Quando Esmeralda não estava presente, Clóvis sempre se referia a si mesmo como "irmão mais velho", e essa era uma relação que Sean aceitava como padrão. Toda vez que precisava usar um título ou tratamento respeitoso, a vida ali parecia estranha—afinal, era a casa dos outros, e ele era apenas um hóspede temporário, então não precisava carregar esses hábitos.
"Foi enviado pelo mercado comercial?" "Sim, chegou há pouco tempo." Clóvis assentiu e, de uma caixa atrás de si, tirou uma carta ainda com o selo intacto.
Normalmente, a Loja de Armas Scoville não tinha muitos clientes—na verdade, pouquíssimos—e muitas vezes atendia apenas clientes antigos. Segundo o que Clóvis dissera antes, não havia problema se vendessem algo só depois de vários dias; o preço médio de um mosquete era superior a 200 moedas de ouro, e embora a pólvora e as balas fossem mais baratas, pedidos em grande quantidade chegavam a centenas de moedas de ouro.
A margem de lucro das armas de fogo era muito alta. Mesmo que vendessem apenas três ou quatro por mês, a renda já chegava a setecentas ou oitocentas moedas de ouro, superando em muito o custo várias vezes... No final do ano, a receita talvez não ficasse atrás dos impostos da pequena cidade onde ele morava, embora o lucro fosse um pouco menor—mas, afinal, era apenas a renda de uma família.
Na época, quando Sean ouviu isso pela primeira vez, achou inacreditável e até se sentiu muito pobre.
Não é à toa que o Conde doou cem mil moedas de ouro para o socorro de desastres com tanta facilidade... Embora a Loja de Armas Scoville tivesse alguma fama no distrito de engenharia, não era a mais poderosa. Era difícil imaginar quantos impostos o Conde Hamilton, que possuía essa cidade, arrecadava.
Por isso, quando não havia clientes, Clóvis se preocupava mais com os assuntos de Sean...
Ao abrir a carta, Sean a leu rapidamente. "E então, irmão Sean? Foi enviada por Tylerian?" "Sim. Esta é a resposta de Luke." Ao mencionar Luke, Sean notou uma leve mudança na expressão do outro. "O que ele disse?" "Ele disse que apoia muito minha ideia de reconstruir o pomar. Tylerian sempre teve experiência em plantio, então, se eu quiser começar, muitas pessoas na cidade são especialistas." Essa era a frase original de Luke na carta. Naquele tipo de cidade pequena, não havia chance de desenvolver uma grande indústria, e muitos não entendiam disso.
Viver da terra—se fosse para plantar, muitas pessoas já nasciam sabendo... "E ele falou sobre mais alguma coisa? Tipo sobre minha irmã." Pela expressão de Clóvis, Sean sabia o que ele estava pensando.
Embora ele raramente falasse sobre isso, dava para ver que sempre se preocupava com a irmã, especialmente depois que Esmeralda assumiu os negócios da família Scoville... Os parentes percebiam por que ela não se casava, mas os dois envolvidos nunca mencionavam um ao outro! "Você pode ler." Sean entregou a carta diretamente a Clóvis e voltou sozinho para o quarto no sótão.
Passara o dia inteiro correndo com Igniya, e agora que parava um pouco, sentia um grande cansaço!
Olhando para um pequeno vaso de flores sobre a mesa—aquele que comprara no mercado no dia anterior, enchendo-o de terra e plantando uma semente de pêssego... Só para ver se conseguia cultivar uma muda sozinho.
Falando em plantio, Sean não tinha experiência alguma em ambas as vidas. Na vida anterior, criara algumas plantas, mas eram apenas vasos que precisavam de água.
Quanto a cultivar uma árvore frutífera a partir de uma semente, não tinha experiência nenhuma, muito menos para garantir que o sabor fosse bom.
Os exemplos que via em livros ou na internet até dava para comentar, mas na prática nunca tentara!
