Capítulo 467: Capítulo 467: No final, não conseguiu escapar

A cabine atrás do convés era o local onde os trabalhadores precisavam labutar. Navios à vela comuns não são embarcações de guerra; se o vento não for suficiente, só resta depender da força humana para girar a hélice e avançar lentamente. Por isso, cada navio tem de uma dúzia a vinte e poucos trabalhadores se revezando em turnos... Além disso, há outros trabalhadores encarregados de limpar o convés. Às vezes, para economizar comida, chegam a usar crianças como mão de obra infantil. Afinal, neste mundo não há regra que proíba trabalho infantil. Contratar crianças para limpar os camarotes é até mais fácil de gerenciar... Shaun se despediu de Lucas com a desculpa de não se sentir bem e foi para o camarote. Na verdade, ele também morava ali, mas, como indivíduo, ficava na área superior, que era maior e mais espaçosa. Os trabalhadores comuns só podiam ficar na área inferior, praticamente um grande salão onde todos comiam e dormiam juntos. Shaun desceu e seguiu atrás das crianças trabalhadoras que acabara de ver... Depois que se separaram, ele escolheu um alvo e se aproximou. A pessoa estava esfregando o chão, mas não era muito ágil; ajoelhada, limpava uma área que mal dava um passo de um adulto. Por trás, dava para ver cabelos brancos muito curtos, quase como um corte masculino, e ela vestia roupas de linho, iguais às dos outros marinheiros. — "Psiu! Você é trabalhadora daqui?" — A voz repentina assustou a pequena. Quando ela se virou e viu Shaun, levou um susto ainda maior... Sobre a cabeça, os estados [Preocupação!] e [Medo!], mas logo mudaram para [Manter a calma!]. Ela era só uma criança de cinco ou seis anos; conseguir fazer isso era impressionante. Pelo menos na visão de Shaun, crianças nobres da mesma idade ainda estavam na fase de fazer birra para conseguir o que queriam, não se comparando nem de longe com essa garotinha à sua frente. Porque aquela pessoa não era outra senão a menina que havia fugido do quarto dele no dia anterior. Embora tivesse mudado de roupa e se lavado, Shaun não reconhecia rostos, mas sim atributos; como não perceberia? — "O que o hóspede deseja?" A voz dela era abafada. Crianças dessa idade não têm voz marcante; são todas vozes infantis claras, mas, se ela prendesse o nariz e não respirasse, a voz ficava mais grave, soando mais como a de um menino. — "Perdi mais de 1000 moedas de ouro ontem e não sei a quem pedir ajuda para encontrá-las..." — Shaun disse, sorrindo. A garotinha era interessante. Embora estivesse nervosa e com medo, ela tentava ao máximo se controlar. Até as pernas pareciam tremer, mas ela não se levantou; parecia apenas que estavam dormentes de tanto ficar agachada. — "Hóspede... o senhor parece ter embarcado hoje, certo? Devia ter procurado na cidade antes; agora não dá mais para voltar." — Depois de pensar muito, ela finalmente disse isso. Shaun apenas riu. — "É mesmo? Que pena!" Sem prolongar a conversa, ele se virou e foi embora. Isso fez a menina suspirar aliviada! Quem diria que a garotinha estava no navio? Realmente, o tempo estava a seu favor. Shaun temia que o dinheiro gasto fosse por água abaixo, mas eis que a encontrou... Pelo jeito dela, devia ser mesmo uma trabalhadora do navio. E a surra de ontem? Além disso, ela tinha um forte cheiro de peixe; será que tinha sido pega roubando algo, apanhado, e por acaso ele a salvou, e ela voltou correndo para o posto de trabalho? Se fosse assim, Shaun até aceitava a explicação! Ao subir para a área superior, viu um marinheiro do navio e perguntou diretamente por que havia trabalho infantil a bordo. O outro respondeu com um olhar de desdém. — "Isso não é normal, hóspede? O senhor também deve