A sede nacional dos alquimistas.
Localizada no acampamento do Marechal Hogheim, Rorschach e Riche foram temporariamente detidos numa sala de espera por soldados em serviço de rotina... Desde a manhã, ninguém veio procurá-los, como se tivessem sido esquecidos!
A sala de espera escura era relativamente limpa, apenas com um pouco de poeira por falta de limpeza ao longo dos anos, mas para os dois, que frequentemente trabalhavam em campo, isso não era nada.
Pelo menos era melhor do que acampar ao ar livre, e mesmo à noite não havia perigo!
Na escuridão, só havia o luar...
Rorschach raramente ficava trancado no mesmo cômodo que Riche. Pensando bem, embora o ambiente fosse desconfortável, ele se sentia um pouco feliz por dentro!
E Riche, por algum motivo, ficava sentada num canto sem falar nada. Estava escuro demais para ver sua expressão naquele momento, apenas um contorno vago revelava sua silhueta.
"Tosse!"
O clima estava estranho, e Rorschach pensou em puxar algum assunto para conversar.
Embora os dois tivessem contado o que aconteceu no povoado do pântano, misturando meias-verdades conforme o método do mentor Kordell, não era exatamente mentira. Afinal, não sabiam se Okham estava realmente morto. Se estivesse, tudo o que disseram era verdade, e não importava como investigassem, só chegariam a essa conclusão.
Mas a acusação de negligência ainda existia, e agora só restava esperar pela punição!
"Desculpe por te arrastar para isso comigo. Se eu tivesse deixado você ir com o mentor, teria sido melhor." Rorschach não sabia o que dizer, então só podia culpar a si mesmo.
"Você acha que o mentor concordaria? Ninguém podia prever isso. Não se preocupe, e eu não sou uma mocinha que não aguenta sofrimento." Na escuridão, Riche finalmente se levantou para falar.
Heh~
Rorschach não sabia o que dizer por um momento.
Parecia que, ao longo dos anos, o que ele admirava e amava era exatamente essa Riche...
"Na verdade..."
"Hã?"
Ele começou a falar, mas parou no meio, sem coragem de continuar.
"O que foi?"
"Nada!" Respondeu de forma cortante.
Não sabia por que, mas Rorschach sempre tinha receio de se aproximar demais de Riche. Embora no fundo desejasse estar perto, toda vez que tentava se aproximar, algo dentro dele dizia: não pode!
Afinal, Riche era a senhorita da família Christian. Mesmo que ele tivesse o título de discípulo do mentor Kordell, ainda era muito insignificante diante de uma grande família. Quem merecia Riche eram os jovens das grandes nobrezas; ele só precisava poder observá-la de longe.
"Tem certeza de que não é nada?"
Riche se aproximou, mas ele deu um passo para trás...
"É nada. Puxa, será que eles vão demorar muito para verificar? Não podem nos prender para sempre."
"Na verdade, não tem problema."
"Hã?"
A voz era baixa, mas Rorschach a ouviu. Olhou para a silhueta na escuridão.
Estava escuro demais para ver a expressão de Riche naquele momento.
Ele interpretou como se ela estivesse dizendo para não se preocupar com a situação atual!
Então foi até um lugar onde podia sentar, fechou os olhos... Às vezes, as palavras que mais importavam eram ouvidas com mais clareza, mas ele não queria, ou não ousava, ouvi-las.
Naquele momento, ao longe, ouviu-se o som de uma tropa se aproximando.
"Alguém está vindo, Rorschach."
Os dois se levantaram e olharam. Na distância da sala de espera, tochas de fogo se aproximavam na escuridão.
"Vocês finalmente chegaram. Já explicamos tudo o que sabemos. Podemos ver o mentor Kordell?" Os que chegavam eram um grupo de alquimistas da capital. Nenhum dos lados se conhecia.
Rorschach e Riche, que raramente apareciam na capital, talvez tivessem alguma fama em Lewis City, mas no centro do império não tinham influência alguma.
Os recém-chegados não deram atenção às palavras de Rorschach e olharam para Riche ao lado...
"Você é Riche Christian?"
