Há sempre um certo charme provocante em seus olhos.
Quando se conheceram pela primeira vez, Sean ainda não tinha visto muitas pessoas, mas agora ele sabia.
Era uma característica das garotas de diferentes regiões... As garotas da região de Adac tinham olhos grandes e, quando levemente maquiadas, seu olhar tinha uma magia atraente, como se estivessem constantemente piscando para você.
Em contraste, as garotas de Bashalan eram mais normais, especialmente as do sul.
Igniya era uma típica garota do sul, com cabelos loiros, uma estrutura óssea delicada e traços finos; já Frellia, por ser mestiça, parecia mais uma combinação de garotas de Bashalan com as de outras regiões.
"Você parece não estar nem um pouco surpreso."
Lucille disse com um tom levemente decepcionado ao ver a reação de Sean.
Mas as emoções não mentem.
Sean conseguia ver que ela ainda estava muito [animada!].
"Surpreso? Como não estaria? Depois de tanto tempo sem nos vermos, você quer me matar logo de cara. Se eu não tivesse aperfeiçoado minhas habilidades nesses anos, provavelmente estaria amarrado por você de novo agora."
Ele se lembrava de que, quando se conheceram, ela também o amarrara com a mesma corda mágica. Ao ver aquela corda familiar, Sean ficou um tanto confuso.
Não era a mesma, mas era do mesmo tipo.
Até a posição e o estilo das runas gravadas eram idênticos. Agora, provavelmente ainda estava no escritório de Oro, amarrando alguma caixa de livros raramente usados!
"Estou testando suas habilidades. Já faz mais de dois anos... Quero ver o quanto você evoluiu. Será que uma mentora não pode avaliar o crescimento de sua aluna?" disse Lucille.
"Você ainda se lembra que é minha mentora?"
"Claro, você é minha única aluna!"
Ele já tinha ouvido essas palavras antes. Talvez fosse porque não se viam há muito tempo, e algumas coisas já queriam ser ditas há tempos.
Mas algumas coisas... ele não sabia como dizer.
Por um instante, Sean sentiu que a imagem que guardava dela em sua memória era boa o suficiente; encontrar-se pessoalmente só o deixava sem saber o que dizer.
A relação entre os dois era boa, com o vínculo de mentora e aluna.
Mas, no começo, ele não tinha se tornado seu discípulo de coração; foi apenas uma troca.
Havia o título e a prática, mas o afeto não era tão profundo quanto se imaginava.
"O que você fez nesses dois anos?" Sean perguntou, tentando evitar um assunto constrangedor.
"Muitas coisas. Você deve saber o que estou procurando..."
Lucille respondeu.
Sean percebeu que ela queria dizer muita coisa, pois as emoções mudavam constantemente acima de sua cabeça, mas quando falava, era de forma simples.
Provavelmente, os pensamentos dela eram os mesmos que os seus naquele momento.
"E encontrou?"
"Encontrei muitas coisas. Se tiver tempo, te mostro."
"Ótimo, também tenho muitas coisas para perguntar a você."
Finalmente, conseguiam ter uma conversa normal.
Naquele momento, o gatinho preto pulou no telhado, foi direto para os pés de Lucille e miou especificamente para Sean.
"Esse é um novo animal de estimação? Lembro que antes só tinha o Barry..."
Barry era o nome do corvo preto. Ele já tinha lutado com eles antes, então Sean se lembrava daquele monstro com nome. Mesmo hoje, dois anos depois, ele já tinha visto muitos monstros na Academia da Cidade e com alguns magos da corte, mas raramente via um tão habilidoso em combate e treinado de forma tão inteligente quanto Barry.
"Sim, ela se chama Lucy. Adotei-a em uma ilha."
Lucille se agachou, pegou o gatinho preto e o mostrou especialmente para Sean.
"Lucy."
Miau~
O bichinho até respondeu, balançando a pata.
"Você passou esses dois anos estudando a magia que te ensinei? Então poderia pegar um monstro para criar..." disse Lucille.
"É muito útil, especialmente em momentos especiais, pode te ajudar."
"Claro, já pensei nisso antes... Mas raramente tenho a oportunidade de agir por conta própria, então nesses anos não estudei muito essa área."
"Está se gabando da sua posição para mim?"
Lucille olhou fixamente para Sean.
"Que bom, então minha aluna é um príncipe do deserto, e eu viro conselheira real! Parece que minha posição não é baixa." Ela ergueu o queixo com uma expressão de orgulho.
Heh~
Finalmente, ele via a Lucille de antes.
Na memória de Sean, sua mentora deveria ser assim; aquela atitude hesitante não era própria dela.
"Não é baixa, é tão alta que assusta."
Puf~
Lucille riu.
"Falando nisso, pequeno príncipe. Por que você fugiu durante a celebração? Ontem, eu queria entrar no palácio para te encontrar, mas as armadilhas dos magos da corte eram um pouco complicadas de desfazer. Ouvi dizer que você sairia em desfile hoje... Quem diria que você estaria escondido em uma carroça com uma criada, trocando de roupa."
Enquanto falava, Lucille fez aquela expressão de desdém que há muito não via.
"Você já é príncipe, por que seu gosto não mudou?"
???
Sean olhou para ela com uma expressão confusa.
"Você viu tudo?"
"Não se esqueça, quem te ensinou a Visão Mental?" disse Lucille.
Mesmo usando a visão do corvo Barry, ela devia ter visto muita coisa. Como alguém que já usou magia semelhante, Sean não esqueceria aquela sensação.
"Eu tinha outras coisas para fazer."
"Claro... Afinal, você é o príncipe. Mesmo que tire a roupa de uma criada em público, ninguém ousaria te criticar." A fala de Lucille ficava cada vez mais estranha.
"Ei, você ainda é minha mentora!"
"Já está pensando em se rebelar contra a sua mestra?"
Sean olhou instintivamente para o estado atual de Lucille.
Antes, ela mostrava apenas o nível 8 de Ordenador, mas naquela época ele também não era de nível alto, ou melhor, quase não tinha nível, e alguns truques simples já a escondiam.
E agora...
[Sangue, Magia, Humano] Nível de Afinidade: [Veneração]...
De repente, aparecia um talento de nível 18 de Ordenador. Seria mais um truque?
"Lucille, quero te fazer uma pergunta."
"Diga..."
Hoje, ela parecia de bom humor; provavelmente responderia qualquer coisa que ele perguntasse.
"Qual é o seu verdadeiro nível? Naquela época, você veio à minha cidade em busca da Tábua de Cain. O que fez nesses dois anos? Também tenho muitas perguntas sobre a Tábua!"
"O quê? Finalmente se interessou por mim? Será que nesses dois anos percebeu que quem mais se importa com você sou eu?" Lucille riu.
Sean já imaginava que ela esconderia algo.
Afinal...
Aquela mulher sempre escondera coisas desde o primeiro encontro.
"Tudo bem, podemos falar disso mais devagar. Venha comigo, mentora..."
Sean não a chamou pelo nome, mas sim de mentora.
Isso fez Lucille ficar séria de repente.
Ele se lembrava de que, durante a batalha na cidade, ela também ficara séria, mas apenas em situações específicas.
"Para onde?"
"Você vai saber quando chegar!"