Capítulo 542: Capítulo 542: Por fim, serei rei

Os três não responderam de imediato, mas seus olhares não enganavam ninguém. Ou talvez eles nem se esforçassem para esconder seus pensamentos... Apenas não diziam nada, mas os estados de 【Dúvida!】 e 【Reflexão!】 pairando sobre suas cabeças estavam sempre presentes. — Fiquem tranquilos, na verdade, desta vez também pretendo visitar o imperador de vosso país. Primeiro, para explicar pessoalmente o incidente do diplomata assassinado; segundo, para estabelecer as bases para uma cooperação mais profunda entre nossas nações. — Desde que pisara naquela terra, Sean já alimentava esse pensamento. Afinal, era um país onde um diplomata morrera em Jagon, independentemente de quem fosse o mandante, isso se tornaria o estopim de conflitos entre as duas nações. Pelas palavras dos três, ele já soubera que, desde que a notícia da morte do diplomata de Kesselk chegara ali, o povo nutria queixas contra Jagon. Fora a repressão ativa aos piratas que conseguira conter essa tensão. Lembrava-se de que, há pouco mais de um ano, Bogues iniciara uma guerra contra Bashalan quase sem fundamento. Se fosse em qualquer outro reino com disparidade de forças tão evidente, a guerra já teria estourado... Felizmente, a marinha de Jagon era poderosa, e a distância entre os dois lugares, assim como o clima desértico, não favoreciam um confronto direto entre os dois países. Do contrário, não se saberia o que poderia acontecer. Do ponto de vista temporal, após retornar, Sean percebeu que Kesselk não era tão fraco quanto imaginava. Em certos aspectos, tinha até capacidade de rivalizar com Jagon. Por viver no deserto, as informações que recebia sobre outros países não eram precisas, a menos que visse com os próprios olhos. No entanto, Kesselk enfrentava mais países no continente sul, diferente de Jagon, que era quase imbatível no grande deserto. Ele supunha que o Rei Sol também queria usar a campanha de extermínio dos piratas para apaziguar o conflito entre os dois países! Olhou para Freya ao lado... Ela ouvia a conversa com elegância. Marlo e Miri não ousavam falar; decisões como aquela não eram da alçada deles. Tudo dependia de sua própria determinação. Mas, no olhar de Freya, Sean leu uma aprovação silenciosa, o que significava que ela concordava com seu pensamento. Comparada aos outros, Freya fora membro da Torre dos Magos do Império Bashalan, representando a reserva de magos de elite do país. Sob a tutela do Príncipe Philip, seu julgamento sobre a conjuntura não era inferior ao dele, talvez até superior. Já que ela também concordava, Sean sentiu-se mais confiante. — Garanto, em nome da realeza de Jagon, que a ajuda do Castelo de Yalan a nosso país será lembrada. Quando encontrar o Imperador Ser, mencionarei isso... Espero que o Castelo de Yalan estabeleça relações mais estreitas com nossas cidades, e que isso valha a pena. — Sean, naturalmente, não faria promessas específicas; do contrário, se não conseguisse cumprir, seria uma quebra de palavra. Ele sabia muito bem o que uma cidade desejava... Se fosse ele mesmo, nos tempos da Cidade de Oro, e um nobre do reino vizinho de Melsen viesse a seu território, não perderia a oportunidade de uma boa conversa. O principal era que, ao tomar a iniciativa de prometer, as outras cidades ao redor não teriam do que reclamar. Com benefícios e sem atrair problemas desnecessários, por que não? Ao ouvir a resposta de Sean, o estado de 【Dúvida!】 dos três desapareceu, transformando-se em 【Constrangimento!】