"Sou eu."
"Então venha conosco." Disse o líder do lado de fora, sem expressão.
"O que vocês querem dizer com isso?"
"É para ver o mentor Kordell? Ou o Marechal Hogheim?" Riche perguntou curiosa.
Parecia que só queriam que ela saísse, sem explicar o motivo.
"Saia quando mandarem, não tem tanto 'por quê'... Você deveria agradecer por ter uma boa família, senão não se sabe onde estaria agora!" Disse o alquimista do lado de fora.
O quê!
Mesmo sem palavras diretas, Rorschach e Riche entenderam o significado.
Riche devia estar sendo chamada pela família Christian. Então por que ainda não a soltavam?
"O que vocês querem de nós? Só estamos cumprindo o dever de relatar o serviço. Embora a morte de Okham seja nossa negligência, pela lei nacional não deveríamos estar detidos. Quero ver o Marechal Hogheim!"
"O que é esse barulho todo tarde da noite? Se não fosse o Marquês Christian ter se esforçado tanto para pedir que te tirássemos daqui, nem nos importaríamos. Saia logo!"
"Não vou. A menos que o mentor Kordell ou o Marechal Hogheim venham, não saio." Riche decidiu não se mover.
"Você não vai sair?"
"Não vou."
Os do lado de fora pareciam perder a paciência.
Afinal, embora o marquês tivesse alta posição, eles eram subordinados do marechal. Mesmo um grande nobre não podia mandar neles.
"Está bem, então você vai continuar presa aí."
Eles iam sair, mas Rorschach os impediu.
"Esperem..." Ele se virou para Riche.
"Riche, saia primeiro. Só você saindo pode avisar o mentor e os outros. Talvez tenha algo errado no meio. Mesmo que eu fique preso, não mereço a morte. Mas se você sair, teremos chance de pedir clemência ao marechal. No pior dos casos, podemos chamar o Mestre Shon e os outros para esclarecer. Então você precisa sair." Rorschach disse firmemente.
"Mas você!"
"Eu fico bem. Você é da família Christian, pode circular melhor na capital do que eu. Sair é a melhor escolha."
Na situação atual, não dava para pensar muito. Riche achou que ele tinha razão. Só saindo e chamando o mentor e os outros poderia salvar Rorschach.
"Tudo bem, então espere aqui... Eu voltarei."
"Sim, espero por você."
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Na manhã seguinte, Shon e Ayla acordaram um pouco mais tarde.
As servas do palácio de Kesselk só vieram chamá-los perto do meio-dia, provavelmente sabendo que tinham bebido muito no jantar da noite anterior e não conseguiriam comer nada de manhã. Serviram um mingau de carne levemente salgado, mas mal sentiram o gosto.
Depois de comer, foram chamados por guardas do palácio, dizendo que o Imperador Williams queria falar com eles.
Ayla achou que era sobre a placa de pedra, então apressou Shon a ir com ela ao palácio...
Afinal, o objetivo dos dois era exatamente aquilo. E depois de ouvir o relato de Ayla na noite anterior, Shon achou o tal "verdade" ainda mais assustadora. Mesmo em linhas do tempo diferentes, ele queria entender esses deuses antigos desconhecidos. Acreditava que, com seus dois poderes, não seria eliminado de imediato.
Quando chegaram ao grande salão, muitos ministros já estavam reunidos, e os três elementos estavam de cada lado, esperando.
"Imperador." Ayla fez uma reverência respeitosa.
"Honrada Senhora Khalifa, não precisa de tanta formalidade. Chamamos vocês porque o Grande Alquimista tem algo a dizer."
Ele olhou para o Onisciente Meredith ao lado...
"Senhora Khalifa, sobre aquelas placas antigas que a senhora mencionou ontem, fui procurar e as encontrei."
"Que ótimo." Ayla ficou animada.
"Mas..." A mudança de tom fez Shon ficar alerta.
"Encontrei, sim, mas espero que a senhora nos ajude com um pequeno favor. A senhora deve ter ouvido falar da doença grave da Princesa Leticia. Queremos contar com o poder da senhora para ajudar a curar a pequena princesa."