Capítulo 473: Capítulo 473: Chegada

Porto de Lewis.

Dizem que foi nomeado em homenagem ao antigo senhor feudal da região, já se passaram muitos anos, mas o nome ainda permanece.

O navio cargueiro levou vinte dias inteiros para se aproximar do porto do continente sul.

Não imaginava que levaria tanto tempo!

E, segundo Lucas, esse tempo já era considerado rápido, porque a maioria dos comerciantes que queriam alcançar a frota do Bando do Camelo escolhia navios mercantes mais velozes; se fosse um pouco menor, poderia levar um mês inteiro para chegar.

Essa extensão marítima é realmente longa... Não tem como não admirar quem primeiro descobriu o outro lado, deve ter navegado por meses até avistar a costa.

"Mestre, o que vamos fazer agora?" perguntou Lucille, olhando para Sean.

Já tendo deixado de ser uma simples trabalhadora do navio e dominado o básico do uso da magia, agora era oficialmente sua discípula... No fim das contas, Sean ainda achava estranho, sem saber como chamar Lucille.

"Procurar algumas coisas."

"O que vamos procurar?"

"O irmão Sean está procurando alguém?" Nesse momento, Edith e os outros, que estavam ao lado, pareciam ter ouvido.

Desde que souberam que Sean tinha a identidade adicional de mago, a atitude deles mudou da ânsia anterior de tentar tirar informações dele para um medo respeitoso.

Isso era evidente pelo jeito que eles evitavam o assunto.

Mas fazer amizade com um mago não era ruim para um comerciante; além de não ousarem mais bisbilhotar sua identidade como antes, tudo o resto seguia normal.

"Na verdade, não sei ao certo. É mais como andar por aí, completar alguns conhecimentos que vi nos livros didáticos antigamente," disse Sean.

Durante as conversas com eles, ele havia deixado escapar de vez em quando que estudava em uma academia de magia, e já que estava viajando, não havia nada de errado em querer ver na prática o que aprendera nos livros.

"Entendo. Então, irmão Sean, se precisar de algo, pode me procurar quando quiser. Nosso depósito de mercadorias fica no maior distrito comercial da Avenida do Rei; é só perguntar pelo nosso nome que todos conhecem," disse Edith.

"Sim, vou incomodar vocês."

"Se o irmão Sean puder vir, seria ótimo!" Depois de algumas palavras de cortesia, quando o navio estava atracando e prestes a se despedir, eles ainda deram um conjunto de roupas para Lucille.

"Isso..."

Sean olhou para eles.

"Irmão Sean, não se engane. Isso era um estoque encalhado nosso; essas roupas de Edak não se vendem em Kerserk. Considere isto como um pagamento por ter salvo a vida de todos nós no navio. Espero que aceite."

Olhando para Lucille, com uma expressão de [Desejo!] nos olhos; uma criança dessa idade não consegue esconder o que sente, quando vê algo de que gosta, quer...

"Então, em nome da minha discípula, agradeço a vocês."

"Irmão Sean, não precisa ser tão educado!"

Depois de se despedir dos comerciantes, Sean se preparou para levar Lucille embora. Antes de descer do navio, ela não resistiu e deu mais uma olhada para trás.

"O que foi?"

Ela balançou a cabeça.

"Nada, mestre."

Mas no alto da cabeça dela, o estado de [Saudade!] continuava pairando... E o lugar para onde ela olhava era o convés inferior do navio, onde havia uma pequena janela, e parecia que alguns olhos também a observavam.

"Talvez um encontro leve a caminhos diferentes. Algumas pessoas são apenas passageiras, um breve olhar, e talvez nunca mais se vejam."

"Então... o que fazer?!" A voz começou a tremer, com um tom de choro.

Sean observou a mudança psicológica de Lucille naquele momento.

Talvez, no fundo de seu coração infantil, fosse a primeira vez que sentia a amargura de uma despedida que poderia ser para sempre.

"Então, dê mais uma olhada!" Ele estendeu a mão e segurou a mãozinha da garota.

"Eu... eu queria ajudá-los também. Eles são tão infelizes, só eu consegui sair."

Os olhos avermelhados não conseguiam mais segurar as lágrimas, e ela acabou chorando de novo.

"Desculpe, mestre. Não devia ter dito isso..."

"Tudo bem, isso é muito normal."

"Lembre-se, Lucille... Você não pode salvar o mundo, nem salvar todo mundo. Nesta vida, você só vai poder continuar se lamentando, continuar desistindo, continuar perdendo... e continuar tendo compaixão."

Olhando para ela, a garotinha ergueu um pouco a cabeça e olhou para Sean com um ar de quem não entendia completamente.

"...E, no final, viver egoisticamente."

"Vamos."

"Hum!"

Ela deu um último olhar para o navio cargueiro e saiu com Sean.

Quando chegaram, ainda era meio-dia, mas quando o navio atracou no porto, já era tarde. No entanto, não era tão tarde assim... Mas o pôr do sol do sul já aparecia.

Sean parou de repente.

"O que foi, mestre?"

"Olhe ali, que lindo!"

"Onde?" Lucille era pequena, andando no meio da multidão, não conseguia ver longe.

Vem cá~

Sean pegou a garotinha e a colocou no pescoço.

"Mestre!!"

"Segure firme. Consegue ver?"

A garotinha assustada quase não se segurou, mas Sean segurou firme os pés dela para estabilizá-la.

"Olhe, ali!"

Ele se virou na direção do pôr do sol...

"Nossa, que lindo!" As mãozinhas infantis de Lucille seguraram firme a testa de Sean, o coração misturado de surpresa e alegria, sentindo-se de repente mais alta que todo mundo!

Os dois ficaram parados no cais do porto por um bom tempo, parecendo, aos olhos dos outros, um par de pai e filha muito próximos.

Mas de repente, Sean sentiu o pé de Lucille se mexer...

"O que foi?"

"São eles." Na borda do cais, o navio mercante do Bando do Camelo ainda estava descarregando mercadorias. O líder, não lembrava o nome, não estava presente; o trabalho era feito por operários comuns.

"Tem algum deles que bateu em você antes?"

"Sim."

A garotinha respondeu com raiva.

"Você os odeia?"

"Odeio."

Um mago precisa ter um pouco de temperamento, senão ninguém vai temê-los. E, como a futura e infame bruxa do deserto, Elísis, Lucille precisava ser um pouco mais cruel.

"Use a magia que você aprendeu para dar uma lição neles."

"Hã?" A garotinha respondeu surpresa.

"Sem problemas, não estou aqui? Aproveite para testar sua magia." Sean a incentivou a fazer isso. Aqueles operários eram apenas pessoas comuns; o mais forte tinha apenas um pouco mais de nível 2 de Ordenador, nada demais.

Mesmo que o líder deles viesse, não importava.

"Tente."

"Ah~"

A garotinha assentiu, estendeu a mão e apontou para as mercadorias.

[Ignição~]

Puf~

De repente, o fogo começou a queimar no depósito atrás. No começo, eles nem perceberam, mas quando viram, já tinha queimado três ou quatro sacos.

"Como é que pegou fogo? Apaguem logo, não fiquem aí parados..."

"Droga, por que ficou tão grande de repente?"

O fogo se espalhou quase num instante, sem dar tempo de reagir.

A magia de um mago pode ser controlada pela própria vontade; parecia que Lucille também tinha seus próprios truques.

Vendo o grupo correndo para apagar o fogo, Lucille, montada no pescoço de Sean, começou a rir...

Naquele momento, Sean pareceu vislumbrar a origem do sorriso maligno que ela teria vinte anos depois.