À noite, no acampamento dos alquimistas, uma fogueira foi acesa… Um grupo de pessoas estava sentado em volta.
Rosha olhou para a lata de ensopado já cozida e se preparou para pegá-la. Estava muito quente, difícil de segurar. Diretamente do chão, pegou um punhado de terra, e com um lampejo do círculo alquímico em sua mão, um cabo de cerâmica apareceu, perfeito para levantar a lata… e imediatamente a entregou a Riquier, que estava atrás dele. "Já está pronto, Riquier. Cuidado! Está um pouco quente." "Hum, obrigada!" Riquier assentiu e, do metal compacto que carregava consigo, retirou um pedaço. [Prata] Com um clarão elétrico, duas colheres pequenas foram forjadas. "Aqui…" Ela entregou uma a Rosha.
"A propósito, mandou alguém levar comida ao prisioneiro?" Ela perguntou de repente, lembrando-se.
Desde que decidiram enviar o sujeito para a capital imperial, o tratamento com o prisioneiro Ockham mudou muito. Os dois não o interrogavam mais e, em vez disso, enviavam comida e remédios todos os dias para que ele recuperasse um pouco as forças. Além disso, abriam a claraboia da masmorra diariamente para que ele visse o sol, ajudando a restaurar seus hábitos fisiológicos. Mas, alguns dias antes da partida, eles o deixariam com fome novamente, dando-lhe apenas um pouco de comida por dia. O objetivo era mantê-lo insatisfeito, para que, durante o transporte, ele ficasse quieto na cela da carruagem, sem tentar fugir.
"Já mandei alguém levar, como de costume: um pão e algumas folhas de verdura, nada demais. Caso contrário, depois da refeição, darei uma olhada pessoalmente." Rosha disse, sentado em frente a Riquier.
Segurando a lata quente de carne ensopada, ele observava Riquier comer. Parecia que, desde que começaram a estudar alquimia, os dois sempre se sentavam assim, frente a frente. Riquier nascera na poderosa família Cristian, da capital imperial — uma verdadeira dama da nobreza —, enquanto ele vinha de uma família comum de artesãos… Embora não fosse o mais pobre entre os plebeus da cidadezinha, estava muito longe de se comparar a uma nobre da capital. Foi com muitos anos de esforço que ele conseguiu que o famoso grão-alquimista, Mestre Kordell, o aceitasse como discípulo. Naquela época, Riquier já estava lá; na verdade, ela era sua irmã mais velha na arte e quase uma mentora…
No ambiente em que Rosha cresceu, seus companheiros sempre lhe diziam como os nobres desprezavam os outros, como eram luxuosos e exploravam os plebeus. Enfim, para o povo comum, os nobres não gozavam de muita simpatia. Mas o engraçado é que tudo isso era dito apenas pelas costas. Quando um nobre de verdade aparecia, eles corriam para bajulá-lo e apoiá-lo… Não importa como se olhe, nobres e plebeus têm uma separação inata de classe.
No entanto, depois de conhecer Riquier, Rosha passou a ter uma visão diferente deles… Comparado a ele, Riquier não era menos dedicada do que ninguém; na verdade, era ainda mais esforçada do que ele, que carregava o rótulo de "aluno aplicado" há mais de dez anos. Isso era algo que Rosha jamais imaginara antes: uma nobre — que muitos diziam ser apenas alguém que comia, bebia e se divertia — estudar alquimia com tanta seriedade. Antes disso, ele nem ousava pensar nisso.
E justamente por Riquier ser tão dedicada e bonita, Rosha sempre gostou de estar perto dela… Sentia que, simplesmente estando ao lado dela, já estava bem. Olhar para ela, ao menos ser quem mais a via!
De repente, os olhos à sua frente se ergueram… A noite era fria, e depois de comer um pouco de ensopado, o rosto dela ficou todo corado. Riquier levantou a cabeça e viu Rosha parado, segurando a lata imóvel. "O que foi, Rosha? Come logo… senão vai esfriar." Ela disse, sorrindo.
Aquele sorriso tinha um efeito curador. Claro, talvez só Rosha pensasse assim… Mas isso não importava! "Ah, haha." Ele riu sem jeito, mas parou de repente. "O quê?" "É…" "Fala logo. Entre nós, há algo que não possa ser dito?" Riquier arregalou os olhos para ele. Os dois estavam juntos há quatro ou cinco anos, aprendendo com o Mestre Kordell. Da capital imperial até a cidade de Lewis, eram eles que praticamente administravam toda a guilda dos alquimistas. Não havia segredos entre eles… "Bem…" "Ah, não é nada sério. Só me lembrei de repente… Naquele dia, você foi passear com o Mestre Shaw?" Não sei por quê, nem mesmo ao dizer isso ele sabia por que perguntava, mas Rosha queria muito saber. Embora no fundo soubesse que a resposta poderia não ser a que queria ouvir… Se não fosse por esse clima, ele não teria coragem de perguntar. "Não é nada, deixa pra lá, não precisa se importar." "Eu só levei a pequena Lucille para comprar algumas coisas." "Hum?" "Ouvi dizer que ela era uma criança trabalhadora em um navio de carga, raramente descia. Vi que o corpo dela tinha muitas marcas de surras… então quis comprar algo para ela. Não foi nada além disso." Riquier parou e murmurou.
Na verdade, Riquier não era insensível; só não queria tocar no assunto. A relação dos dois estava no melhor momento possível… "Entendi." A resposta era tão simples, mas no coração de Rosha foi como se uma grande pedra tivesse sido removida, trazendo alívio. "Não fique pensando demais. O mais importante para nós é levar Ockham em segurança até a capital imperial." Riquier disse, olhando para ele com um ar de repreensão. "Sim, sim! Certo." "A propósito, você investigou os feitos de Ockham?" De repente, Riquier perguntou, curiosa. "Que feitos? O fato de ele ser um criminoso nacional?" "Sim. Depois, pesquisei um pouco sobre Ockham e descobri que ele parecia morar na capital imperial. E a história sobre o assassinato no sul parecia meio forçada. Além disso, as instruções que o mestre sempre nos deu parecem estar relacionadas aos alquimistas do departamento nacional…" "Ele roubou?" Rosha a viu balançar a cabeça. "Isso eu não sei. Talvez a capital imperial queira que o enviemos de volta por isso. O Marechal Hogheim certamente o interrogará pessoalmente." "De qualquer forma, o que tínhamos que fazer já acabou. Basta entregá-lo em segurança!"
Agora, só restava essa tarefa. ……………………
Os dois conversavam sem perceber que, na grama distante, olhos os observavam o tempo todo. Na moita, três pessoas esperavam ansiosamente… "Não esperava que o Rosha e a Riquier Cristian não fossem embora. Achei que pelo menos descansariam na taverna. Se eles ficarem vigiando assim, não teremos chance de agir." "O que fazemos, capitão? Ficar esperando assim é desvantajoso para nós." Os dois atrás esperavam a resposta de Saroyan. "Aquele na taverna é o nobre, não é? Vocês acham que temos chance de sequestrá-lo para afastar o Rosha e a Riquier?" Saroyan pensou na única saída.