Sean ouvia a conversa dos outros.
Então aquele tal de Ockham não morreu? Eles pareciam querer extrair algumas informações da boca dele.
A intuição dizia que havia algo errado ali... Normalmente, uma organização que representa um país seria excessivamente cautelosa com ele, mas, comparado ao príncipe do Império Basharan e até mesmo aos membros das organizações de feiticeiros que vieram depois, a reação não era tão exagerada.
Já fazia dias que o tratavam como alvo de vigilância, e ainda tinham ido perguntar sobre ele àqueles comerciantes.
Cautelosos.
Mas cautelosos demais!
— Mestre, você acha que posso usar magia assim? — Nesse momento, a garotinha o chamou de repente.
Os alquimistas ao redor, depois de verem a magia que ele acabara de usar, pareciam ter mudado um pouco a simpatia por ele, mas ainda era [Temor!] que predominava.
Sean, seguindo o método normal de treinamento de feiticeiros, deu algumas instruções a Lucille...
Aquele dia provavelmente passaria como os anteriores, e Richele e Roscha continuariam sendo os que o vigiavam.
Originalmente, Sean tinha ficado ali para obter algumas informações da boca deles, mas, pelo visto, em pouco tempo não conseguiria extrair nada. Então, mais valia ir atrás por conta própria...
Da manhã ao meio-dia, Sean ficou treinando com Lucille. Era inegável que, só pelo talento, ela era melhor do que ele, que conseguia ver atributos e números. Lembrava que, quando era iniciante, mal aguentava usar alguns feitiços por dia, mas Lucille parecia ter dominado uma forma de comprimir o uso de mana.
Ela praticava magia e, mesmo depois de dezenas de vezes ao dia, ainda tinha sobra, e até conseguia dobrar o número de exercícios.
Além disso, a velocidade de recuperação dela era muito mais rápida que a de uma pessoa comum...
Realmente, quem tem fama de gênio já começa a ser admirado desde o início do ensino.
Até o fim da tarde, quando Lucille se cansou do treino, Sean a levou para passear por aí, às vezes saindo da sede dos alquimistas para dar uma volta, e sempre havia o aviso de [Sendo seguido...] no campo de visão, impossível de ignorar.
Aqueles alquimistas realmente mandavam alguém para segui-lo o tempo todo!
Que trabalho duro.
Sean andou com Lucille pelas ruas, comprou quase tudo o que ela quis, e ainda foi até a entrada do mercado de flores e pássaros.
— Mestre, olha... — Um bando de pássaros coloridos na porta chamou a atenção da garotinha.
— Que lindos.
— São bonitos mesmo, mas não precisa comprar. Se um dia encontrarmos uma fera mágica, eu pego uma para você.
— Fera mágica? — Lucille arregalou os olhos, curiosa.
Vinte anos depois, ela sempre carregava um corvo e um gato preto, mas agora não fazia ideia do que eram feras mágicas.
— É um tipo de animal, mas nasce com uma mana altíssima e uma inteligência muito elevada. Muitos feiticeiros as usam como animais de estimação. — Explicou Sean.
— Existe isso?
— Claro. Mas, se você gosta, pode comprar um para criar. Só que pássaros são difíceis de cuidar. Você pode pegar aquele... — Sean apontou para um esquilo que estava numa gaiola na porta da loja!
O aviso [Sendo seguido...] ainda estava no campo de visão, significando que os alquimistas continuavam a segui-lo.
………………
À noite, Sean jantou na companhia de Richele e Roscha.
Cordell, como líder dos alquimistas locais, tinha muitas coisas para fazer e nem sempre podia jantar com eles. Em vez disso, seus dois discípulos o acompanhavam.
Sean percebia que Richele cuidava bem da garotinha...
Embora ainda fosse jovem, Lucille já tinha traços muito bonitos.
Não é à toa que, quando crescesse, se tornaria daquele jeito. Seu jeito pequeno e adorável fazia Richele se divertir muito!
Provavelmente por causa da presença dessa discípula, a simpatia de Richele por ele era um pouco melhor entre os outros, no nível [Amigável].
Depois do jantar, Sean usou a desculpa de que feiticeiros precisam meditar à noite e levou Lucille embora...
Quanto a Richele e Roscha, aproveitaram a oportunidade para sair do pátio e entrar no jardim particular de seu mestre.
— E hoje, como foi?
— Tudo normal.
Era quase como um relatório diário de trabalho, todas as noites informando Cordell sobre a situação do feiticeiro Sean.
Ao ouvir isso, Cordell, que estava estudando livros antigos, virou-se, tirou os óculos e olhou seriamente para os dois...
— Pela magia que ele mostrou hoje, o que vocês acham do poder desse feiticeiro?
— Pode ser um pouco mais forte que um feiticeiro da corte comum. Duncan Shelley ainda não recebeu o título de Chama, mas tem capacidade de nível 7 de Ordenador. Ele conseguiu neutralizar o ataque dele com facilidade e ainda absorver as chamas. Esse nível é superior ao meu. — Disse Richele.
— Superior ao seu? Isso significa que ele tem nível 11 ou mais? — Perguntou Roscha, surpreso.
— É bem possível. Embora eu possa derrotar Shelley, não consigo fazer isso com tanta facilidade.
Os três ainda se lembravam da cena em que ele, durante o combate, tirou o chapéu com calma. Uma coisa simples, mas que mostrava sua confiança tranquila e folgada.
Esse tipo de mentalidade, nem mesmo Roscha e Richele, que estavam presentes, possuíam...
— Então temos que ter cuidado com esse homem!
— Acho que não precisamos ficar vigiando ele o tempo todo, mestre. Embora a origem dele ainda não tenha sido esclarecida, pelo que vimos até agora, ele não tem más intenções conosco e não entende de alquimia. Se continuarmos apertando o cerco, podemos acabar provocando insatisfação nele. — Disse Richele.
— Você acha que ele realmente não sabe que estamos o vigiando?
A pergunta de Cordell deixou os dois sem resposta.
— Se antes eu achava que ele não tinha notado, tudo bem. Mas depois de ver o poder que ele mostrou hoje, fiquei com uma certeza. Um feiticeiro de alto nível como ele não deixaria de perceber nada... Ele continua agindo normalmente, ou porque não se importa com o que não lhe diz respeito, ou porque está se esforçando para esconder algo... Enquanto houver a menor possibilidade, temos que prestar atenção, afinal, Ockham ainda não falou.
Os dois ouviram e concordaram com a cabeça, continuando a relatar a situação de Sean naquele dia.
No entanto, no topo da viga do telhado, onde nenhum dos três prestava atenção, uma pequena cauda apareceu...
Andando pelas vigas empoeiradas do beiral.
Por fim, pulou para uma parede um pouco mais plana.
— É, o velho é esperto mesmo. — Suspirou Sean.
Com um olho coberto e o outro usando [Visão Mental~], ele via através dos olhos do esquilo.
[Visão Mental~]
Tinha usos ainda mais avançados.
Embora o grimório não mencionasse, com a mana atual de Sean, ele conseguia estabelecer uma conexão mais forte com animais tão fracos.
Fechou a porta, trancou-a!
Depois sentou-se de pernas cruzadas na cama, concentrando mais energia no pequeno esquilo.
Dessa vez, abriu os dois olhos...
Sua consciência inteira entrou naquela pequena visão.
À sua frente, uma parede escura. Precisava subir pelo beiral e sair por um buraco.