Lucille tinha um pouco de dinheiro, como se o capitão do navio tivesse acertado as contas com ela de uma vez quando ela saiu da tripulação, dizendo que era o pagamento pelo trabalho dela a bordo ao longo dos anos.
Mas que pagamento uma criança trabalhadora teria? Provavelmente deram por consideração a mim.
Na época, Sean, para evitar problemas, deu um pequeno saco de moedas de ouro para eles, e acho que não ousaram aceitar e devolveram de outra forma para Lucille...
Nos primeiros dias, Lucille não queria mostrar, até que uma vez, ao entardecer, fui ao quarto dela e vi.
"Tudo bem, vamos dar uma volta!"
Sean, claro, concordou.
Os alquimistas nacionais de Kessel também eram uma fonte de informações que eu queria buscar; eles podiam saber tanto quanto Ockham, especialmente sobre hereges, onde ousavam mais. Essas relações, Sean mantinha com cuidado.
Os três saíram juntos da sede dos alquimistas. Desta vez, Rorschach não parece ter vindo, afinal, Rachel já estava lá.
………………
As ruas de Lewis City não eram tão movimentadas quanto as de Jagon, mas eram melhores do que as de Oro City, onde eu estava antes.
Talvez por ser uma cidade portuária.
Mas hoje, estava realmente animado...
"Normalmente não tem tanta gente nesta cidade."
"Claro que não, só fica assim quando chegam caravanas estrangeiras... O povo de Kessel, por causa da alquimia dominar as principais forças de pesquisa e combate do país, é mais conservador na extração de recursos e produção. A maioria das novidades vem de Zumbartal e Edak."
Sean pensou cuidadosamente nos tributos que Kessel daria ao Rei Sol vinte anos depois.
Para falar a verdade.
Além da Pedra da Alquimia e do Vinho da Imortalidade, que eram impressionantes, o resto era comum, até mesmo em Edak se podia fazer.
"A propósito, Rachel... Nos últimos dias, tenho visto vocês, alquimistas, praticando na sede. Tenho uma curiosidade que gostaria de consultar."
Os dois na frente pararam de repente.
"Mestre Sean tem alguma curiosidade? É sobre alquimia?"
"Mais ou menos. Ouço frequentemente em seus ensinamentos o princípio da troca equivalente, como os metais que você usa, que precisam existir para serem transmutados. Será que existe uma alquimia que não precise desse método, capaz de transformar ferro em ouro e prata?"
Vinte anos depois, a Pedra da Alquimia de Kessel tinha essa propriedade. Sean queria ver se nessa época eles já a dominavam.
O rosto de Rachel ficou sério de repente.
"Isso é uma suposição do Mestre Sean?"
"É preciso ter curiosidade, não é? Se a feitiçaria pode criar algo, será que na alquimia também se consegue?"
Nesse momento, os três ainda andavam pela rua...
Já estavam se aproximando da área do porto. Perto do Porto de Lewis, havia uma rua movimentada, a Avenida do Rei.
Um mês atrás, quando cheguei, comprei roupas lá, e aqueles comerciantes pareciam fazer negócios naquela região, sendo praticamente um centro de comércio de mercadorias. Naturalmente, havia muita gente, então, embora Rachel estivesse com uma expressão séria, falava normalmente.
"Esse tipo de coisa é considerado heresia por muitos alquimistas. Para obter algo, é preciso pagar o preço correspondente... Há muitos anos, alguns alquimistas buscam a chamada 'verdade'. Se conseguissem um conhecimento mais elevado, será que obteriam um método sem custo? Mas, ao longo dos anos, ninguém realmente conseguiu. Buscar isso já é irreal, mas ainda assim há quem insista." Rachel mostrou uma expressão de repulsa.
Mas Sean conseguia ver algo diferente no topo da cabeça dela.
Realmente, ainda há quem continue essa pesquisa... E com certeza há alguém, senão, vinte anos depois, não teria aparecido diante de mim.
Eu deveria ter a Pedra da Alquimia na minha bolsa, mas a perdi depois de usá-la algumas vezes na luta contra o seguidor do deus antigo, Beckman!
Ainda bem que perdi, senão, aparecer nessa época poderia se tornar um gatilho para o futuro...
