Capítulo 383: Capítulo 383: Escuridão na Sombra

"Pelos deuses do sol, salvai-nos!" "Grande deus do sol, teus súditos imploram por tua ajuda!" O primeiro lugar ao se aproximar do palácio real era o Templo do Sol. Mesmo na escuridão, muitas pessoas vinham adorar, parecendo até mais numerosas que o normal. À luz de pequenas chamas na escuridão, centenas... ou até milhares de pessoas se ajoelhavam diante do Templo do Sol, rezando para que seus deuses pudessem ouvi-las e lhes conceder bênçãos! "Senhor, a carruagem está presa." Nesse momento, o cocheiro virou-se resignado para Griffin. Havia gente demais, quase bloqueando todo o caminho para o palácio real. "O que fazemos, Alteza?" "O que mais... voltamos correndo." Naquele instante, Sean estava obviamente ansioso. Precisava chegar antes de Cthugha e eliminar aquela coisa, talvez assim evitasse o risco da destruição. "Mas..." "Sem mas, venham comigo." Saltando diretamente da carruagem, Sean optou por correr até o palácio. Por todo o caminho, havia súditos em adoração... Diante de um desastre tão repentino, todo o poder humano parecia insignificante. Tão fraco que mal conseguia tocar o problema. Até aquele momento, além de si mesmo, poucos tinham solução. Mesmo que ele pudesse usar anos de contato com deuses antigos para identificar suas origens, ainda não encontrara uma boa maneira de lidar com aquela criatura terrível. "Rápido, precisamos chegar antes dele." "Antes de quem?" perguntaram Mirca e Griffin. Naquele breve instante, Mirca percebeu que o jovem mestre possuía uma sabedoria e determinação que nem o antigo senhor tivera, e suas pesquisas já haviam alcançado um nível que ela não conseguia compreender. "Antes do fim do mundo chegar." Sean respondeu, virando-se. Por toda a rua, inúmeras pessoas se ajoelhavam em direção ao templo, esperando que sua devoção comovesse o deus do sol. Diante do desastre, tudo que podiam fazer era rezar! .................... Ao retornar ao palácio, os nobres e ministros no grande salão já estavam exaustos e descansando. O salão agora estava mais informal que antes; muitos ministros, com sono, dormiam diretamente nos bancos. Dias se passaram sem notícias. E a situação atual não permitia que voltassem para casa; só podiam esperar no salão. Quando Sean entrou correndo, até o Rei Sol ainda descansava de olhos fechados. "Tio!" Um grito despertou a maioria ao redor. O salão escuro se iluminou novamente. "Sean? Você voltou." Dois dias antes, ele já havia mandado chamá-lo, pois o palácio era o lugar mais seguro, mas Sean insistiu em ficar na Torre do Mago buscando pistas. Agora, toda a nação esperava sua resposta, e com tantos problemas, ele deixara Sean fazer o que queria... "Encontrei onde o inimigo está." As palavras de Sean fizeram muitos ministros perderem o sono. "O príncipe sabe a causa da escuridão?" Tanto os ministros quanto os nobres, e até seus irmãos, olharam para ele. "Sim." Sean disse firmemente. "Onde estão?" "Bem acima de nós!" Todos olharam confusos para o teto. "Venham comigo..." Levando os ministros e a família real para fora do salão, muitos guardas os seguiram. O local era amplo, a mesma área onde o dragão pousara no primeiro dia em que chegou a Jaggon. "O inimigo está nas nuvens negras acima de nós, habita o céu... foi ele quem cobriu o sol, mergulhando tudo na escuridão." Sean apontou para o céu. Todos ergueram os olhos para o céu escuro. Só viam os cavaleiros de pterossauros voando ao longe. Os cavaleiros tinham pequenas luzes, mas o céu mais alto era só escuridão. "Lá... o que haveria?" Soava estranho, mas incrível. Um inimigo no céu, mas por que não aparecia... e com tantos cavaleiros de pterossauros voando? "Eu também vi, Majestade. O príncipe usou um método especial antes e encontrou um." Disse Griffin. Naquele momento, o mago da corte respeitava Sean não só pela posição, mas também pela habilidade! "E como o encontramos?" perguntou o Rei Sol. Como encontrar. Essa era a questão. Comprimir o ar em alta altitude era ridículo. Ninguém tinha tanto poder, pelo menos ele não... e provavelmente nem os magos da corte. Comprimir todo o ar acima, com densidade tão variável, era impossível chegar ao ponto crítico, e também não dava para gravar círculos alquímicos no alto. Para fazê-los aparecer, só havia outro método. Fogo! O fogo era a fraqueza! "Usem magia de fogo. Preciso que todos os magos da corte mais fortes subam em pterossauros e conjurem, atacando uma grande área com chamas. Mesmo que não acertem, não importa. O objetivo é queimar o ar e inflamar todo o entorno." Ainda achando insuficiente, Sean sugeriu que Clod fosse chamado. Usassem canhões para atirar para o alto, só projéteis incendiários! Mesmo que não alcançassem longe, não importava. O entorno já devia estar cheio de monstros de outro plano. Se o ar queimasse, combinado com a magia dos magos, a criatura apareceria. Pelo que vira ao invocar parte do corpo com magia de baixo nível, aquela coisa devia conseguir atravessar planos. Só não saía porque estava se escondendo. E o que ela temia, só Sean sabia! "Não pode. Isso faria faíscas queimarem casas de parte da população." Murtagh disse de repente atrás. "Se não fizermos isso, seremos destruídos em chamas maiores em breve." O olhar firme de Sean fez o outro hesitar. "Então..." Murtagh não ousou contestar, pois não encontrava argumentos. Quanto aos ministros, embora quisessem se opor, vendo a seriedade e certeza de Sean, resolveram tentar. Senão, não saberiam quando teriam notícias. "Façam como Sean disse." O Rei Sol finalmente ordenou. Rapidamente, Clod posicionou canhões nos picos das torres mais altas da cidade, conforme o plano de Sean. Quanto aos magos da corte, quase todos acima do nível 13 foram escolhidos, cerca de cem a duzentos, posicionados em diferentes lugares... Com um sinal erguido diante do palácio. Primeiro, os canhões ecoaram por toda a cidade... Muitos moradores ergueram os olhos. Ensurdecedor, até os que adoravam pararam. Em seguida, os magos da corte lançaram magias de fogo simultaneamente para uma área central. Boom, boom, boom~ O céu noturno escuro foi iluminado como o dia. Sean apertou os punhos, esperando que o método funcionasse. O estrondo durou cerca de um minuto... Quando os magos terminaram o primeiro ciclo e se preparavam para o segundo, um relâmpago surgiu no céu escuro. Sem trovão, apenas o relâmpago. E na luz do relâmpago... Uma criatura imensa, grande o suficiente para cobrir toda a cidade, apareceu na sombra... Rugido~ Como uma besta de quatro patas, ereta no alto, o corpo como um casco de tartaruga, o ventre enorme inchado como uma aranha. Incontáveis tentáculos desconhecidos se contorcendo pelo corpo... Tinha até um terceiro par de mãos. Como um humano gigante, de mãos postas, rasgou violentamente a fenda do espaço. Rugido~ O som era ainda maior. Mas, naquele instante, uma luz surgiu no céu. Onde a escuridão se abria, a luz vinha. Porém, o que apareceu na fenda iluminada fez todos os cidadãos da cidade se arrepiarem. Era uma cabeça, ou algo parecido com uma cabeça. Os cabelos no topo eram tentáculos se contorcendo, o rosto todo achatado. Cheio de olhos de todos os tamanhos, densamente espalhados.