Ele pegou o vaso e viu que, no local onde regara no dia anterior, a terra formara uma pequena cova, mas não havia nenhum movimento. Mesmo sob seu olhar, era apenas [solo fértil], sem nenhum outro aviso.
Ao cavar a terra, ele escolhera especialmente um local com atributos mais altos indicados.
Por que não tentar usar magia?
Olhando para o vaso na mão, Sean de repente pensou: sua proficiência em magia já chegara a 60 pontos, devia ser capaz de fazer bastante coisa!
Colocou o vaso de volta na mesa, tirou da bolsa a varinha que Lucille lhe dera e, com a ajuda dela, poderia aumentar o efeito dos feitiços.
Na verdade, no entendimento de Sean, era possível usar esses itens mágicos para aumentar a proficiência... Porque lançar magia baseada apenas na imaginação tinha muitas limitações.
Por exemplo, você podia imaginar algo fantástico, mas na prática era limitado por várias condições.
Proficiência ou quantidade de mana, entre outras.
Sean já tentara usar magia em muitos lugares, mas sempre recebia avisos de [inválido] ou [imune].
Olhando para a cova na terra, imaginou o crescimento de uma muda e se preparou para lançar o feitiço... Não havia aviso de [inválido] em sua visão, ou seja, era possível usar.
Apontou a varinha para o local. Lançou [Crescimento~] [Proficiência em Magia: 61]
Num instante, Sean viu, no local da semente, algo parecido com as habilidades que surgiam quando os magos lançavam feitiços. Mas era apenas parecido—não era o nome do feitiço que ele lançara, e sim algo que aparecia diretamente no local onde a semente estava enterrada, com uma barra de progresso já parcialmente preenchida.
Sean conhecia bem aquele tipo de exibição.
Será que ele precisava encher aquela barra com magia para que a planta crescesse?
Então tentou de novo, e a barra realmente se moveu.
Pouco, só um pequeno avanço! [Proficiência em Magia: 62]
Puta merda...
Quantas vezes teria que fazer isso? Minha magia é tão fraca assim?
Hoje devia ter aproveitado o tempo com Igniya para perguntar sobre magia. Achava que, com seus 60 pontos de proficiência treinando diariamente, já teria bastante poder, mas no fundo ainda era muito fraco.
Sean continuou usando magia. Depois de oito vezes seguidas, até a proficiência chegar a 68, finalmente encheu a barra de [Crescimento~].
E, no momento em que a barra ficou cheia, uma pequena ponta verde rompeu a terra...
Conseguiu.
A magia realmente funcionava!
Olhando para a muda que criara com magia, apesar do processo trabalhoso, sentia uma sensação de realização interior. Difícil de descrever.
Uma satisfação, misturada com um pouco de expectativa.
Se conseguia criar algo assim com magia, no futuro poderia fazer muito mais...
Mas, naquele momento, o grande consumo de mana já deixava sua mente confusa. Sean largou o vaso, apoiou o corpo e subiu na cama para descansar.
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O dia inteiro fora praticamente de correria. Além do cansaço físico, o uso da magia deixara sua mente exausta.
Assim que se deitou, quase adormeceu.
Mas o cérebro não se acalmou completamente. Sean ainda estava animado com a magia que usara para nutrir o crescimento da planta... Lembrou-se do que Lucille dissera antes: que a magia era a chave para dominar a verdade do mundo.
Não é à toa que todos procuravam a obra póstuma da tal Bruxa Caim.
'A verdade do mundo' talvez realmente existisse!
Ao pensar em Lucille, Sean se lembrava dos membros da equipe arqueológica da época...
E das cenas em que lutaram juntos, e do enterro de Bachler!
O corpo selado nas profundezas da montanha...
A pele já apodrecida.
E a água suja e fétida...
Os ratos escondidos no esgoto fedorento e imundo... E...
De repente,
Sean abriu os olhos e se levantou da cama, o corpo inteiro suando.
Olhou ao redor... Ainda era o quarto na casa dos Scoville, mas o que acabara de ver? O que eram aquelas imagens que surgiram em sua mente?