A superfície do mar não é tão plana quanto a terra firme. No começo, dá para se adaptar, mas conforme a frota avança para o fundo do mar... o vento marítimo acelera a navegação, mas também traz alguns problemas para quem não está acostumado com a vida no mar. O navio balança demais! É ainda pior do que quando se está num dirigível no céu. Sean sentiu que, pouco depois de sair do porto militar, antes mesmo de o sol atingir o meio-dia, seu estômago já revirava, e ele não conseguia nem pensar em almoçar. Só se mantinha firme usando magia para continuar observando o avanço da frota... A linha de batalha tinha cerca de cem navios de guerra, e, se somassem as tropas que partiram do Porto dos Cervos, poderiam chegar a duzentos ou trezentos navios. Esse número já era de dar dor de cabeça para qualquer país, e o mais importante é que isso era apenas um terço da força naval de Jagon. Não é à toa que este país no deserto recebe homenagens de nações distantes no continente sul; a força poderosa é a razão mais importante. Sean não ficou na proa como de costume. A sensação de náusea era tão desconfortável que ele foi para a cabine, um lugar um pouco menos balançado, para descansar um pouco... Esta era a cabine do capitão, bastante espaçosa. Na mesa central, havia uma bússola e um mapa de navegação. — Você está bem, Sean? — Freya estava sempre ao seu lado, desde o convés, e desceu com ele. — Um pouco mal, ainda não me acostumei a viajar de navio. — disse Sean. Ele só conseguia usar buffs de magia para estabilizar seu corpo. Mas, ao olhar para Freya, embora ela também tivesse o status [Mal-estar!] sobre a cabeça, sua aparência não era de quem estava enjoada. — Você parece se adaptar bem. — Até que vai. Você está assim porque não sai muito. Antes, na vila, depois em Oro City... agora, provavelmente nem sai do palácio, por isso tem essa sensação. Lembra quando foi comigo para Sadeya City e ficou assim no dirigível? O que Freya disse estava certo; Sean realmente sentia que não saía há muito tempo. Ficava sempre no palácio, e até sair da capital era raro... mas não tinha jeito, com uma posição tão alta, qualquer saída do palácio exigia uma escolta de guardas imperiais. Se ele não voltasse na hora certa toda vez que saísse, Melsusa provavelmente não o deixaria mais sair do palácio. Com tanto poder, vinha também a perda da liberdade! — Parece que realmente preciso sair mais. — Que bom! E eu? — Ela olhou para ele com olhos ternos, enquanto arrumava a gola dele. — Então... vamos juntos. De vez em quando, trocavam algumas brincadeiras, e a relação entre os dois sempre foi muito harmoniosa. Olhando para o mapa marítimo na mesa, desde a partida pela manhã, já estava quase no meio-dia. A frota já tinha saído completamente do porto militar perto de Dansu e estava desviando das rotas comerciais normais, seguindo diretamente para as ilhas em direção ao mar aberto. Os marinheiros que viviam no mar há anos conheciam bem os piratas, mas normalmente não os perseguiam; se procurassem com cuidado, certamente os encontrariam. Enquanto conversavam, Lucille e Mirca também desceram do convés. — Alteza, já estamos entrando na área de mar profundo. Deve ser à tarde que estaremos completamente no fundo do mar. O General Marlow disse que às vezes se veem navios mercantes por aqui e quer saber se Vossa Alteza gostaria de perguntar a eles sobre os piratas. — Mirca relatou a situação atual, e ela percebeu que Sean estava na cabine por não se adaptar ao navio, então não o incomodava com coisas sem importância. — Sim, é melhor perguntar... Nosso objetivo é encontrar esses piratas e, se possível, eliminá-los todos. Diga ao General Marlow para agir conforme isso. — Sean ordenou. Marlow. Era o comandante naval de Jagon no porto de Dansu. Embora sua posição não fosse tão alta quanto a de Melsusa, ele conhecia bem aquela área marítima. Como general local, Sean delegou a ele o direito de planejar a rota da frota, enquanto ele mesmo ficava apenas observando o mapa se expandir aos poucos. — Sim, Alteza. Vou informar agora. Com isso, ele saiu da cabine e, ao passar por Lucille, lançou-lhe um olhar significativo. Às vezes, Sean achava estranho como sua mentora conseguia viver até agora, com um relacionamento tão ruim com todos os de alto nível. Será que ela só apareceu depois de chegar ao nível máximo? O caráter não se forma em um ou dois dias; foi difícil para ela sobreviver com tantas habilidades de sobrevivência. — Tem algo a dizer, Lucille? — perguntou ele. — Não posso descer se não tiver nada? Ou está com medo de eu atrapalhar o momento a dois? Naquele momento, Sean não tinha ânimo para responder à provocação. De repente, um pequeno frasco de poção foi jogado na mesa... — O que é isso? — Ele olhou para cima e viu o sorriso [Orgulhoso!] dela. — Para você. Quando saí para o mar nos primeiros anos, também não me acostumava com esse balanço. Comprei algumas poções com alquimistas na época, e o efeito era bom. Pode experimentar. — Ela disse, e saiu sem olhar para trás. Sean pegou o frasco e o examinou. Era uma poção comum, mas o efeito era para curar o estado de [Tontura!]. Efeito especial da poção... Fazia tempo que não via algo assim. Lembrava que, no início, também viu com Lucille uma poção para estancar sangramento e recuperar vida. Depois, viu algumas com grupos de mercenários, incluindo as que Clode sintetizou desta vez, a maioria com esse efeito; outros efeitos eram raros. Ele mesmo tinha pouco contato com alquimistas e raramente estudava essa área. — Isso é uma poção? — Freya pegou o frasco e cheirou. Ao abrir, sentiu um cheiro forte, mas refrescante; o efeito parecia bom. — Deve ser para aliviar seus sintomas. Beba logo. — Sob a insistência de Freya, Sean tomou a poção. E, de fato. O efeito era bom. Sentiu um gosto azedo na boca, que até lhe deu vontade de comer. Os alquimistas existiam há milhares de anos, e embora nos últimos séculos sua posição tenha sido ameaçada pela indústria e pela mecânica, a base acumulada ao longo dos anos ainda era forte. Mas, pensando bem. Ele também poderia aliviar o desconforto no navio melhorando a embarcação. Se o departamento industrial conseguisse construir navios maiores e mais estáveis, movidos por motores de combustão interna e rodas de propulsão, não haveria tantos problemas. Indústria e alquimia. Essas duas áreas realmente são concorrentes naturais. Depois de se sentir um pouco melhor, Sean se concentrou mais em estudar a área marítima ao redor. — Vamos, Freya, subir ao convés. — Agora? — Sim. Vamos aproveitar o dia; vamos esperar a noite? Ele estendeu a mão, e Freya a segurou naturalmente. Os dois subiram juntos ao convés.