... Afinal, todos pensavam a mesma coisa; dizer ou não dizer dava no mesmo. — Agradeço pela generosidade de Vossa Alteza. Faremos o possível para encontrar os marinheiros perdidos de vosso país. — Disse o Conde Barton, sorrindo. O assunto ficou temporariamente resolvido assim. Sean acompanhou os três durante a refeição, ouvindo várias curiosidades locais... Por causa de sua habilidade de visão, Sean não era muito bom nesses eventos sociais. Afinal, ao ver todos com sorrisos falsos e pensando em outras coisas, perdia o interesse em qualquer conversa. No entanto, Freya era impressionante. Não importava o assunto que os três trouxessem, ela sempre encontrava algo para responder. Às vezes, o conhecimento e a visão que demonstrava faziam Lucas e os outros dois administradores da cidade suspirarem de admiração... Claro, esses suspiros eram, em sua maioria, apenas encenação. Na visão de Sean, as emoções dos três raramente eram cativadas pelas palavras de Freya, mas sim por sua presença em si. Após o banquete, Sean ordenou que Miri e Marlo mobilizassem os recursos disponíveis e enviassem soldados para buscar informações... Ele próprio passaria alguns dias no Castelo de Yalan antes de ir à capital de Kesselk. Esperava que, nesses dias, pudesse encontrar Melsusa e os outros, especialmente para visitar a ilha do covil dos piratas. Quanto à sua intenção de ir à capital de Kesselk, os dois não o impediram; pelo contrário, até esperavam que ele fosse. Quanto a encontrar as pessoas, deixariam isso com eles. Após se despedir dos dois, o quarto ficou novamente apenas com Freya e ele. Atrás dele, ouviu-se o som de chá sendo servido. — Quer um pouco de chá para aliviar a bebida? — Não, não bebi muito, e não estou tonto agora. — Talvez sua habilidade tivesse aumentado, Sean sentia que sua resistência física crescera consideravelmente. Mesmo que agora lutasse contra Freya, sem usar o poder dos deuses antigos, não necessariamente perderia. — Está preocupado com aqueles soldados? Sean virou-se para olhá-la. Freya ainda estava com a mesma aparência de antes, com os cabelos ruivos vibrantes e o vestido que só ela conseguia sustentar com sua curva de beleza. Linda, e perfeitamente bela! E em seus olhos, ao olhar para ele, havia um toque de preocupação. — Melsusa é uma das discípulas de minha mãe, e também minha comandante de maior confiança. Ela não pode ter problemas... Não só ela, mas também os outros soldados. — Disse Sean. Se os soldados que ele trouxera fossem aniquilados, o prejuízo para o país seria enorme. — Por isso, sua decisão de ir à capital de Kesselk é ainda mais crucial. — Freya disse de repente. — Hã? Ele a viu colocar a xícara de lado, pegar uma xícara de chá morno e oferecê-la a ele. Seu olhar tinha um pouco de censura, mas não era raiva. — Você, às vezes parece tão visionário, capaz de considerar tudo. Mas, outras vezes, parece tão apegado a fazer tudo sozinho. Sean pegou a xícara e olhou para os belos olhos dela. — Você é o príncipe mais velho! O mais provável herdeiro do trono de Jagon. No entanto, nunca se preparou para isso, preferindo ser um príncipe despreocupado, sem querer disputar o poder com seus irmãos e irmãs... Mas como sabe se eles são os mais adequados? E, além disso, eles podem não querer que você se torne um príncipe despreocupado. — ...Não é só pelas pessoas ao seu redor, mas por todos. Pelo país que sua mãe protegeu com a própria vida! — Freya estendeu a mão e tocou o rosto de Sean. Estava quente. Pelo menos mais quente que o rosto dele... — Uma boa relação com o imperador de Kesselk favorecerá seu futuro. Acho que eles já pensaram nisso, por isso estão se esforçando ao máximo para resolver as outras questões. — Freya sorriu. — Não confie apenas em sua própria capacidade, mas também em seus subordinados. Deixe o resto com eles. Você só precisa fazer o que um príncipe deve fazer. A noite em Kesselk não era nem quente nem fria, mas, após o banquete, Sean sentiu um certo calor. Freya observou Sean, que parecia refletir... Com um pouco de timidez, ela simplesmente tirou a capa primeiro.