ter servos jovens em casa. Crianças comem pouco e custam menos; se estiverem dispostas a trabalhar, podem ser aceitas." — "Mas são muito novas." — "São todas órfãs. Em vez de serem vendidas por aí, é melhor trabalharem no nosso navio e terem o que comer. E os comerciantes de mercadorias do mar vão a muitos lugares; elas deviam é ficar felizes." — Disse o marinheiro. Shaun entendia que o sistema deste mundo era assim, mas só queria extrair a origem da menina da boca do outro. Então ela era mesmo uma trabalhadora infantil do navio! Isso sim era interessante. ……………… Seguindo rumo ao sul, em direção ao Mar do Sul, o navio cargueiro acompanhava a frota do Bando dos Camelídeos. Segundo a explicação deles, era mais seguro seguir uma grande caravana comercial. Diziam que ultimamente havia muitos piratas, e que as pessoas nas grandes caravanas eram mais capazes, menos propensas a atrair piratas, além de protegerem indiretamente outros navios mercantes. Os piratas têm seus costumes, e os comerciantes, sua sabedoria. À noite, Shaun foi convidado por Lucas para jantar no salão de visitas, e este apresentou alguns comerciantes conhecidos a ele. A maioria dos comerciantes viajantes era composta por famílias; se um viajasse sozinho, levava apenas alguns servos de confiança... Mas, para os outros, eles conheciam muitos comerciantes. Como Shaun não era comerciante, falar com essas pessoas parecia mais fácil para se enturmar superficialmente. Eram três homens e uma mulher... Todos conversavam sobre temas de viagens por todo lado, e não faltavam aqueles que tentavam sondar sua identidade. — "Irmão Shaun, em casa também deve sair pouco, não?" — "Realmente saio pouco, principalmente porque não tenho muitos lugares para ir." Shaun não sabia muito sobre o senso comum dos viajantes; algumas frases já denunciavam sua falta de conhecimento. Por isso, nem pretendia se passar por viajante; ser apenas um jovem nobre fugido de casa era uma identidade mais aceitável para todos. — "Haha, então pode nos acompanhar para dar uma volta pelo porto desta vez. A paisagem de lá é muito bonita." Sentada ao lado de Shaun estava uma mulher. Na apresentação, ela também era uma comerciante viajante, mas o que comprava não eram especiarias, mas sim tecidos e óleos perfumados de Edac, daqueles que bastava uma gota para exalar um aroma forte. Os povos do deserto andam muito tempo na areia e nem sempre têm água para se lavar, então usam esse óleo no corpo, com um cheiro intenso para disfarçar o odor de suor. Shaun já tinha visto aquilo no palácio real... mas Jagon tinha boas condições e não faltava água, então raramente usavam. — "Posso dar uma olhada." — Shaun respondeu com um sorriso. O nome da mulher era Edith. Tinha aparência comum, cabelo curto, mas um corpo bonito. Mulheres que conseguem viajar sozinhas para negociar têm lá suas habilidades, e ela era conhecida de Lucas desde a cidade de Twilight Bend. Na verdade, os comerciantes não se conheciam há muito tempo... mas, sentados juntos, pareciam velhos amigos. — "Não sei o que o irmão Shaun planeja desta vez? Vai dar uma volta pelos países do continente sul?" Edith o chamava de "irmão" o tempo todo e foi quem mais tentou obter informações sobre ele durante todo o jantar. — "Hum... por enquanto é isso." — Shaun respondeu. A noite caiu, e as luzes começaram a acender no camarote... Quase todos os que viajavam nesta viagem eram comerciantes, principalmente porque, quando a frota do Bando dos Camelídeos partia, outros comerciantes certamente a seguiam. — "Posso levar o irmão Shaun para passear por aí. Kserk é um país muito interessante; os produtos dos alquimistas nacionais de lá são mercadorias populares em todo o mundo." — Disse Edith.