Olhando na direção apontada pelo artefato mágico, era o fundo da rua do mercado de flores e pássaros.
— Vamos! Dar uma olhada. — Hum. — Igniya assentiu.
Os dois seguiram a orientação do artefato mágico, que parecia uma agulha de bússola fixa no mesmo lugar, sem se mover, não importava para onde andassem. Em alguns pontos, por causa de construções bloqueando o caminho, só podiam contornar, mas a direção não podia mudar.
— Depressa, já estamos perto.
Igniya estava animada, mesmo vestindo uma jaqueta de couro justa, puxava Sean para correr.
— Deve estar por perto! — disse ela, olhando para o artefato na mão.
No entanto, Sean não se mostrava tão empolgado. Desde que ela mencionara ir até o esgoto, uma sombra persistente assombrava sua mente, relacionada ao sonho que tivera na noite anterior. Aqueles olhos de animal que habitavam o fundo escuro e o fosso fedorento.
— Igniya. — Ele a chamou de repente.
— O que foi?
Os dois pararam de repente, e Igniya olhou para ele com curiosidade.
— E se... o monstro for mais perigoso? E ainda por cima no esgoto. Será que não devemos nos preparar? — Sean não sabia explicar direito, pois só tinha a sensação de uma imagem, mas achava melhor ser cauteloso.
— Sem problemas, estou com as coisas.
Igniya não ligou a mínima, curvou-se e deu um tapinha na pequena bolsa na cintura, dizendo.
Já que ela estava preparada, Sean não disse mais nada. Os dois seguiram a orientação do mercado de flores e pássaros até perto da muralha da cidade, de onde já se avistava a alta parede de Koga. Ao redor, não havia mais lojas abertas, quase todas as casas estavam fechadas, e até as varandas na entrada estavam cheias de mato...
No planejamento inicial da cidade, certamente haviam colocado construções por toda parte, mas não consideraram o fluxo de pessoas. Em lugares tão remotos, quase não havia clientes, e as lojas ali só serviam de enfeite.
Além das lojas fechadas, perto do canal havia uma grande depressão. Uma entrada construída como se fosse o túmulo de um nobre...
Aquela devia ser a tal entrada do esgoto.
— É ali? — perguntou Sean.
— Hum, espera um pouco. — Ela começou a tirar um pequeno pacote da bolsa, e os dois foram até a entrada do esgoto. A escadaria também era de pedra, a parte externa ainda dava para o gasto, mas quanto mais desciam, mais escuro e sujo ficava o caminho. Mesmo parados na boca do buraco, já sentiam o fedor.
Sean não se importava, mas não sabia como a garota ao lado estava. Ele olhou para ela, sem expressão no rosto, nem mudança de emoção. Igniya era realmente impressionante; desde ontem, quando a viu remexendo no lixo, ele já achava que ela não era comum. Além do temperamento, tinha uma mente forte, era do tipo persistente para alcançar objetivos.
Ele a viu abrir o pacote que trouxera, pegar uma parte e desenhar um círculo no chão... Não só um, mas vários círculos entrelaçados, um dentro do outro. Sean tocou um pouco do pó no chão com o dedo...
— Não mexe, senão vou ter que refazer. — disse Igniya.
No dedo dele, apareceu o nome do item: [Pó Atraente de Demônios].
— Pó de demônio?
— Quem diria que você tem tanto conhecimento. Vou usar isso para atrair a besta mágica escondida lá dentro. — Ela colocou o artefato de água no chão, e as duas gotas apontavam para a entrada do esgoto. Olhando mais para trás, era a parte externa da muralha, impossível ser ali, então devia ser aqui mesmo.
Igniya segurava o pó mágico e murmurava um feitiço...
Aos olhos de Sean, o nome da magia que ela lançava apareceu sobre a cabeça dela.
[Exploração~]
Era magia de exploração de novo. Depois de alguns segundos de carregamento, o efeito ficou pairando sobre a cabeça dela, igual quando a vira pela primeira vez ontem.
Em seguida, veio outra magia, desta vez [Indução~], espalhando o pó mágico para dentro do esgoto. Como se estivesse jogando pó de ouro, a poeira brilhante sob o sol caía no esgoto, e o restante formava uma trilha pelos degraus até o centro dos círculos desenhados. Uma armadilha mágica estava pronta.
— Vamos para outro lugar, daqui a pouco ele será atraído. — Igniya, animada, empurrou Sean para encontrar um esconderijo.
Por sorte, ali perto havia muitas lojas fechadas, e os barracos de madeira na frente podiam ser usados como abrigo com um pequeno ajuste.
— Quanto tempo vamos esperar?
— Não deve demorar. O alquimista que me vendeu o pó disse que é o melhor material, qualquer besta mágica será atraída pelo cheiro.
Então era isso!
Sean olhou para o que estava no centro do círculo mágico distante.
Nesse momento, ouviu-se um barulho de animais chiando...
Baixo, mas parecia ser muitos.
— Ouviu? Sean. — Igniya, feliz, bateu no braço de Sean.
— Cala a boca! Fica quieta e espera... — Sean disse de repente, fazendo-a se calar.
O som era confuso, vindo do esgoto, e parecia alto. Quando se aproximou, lembrava o chiado de ratos, muitos ratos juntos.
— Essa coisa atrai animais comuns também? — perguntou Sean.
— Eu... não sei. O alquimista não falou nada disso.
Igniya, provavelmente entendendo o que estava sendo atraído, olhou para Sean com um pouco de pânico.
Mas já era tarde para falar isso; o som aumentava e já estava saindo da boca do esgoto.
Sss...
Sean sentiu o couro cabeludo formigar.
Nunca vira tantos ratos ao mesmo tempo, todos amontoados, sem se separar, uma visão ao mesmo tempo impressionante e nojenta. Alguns estavam cobertos de líquido, molhados, seguindo o caminho que Igniya traçara até o círculo mágico...
— O que acontece se o círculo mágico for ativado? — Sean perguntou à garota ao lado.
— Vai... criar uma armadilha de desmaio.
Antes que os dois pudessem reagir, outro enorme grupo de ratos saiu lentamente. Desta vez, o grupo era do tamanho de um boi. Ratos podiam se amontoar tanto assim?
No meio dos ratos chiando, Sean viu outra coisa.
Tinha um nome.
No centro do grupo de ratos... um grande nome vermelho.
Boom!
O primeiro grupo de ratos já havia chegado ao centro do círculo mágico. Quando começaram a rasgar o pó mágico, a explosão veio de repente. Como pisar em uma mina terrestre.
A armadilha mágica era para capturar bestas mágicas; esses bichinhos comuns não aguentavam o tranco, foram despedaçados pela armadilha.
Rugido~
O rato gigante soltou um grito furioso.
[Fúria~]
— Vamos!
O primeiro instinto de Sean foi puxar Igniya e correr.