Neste momento, caminhando pela King's Road, Sean ainda estava imerso em seus próprios pensamentos.
Com base em seu julgamento, Oakham provavelmente não ficaria preso por muito tempo... afinal, já fazia mais de um mês. Se demorasse demais, nem mesmo o marechal acima de Kordell conseguiria calar tantas bocas.
Além disso, publicamente Oakham ainda era um fugitivo. Se fosse capturado, teria que ser levado à capital para julgamento e execução para apaziguar a ira popular.
Para resgatá-lo, seria necessário agir durante o trajeto até a capital.
"Mestre, venha ver..."
Enquanto Sean pensava, Lucille o chamou novamente.
"O que foi?"
"Venha ver isso... que lindo." A pequena mão apontava para um adorno especial exposto na loja.
Parecia algo do mar, mas era um tipo de pedra colorida, translúcida e brilhante, realmente chamativa sob o sol.
"Isso é uma pedra comum que se encontra na praia, mas é bonita. Se a irmãzinha Lucille gostar, podemos comprar uma," disse Riquelme ao lado.
Durante esse tempo, Sean notou que Riquelme gostava muito da garotinha, mas achava que ela apreciava mais a pureza de espírito da menina. De qualquer forma, sempre que faziam algo, levavam Lucille junto.
Às vezes, se não fosse pela presença de Sean impedindo Lucille de sair correndo, parecia que ele não veria as duas o dia inteiro...
A garotinha, animada, pegou um enfeite comum da banca.
O lojista, ao notar o uniforme de alquimista nacional de Riquelme e as roupas de Sean, começou a apresentar os produtos com um sorriso [animado], tirando vários itens do fundo do estoque.
"Fica bonito, mestre?"
A garotinha colocou no pulso uma pulseira de contas azuis como cristal, mostrando para ele.
"Não está mal. Você gostou?"
A garotinha ficou em silêncio por um momento, sem responder.
Nessa idade, era melhor contê-la um pouco. Afinal, antes não tinha orientação de adultos, e de repente sua posição mudou tão rápido, ganhando tanto respeito e apoio. Se não desse um jeito em Lucille, ela poderia realmente se tornar uma bruxa infame no futuro... Claro, vinte anos depois, ela já era.
Mas, pelo menos aos olhos de Sean, ela não era má. Caso contrário, não o teria ajudado a eliminar o Círculo de Bruxos naquela cidadezinha. Lembrando que, vinte anos atrás, o Círculo de Bruxos já era uma organização muito poderosa.
"Se não for útil, não precisa usar essas coisas. Só vai te distrair dos estudos."
"Ah~"
A garotinha assentiu, tirou a pulseira imediatamente e a colocou de volta.
"São apenas algumas pulseiras, Mestre Sean. Não precisa ser tão rigoroso," disse Riquelme, vendo Lucille um pouco desanimada, tentando interceder.
"É verdade, essas coisas não são caras. Por que o senhor não dá uma para a menina... Olha, e este colar! Dizem que é feito de cristal azul do mar profundo, que não muda por décadas e ainda ajuda na beleza da pele."
Puxa, não importa a época, sempre tem esse tipo de golpe.
Sean já ia começar a xingar, mas parou ao ver o colar à sua frente.
Azul,
Um pingente transparente como uma gota d'água. Era exatamente o mesmo pingente que viu na primeira vez que encontrou Lucille adulta.
"E aí? Bonito, não?" O lojista colocou o colar diretamente na mão de Sean.
"Então... quanto custa isso?"
............................
Quando voltaram à sede dos alquimistas, já era tarde da tarde.
Na entrada, encontraram Rosha...
A expressão dele ao saber que Sean tinha ido às compras com Riquelme foi muito engraçada. Parece que o rapaz realmente gosta de Riquelme, mas não tem coragem de dizer... e ainda fica prestando atenção nela.
Lembra alguém?
Na cabeça de Sean, surgiu instantaneamente a imagem de Luke na época. Luke e Esmeralda pareciam ser assim, não?
Não, na verdade, lá era amor correspondido; aqui é só paixão unilateral.
Nos dias seguintes, a rotina voltou ao normal...
Até Oakham ser enviado de volta, Sean provavelmente não faria nada. Além disso, sua "mãe" tinha aparecido na cidade, e ele esperava evitar as ações dela.
Como "filho" dela, instintivamente não queria que ela interferisse em seus planos. Afinal, o Livro dos Mortos não era algo para compartilhar. Se Aila tivesse contato com ele nesse momento, Sean não conseguiria prever se a história seguiria o curso "determinado".
Yog-Sothoth disse que apenas os Três Deuses Primordiais, que representam as regras e a vontade do mundo, podem definir as próprias regras, ou seja, transcender o tempo e as regras.
Se estivesse relacionado a eles, Sean temia que sua identidade pudesse dar problema... Evitar era a melhor opção.
Os dias passavam. Nos encontros noturnos com Oakham, Sean percebeu que ele não estava mais sendo torturado. Em vez disso, estavam tratando seus ferimentos e dando-lhe carne, provavelmente para recuperar suas forças.
Isso significava que a hora da partida estava próxima.
Para acompanhar os alquimistas até a capital de forma natural, Sean, durante um jantar, disse que queria visitar a capital, especialmente para conhecer os famosos membros do Círculo de Bruxos do sul do continente, na esperança de obter alguma orientação deles.
Visitas entre mestres bruxos eram comuns. Depois de mais de um mês de convivência, Sean já havia conquistado a confiança da sede dos alquimistas em Lewis City, pelo menos a simpatia geral tinha aumentado um nível.
Então, quando ele fez o pedido, Kordell não recusou.
"Ter o Mestre Sean conosco na escolta do fugitivo é uma honra. Eu já estava preocupado que meus dois aprendizes não conseguissem completar a tarefa sozinhos. Com sua ajuda, seria perfeito."
"O senhor não vai, Sr. Kordell?"
Foi uma surpresa.
O líder da equipe decidiu não ir. Sean já tinha preparado um plano para lidar com ele, e de repente ele não estava mais?
"Não vou. Tenho outras tarefas para cumprir... A capital enviou uma missão de repente, e só eu posso fazê-la. Então, peço ao Mestre Sean que cuide da escolta do fugitivo."
"É o mínimo. Passei tantos dias aqui comendo e bebendo de graça. Ajudar nisso é minha obrigação."
Sean percebeu pelo estado de Kordell que ele parecia preocupado, especialmente quando mencionou a outra tarefa...
Mas, naquele momento, Sean não tinha energia para se importar com isso.
Qual país não tem seus segredos? Deixa eles se virarem.
O que Sean queria era apenas o segredo do Livro dos Mortos.
À noite,
Sean usou novamente um pequeno animal para entrar na masmorra e encontrar Oakham.
"Prepare-se. Daqui a pouco, eles vão te levar para a capital... Vou fazer os arranjos durante o trajeto."
Ao ouvir que poderia sair, Oakham se animou instantaneamente, como se tivesse ressuscitado.
"Sem problemas, senhor. Vou cooperar. Mas onde vamos agir?"
Isso pegou Sean de surpresa. Ele realmente não sabia onde, no caminho de Lewis City até a capital, poderia fazer algo.
"Já tenho vários lugares planejados. Depende da situação daqui. Onde você se sente mais familiarizado?" Sean devolveu a pergunta.
"Vila de Gimo, cercada por água por todos os lados... É o lugar que conheço melhor!"