Para a conversa dos dois, Lucille, naquela idade, não entendia muito, apenas achava que podia ser algo ruim, então mudou de assunto rapidamente.
"Mestre, irmã Rachel, olhem..." Ela apontou de repente para os tecidos carregados em uma carroça distante.
O véu branco era claramente um produto de Edak.
"Vamos lá ver." Disse, puxando a mão de Rachel e correndo na frente, enquanto Sean seguia devagar atrás.
Era realmente mercadoria trazida por uma grande caravana. Toda a Avenida do Rei estava movimentada.
Lembrei que elas disseram que essa frota de navios vinha de Jagon. Nessa época, o Porto de Dansu ainda era um país independente, então deveria ser uma caravana do Porto dos Cervos... Parece que, vinte anos atrás, Jagon já mostrava sinais de recuperação. Com um comércio exterior tão grande, não é à toa que depois ficou tão rico.
"Senhor Sean!!"
Nesse momento, uma voz chamou Sean.
Havia muita gente na rua, e Sean, com sua aparência elegante, já chamava atenção. A menos que fosse um aviso de perigo, ele não olhava.
Virando-se, viu à sua frente o comerciante viajante Lucas, que encontrara no navio.
"Lucas? Você ainda está na cidade? Pensei que já tivesse partido!"
Comerciantes viajantes não têm lojas fixas; quase sempre vendem as mercadorias e partem para comprar novas no próximo destino.
Claro, Sean não entendia do ramo e pensava assim... Mas todos os comerciantes viajantes que conhecia eram assim.
"Ha... é, as Edies já partiram, eu..." Ele olhou cuidadosamente ao redor.
"Fiquei porque recebi uma informação interna de que logo chegaria um navio de carga de Jagon."
Sean olhou para ele com interesse.
Esse cara...
Tem uma rede de contatos bem forte.
Saber até disso!
"Entendi. Então você vai comprar mais mercadorias e partir?"
"Sim, os produtos de Jagon, especialmente as sedas, são muito populares nos países do sul. Quero comprar algumas para testar." Um comerciante precisa não só de estabilidade, mas também de ousadia.
Parece que Lucas estava disposto a arriscar!
"Então, boa sorte." Disse Sean.
Os dois tiveram contato apenas durante os dias no navio. Comerciantes viajantes têm uma rede social ampla, mas raramente se aprofundam.
Algumas palavras sobre a vida cotidiana, e cada um segue seu caminho.
Essa é a relação mais comum...
"Obrigado, Mestre Sean."
Enquanto ainda conversavam, duas pessoas saíram de repente de uma loja ao lado.
"Essas mercadorias são suficientes, Sr. Lucas?"
Sean olhou curioso para elas...
Uau~
Uma aura natural chamou sua atenção. Da loja saíram duas mulheres, usando colares de cristal típicos de Edak, com olhos brilhantes e dentes alvos, parecendo ter uns vinte e poucos anos, ou talvez trinta, pois o olhar mostrava o charme peculiar de uma mulher madura.
Corpo esbelto, cada sorriso e movimento transmitiam uma presença forte. O que mais impressionou Sean foi o valor que aparecia sobre a cabeça delas.
[Vida, Magia] [Grau de Afinidade: Amigável] [Poder de Combate: 9800] [Liderança nata, talento mágico elevado, coração firme e idealista, política com meios, bondosa com os outros!]
Ao ver Sean, ela também hesitou por um momento.
Depois, sorriu e cumprimentou, enquanto a que estava atrás parecia ser uma senhora idosa, sem muita habilidade, provavelmente contratada temporariamente.
Lucas olhou para os dois com curiosidade...
"Ora, lembro que o Mestre Sean também é de Edak, não é? Não é à toa que vocês têm traços faciais parecidos."
Pois é!
Caramba~
Sean praguejou internamente.
Ao ver essa descrição, já desconfiava, e ao olhar nos olhos dela, confirmou ainda mais.
"Olá, senhora. Meu nome é... Sean..."
Só desta vez, Sean jurou que só desta vez não ousou dizer o nome.
"Olá, meu nome é Yira." Foi ela quem falou primeiro.
Ayira!
Essa era a mãe deste corpo...
Ayira·Izydihar.
A imperatriz de Jagon!