um pouco dele.
"Quem trabalha em pasto ou fazenda já viu rato, mas nunca vi um tão grande. Vocês disseram que ele veio do esgoto? Da entrada de esgoto ali perto?" O homem disse com um tom de incredulidade.
Nesse momento, o barulho fraco vindo de cima foi interrompido por um estalo alto, seguido por sons de pisadas na madeira.
"O que está acontecendo com eles?"
"Devem ter derrubado a porta. Agora devem estar bem em cima de nós."
Por causa da porta de ferro fechada, o som de fora era muito baixo; se não prestasse atenção, quase não dava para ouvir os gritos dos ratos.
"Como pode ter um rato tão grande no esgoto!" O dono continuou perguntando.
"Isso não é um rato, é uma besta mágica."
"Besta mágica?"
"De qualquer forma, você não vai entender. Não são animais comuns." Ignya disse de repente.
Isso deixou o dono desesperado, e ele se levantou.
"Elas não vão abrir esta porta, vão?"
Afinal, era a última defesa dos três. Se os ratos invadissem, ele e Ignya juntos talvez não sobrevivessem, e se não chegasse ajuda, ficar muito tempo no porão também sufocaria.
"Provavelmente não. Bestas mágicas não têm tanta inteligência... E..." Ignya não ousou continuar, como se não quisesse ser tão absoluta.
"Ignya!"
"Hã?"
A resposta veio da escuridão.
"Você conhece alguma magia para conversar com bestas mágicas?" Sean perguntou.
"Conversar com bestas mágicas? Existe uma magia assim, mas precisa que os dois se conheçam bem para usar. Agora, se eu sair para falar com ela, não daria certo."
Ignya provavelmente achou que ele queria que ela usasse a magia de diálogo.
Mas Sean estava pensando em outra coisa... O que viu antes.
O grande rato tinha um estado [Em diálogo...] no topo da cabeça. Isso significava que estava conversando com alguém?
No momento, só ele e Ignya deviam ser magos. Embora Sean admitisse ser meia-boca, tinha um pouco de mana, mas não ouviu o rato falar nada.
E ainda precisava que os dois se conhecessem?
Isso significava que havia outros magos por perto?
Pensando nisso, Sean instintivamente olhou para o dono da loja ao lado. Ele não devia ser!
Senão, já teria aparecido uma barra mágica. Por mais desconfiado que fosse, o que via com essa habilidade era confiável.
Então, havia outros magos por perto, ou alguém controlando à distância...
Parece que a cidade de Koga não era tão segura e harmoniosa quanto ele imaginava.
Esconder uma besta mágica no esgoto, o que o mago queria fazer?
"Vocês estão ouvindo? Não tem mais barulho lá fora?" Nesse momento, o dono soltou uma frase de repente.
Os três ficaram em silêncio.
Parecia que realmente não tinha mais som.
Em vez disso, ouviram batidas na tampa de madeira.
"Tem alguém aí embaixo?" Uma voz fina entrou.
"É gente, alguém veio nos salvar."
Eles deviam ter entrado no porão há apenas algumas dezenas de minutos, e já tinha chegado resgate.
"Tem gente!"
"Tem gente aqui embaixo!"
O dono já estava gritando para fora, sem paciência.
A porta de ferro devia ser muito grossa, e quem estava lá fora não ouviu direito, então bateu de novo.
"Tem alguém? Ouvi um cidadão dizer que viu alguém correndo para cá. Vocês ainda estão aí?"
"Tem, tem gente." O dono já não aguentava mais e quis subir primeiro.
Mesmo no escuro, como era a loja dele, tateando a escada, conseguiu sair de quatro... Quando a porta de ferro se abriu, uma luz forte invadiu o porão.
Sean viu Ignya encolhida perto dele, e só quando a luz clareou ela se levantou devagar.
"Que bom, vocês estão vivos! Saiam rápido."
O dono já tinha saído primeiro, e Sean puxou Ignya para segui-lo.
Lá fora, não havia mais loja nenhuma. A casa inteira parecia ter sido cortada ao meio, com o teto aberto para o céu, e as paredes de barro ao redor só tinham um metro de altura.
Uau!
Quando isso aconteceu?
O isolamento acústico do porão era tão bom que nem ouviram esse impacto.
Sean saiu...
Na porta, estavam dois jovens da idade dele. Assim que os viram, notaram que tinham atributos de mana, e um deles olhou fixamente para trás de Sean.
"Ignya? O que você está fazendo aqui?" Um dos jovens, de cabelo loiro curto, parecia conhecer Ignya.
"Warren! Como você..."
Vendo a expressão de Ignya, Sean achou que eles se conheciam.
"Eu vim com a Srta. Hammel, claro."
Quando ele mencionou Hammel, Sean olhou de repente para fora, na rua.
Lá, havia mais de uma dúzia de pessoas...
O chão estava coberto de corpos de ratos empilhados, e no meio da multidão, montada a cavalo, estava uma garota que ele já tinha visto.
Aelia Hammel.
Não esperava encontrá-la aqui!