Capítulo 447: Capítulo 447: Mais uma noite assistindo ao chato Festival da Primavera

—É navio pirata! Preparem-se, preparem-se para o combate!—gritou alguém do primeiro navio de guerra, e logo todos os navios começaram a ecoar o chamado.

No entanto, a frota presa no gelo não conseguia manobrar para mudar de direção, só podendo enfrentar o ataque de frente.

Mas além da planície de gelo ainda havia a tempestade!

Lusiel foi descendo lentamente...

Com o rosto um pouco pálido, Shawn fixou o olhar na quantidade de magia dela.

Uma pessoa de nível 18 ou mais de Ordenador já tinha um estoque de magia superior a 9000, sendo a maior que ele já vira até agora, e de repente aquilo havia diminuído pela metade.

—Tudo bem?—perguntou ele, aproximando-se.

—Tudo bem, é só excesso de consumo de magia.—disse Lusiel, tirando uma poção azul da bolsa de cintura e bebendo.

Ela começou a se recuperar rapidamente, contando os segundos.

—General Marlow, preparem-se para enfrentar o inimigo... já que os navios não podem se mover, mandem os dragões. Esses piratas querem nos atacar durante a noite de tempestade; está na hora de mostrarem a força do Exército Imperial.—ordenou Shawn.

A camada de gelo que prendia os navios era tão espessa que quase toda a frota estava imobilizada; só restava enfrentar de frente ou enviar os cavaleiros de dragão.

—Não precisa de tanta complicação!

Foi quando Lusiel falou de repente, enquanto Marlow e os outros soldados recebiam as ordens.

—Eles só devem estar tentando um ataque de teste. Mesmo os navios piratas não conseguem navegar estáveis na tempestade. Deve haver alguém entre eles que também usa a magia [Controle de Bestas~]. Congelei o mar próximo, e eles não têm mais como agir; provavelmente já estão recuando.

—Pela segurança da frota, preciso ir ver de qualquer jeito.—Melsusa concordou com a ideia, mas, como comandante da Cavalaria de Dragões, precisava usar a vantagem da tropa em momentos de perigo.

Com os dragões subindo sob os relâmpagos...

Ao longe,

O rugido dos dragões voltou pouco depois.

Uma dúzia de dragões pairou no ar, mas só Melsusa desceu.

—Alteza, os piratas já estão recuando com os navios. Devemos persegui-los?—relatou Melsusa.

Perseguir?

Shawn bem que queria, mas olhando o tempo tão severo...

Se não perseguisse, temia perder a oportunidade...

—Tem certeza?

—A Cavalaria de Dragões certamente realizará seu desejo, Alteza.—garantiu Melsusa.

—Persigam! Tragam o líder deles até mim.—Shawn finalmente ordenou a perseguição.

Milhares de cavaleiros de dragão subiram novamente sob a tempestade, voando na direção de onde os navios piratas haviam aparecido.

Quanto a Shawn, ele continuou no convés, esperando notícias...

Rummm—

Um relâmpago passou.

A influência mágica perto da frota parecia ter diminuído um pouco; os flocos de gelo que caíam começaram a se transformar lentamente em chuva.

—General Marlow, vá comandar os navios da frente. Assim que o gelo se soltar, ataquem o inimigo imediatamente. Todos os magos, trabalhem para quebrar a camada de gelo.

—Sim.

Sob as ordens de Shawn, todos começaram a agir, incluindo Mirk, que foi com Marlow para o navio da frente.

As vinhas se esticaram, quase puxando à força os primeiros navios para fora do gelo...

Enquanto isso, Shawn levou Lusiel para descansar na cabine, com Freya acompanhando.

—Você não vai comandar a batalha?—perguntou Lusiel de repente.

—Não é necessário... Eu sei o que está acontecendo.

Na mesa da cabine estavam espalhados mapas marítimos; Shawn via milhares de pequenos pontos verdes se movendo em direção à grande marca vermelha no mar.

—Com tantos cavaleiros de dragão indo, acredito que não haverá problemas.

—É verdade, até a Mirk foi pessoalmente.—disse Freya ao lado.

Em apenas alguns dias de convivência, ela já parecia ter se familiarizado com Mirk, reconhecendo sua força.

—Mas não esperava que você fosse de nível 18 ou mais de Ordenador.—Freya era uma feiticeira que já vira muito; em comparação, Shawn talvez nunca tivesse estado em um campo de batalha real, enquanto ela sobrevivera a muitos.

Mais do que o combate aos piratas, o que a surpreendia era a força de Lusiel.

—Surpresa?

—Muito.

Disse Freya, sem mudar a expressão.

As duas não tinham muito contato antes; o único elo entre elas era Shawn.

Como mentora de Shawn, Freya lhe dava certo respeito, e desde o início sentira que a força dela não era inferior à sua.

Agora, via que estava muito atrás!

Não admira que Shawn também usasse tantas magias estranhas.

Para um mago, ter um mentor mais forte é algo invejável.

—Mas isso não é nada; meu caminho de crescimento também não foi fácil... Quanto a você, pequeno aprendiz, como sabia que alguém nos atacaria?

Shawn já passara por situações parecidas várias vezes; sempre que via um ponto vermelho no mapa, sabia que o inimigo se aproximava, mas, como sua posição era alta, os outros não questionavam.

Só Lusiel e Freya, que não eram subordinadas, ousavam perguntar.

—Um pouco de intuição.

—Mentira! Desde o começo, notei que você é diferente de dois anos atrás. Não... desde nosso primeiro encontro, você já era assim, como se sempre soubesse o que vai acontecer antes.

Mesmo quando se conheceram, Shawn só se aproximou porque via as mudanças emocionais e os movimentos de magia de Lusiel.

Senão, seria como dançar no cemitério...

Cada passo era uma dança com a morte.

Ao ouvir Lusiel, Freya pareceu ter a mesma ideia; elas conviveram mais tempo e até lutaram juntas, e aquela sensação de saber antes acontecera muitas vezes.

Então, quando Lusiel perguntou, Freya também se interessou.

—E se eu disser que é uma magia inata?—disse Shawn.

As duas balançaram a cabeça ao mesmo tempo.

Provavelmente só Ignia, uma garota ingênua, acreditaria nisso; com essas duas feiticeiras de alto nível, não colava.

—É só uma magia; não consigo explicar direito... É como um pressentimento; antes de qualquer perigo, sempre sinto algo, embora nem sempre esteja certo.—disse Shawn.

De repente, Lusiel ergueu a mão e lançou um feixe de magia.

Pá—

Soou como um relâmpago.

Mas parou perto da orelha dele, sem causar dano real.

E Shawn nem se esquivou... ficou parado.

—É verdade mesmo, não reagiu.