"Se houver qualquer problema durante o processo, podem me avisar. Claro, podem agir com confiança, estou atrás de vocês." — garantiu Sean aos dois.
Ter o príncipe como apoio era uma proteção absoluta para eles.
Embora ainda não estivessem familiarizados com o ecossistema político de Jagon, durante este pouco mais de um mês, ficou claro que os membros da realeza eram intocáveis aos olhos de todos, e os nobres comuns não ousavam questionar suas decisões.
O único possível obstáculo seriam seus dois irmãos mais novos, mas eles estavam se comportando ultimamente, especialmente porque Sean não se envolveu no caso do Bando Dourado do Deserto, enquanto os dois estavam bastante ativos recentemente.
Ambos queriam se destacar na estratégia de resposta ao assédio do Bando Dourado contra os países do sul!
"Fique tranquilo, irmão Sean. Vamos nos apressar para concluir." — disse Claude.
Ao chegar em Edak, ele também vestiu a túnica longa típica da região desértica, parecendo um verdadeiro nativo de Edak.
"Hoje vocês acabaram de chegar, então à noite jantem comigo e aproveitem para conversar sobre os assuntos da cidade de Oro."
Afinal, Oro foi a primeira grande cidade que Sean realmente governou, e todo o planejamento e desenvolvimento da região foram conduzidos por ele mesmo. Mesmo agora, longe, sentia certa saudade.
Era como uma terra natal.
Em comparação, sua afeição pela vila de Tylermian não era tão forte.
Pediu a Illya que preparasse um jantar improvisado...
Sean conversou bastante com os dois sobre os planos das fábricas, e a ideia inicial ainda era a mesma de Oro, pois só tinham aquela experiência.
O único fator diferente a considerar era a situação em Edak: o horário de descanso dos edakianos era diferente do de Zambutar, e o povo da região nordeste, de constituição forte, seria a melhor mão de obra, mas também tinha um temperamento difícil.
Lembrando-se, aquele povo devia ser o mesmo dos comerciantes que Sean vira no Império Basharan: morenos, fortes e altos, quase o dobro de uma pessoa mais magra.
Como a região nordeste era muito árida, quase todos os recursos de Edak se esgotavam ali, fazendo com que o povo dali viajasse pelo mundo para sobreviver, fixando a imagem de Edak na mente de muitos.
Os três conversaram até tarde...
Illya e outras servas trocaram os pratos na mesa várias vezes.
Normalmente, Sean quase não bebia, mas hoje tomou várias jarras.
Estava feliz, e aproveitou para ouvir a opinião dos dois sobre liderar a industrialização de Jagon.
Quanto a Jokri Weijie, Sean não o conhecia antes, nem sequer ouvira seu nome. Toda a impressão que tinha vinha das histórias contadas por Baniel e Ratina.
Um mecânico que, para os comuns, poderia ser chamado de gênio, cuja família trabalhara com isso por gerações. Só que, na geração dele, não se contentou em viver tranquilamente num lugar pequeno e escolheu seguir uma companhia mercenária em viagens.
Quem diria que, embora a equipe de Baniel fosse competente, também era bastante relaxada.
"Príncipe, acho que é complicado montar tudo em poucos meses... Não conhecemos os equipamentos e matérias-primas da região, e o processo de entendimento levará muito tempo." — disse Jokri, já meio embriagado, começando a falar mais.
"Sei que é difícil, por isso estou entregando a vocês. Mas podem ficar tranquilos quanto ao pessoal: vou designar alguns ministros competentes para ajudá-los. Eles podem fornecer informações sobre minérios e ervas medicinais, e depois é só seguirem seu próprio ritmo."
Sean já estava em Jagon há muito tempo e conhecia bem alguns ministros importantes.
Especialmente Lubin e Melsusa, que podiam ajudar nisso. Se não desse certo, ainda havia a Grande Sacerdotisa.
Embora não tivesse cargo oficial, o Templo do Sol era uma entidade especial em Edak. A produção em massa de ervas medicinais poderia ajudar mais pessoas, e Sean já planejava que o primeiro lote fosse para o Templo do Sol.
Usar a fama deles de salvar vidas não só aumentaria sua posição entre o povo, mas também faria propaganda indireta para si mesmo.
Era a escolha ideal.
"Já que o príncipe organizou tudo, com certeza seguiremos suas ordens e faremos o melhor."
Deu um tapinha no ombro do outro.
"É assim que se faz!"
....................
Depois de se despedir dos dois, Sean voltou ao escritório. Hoje não tinha mais energia para olhar aquelas coisas, então foi cedo para a cama e dormiu profundamente.
Do outro lado,
Illya mandou arrumar a sala de estar já tarde da noite.
"Vão descansar, senão amanhã cedo terão que acordar cedo." — disse ela para as duas servas à sua frente.
Como empregadas do palácio, o trabalho diário não era menos que o dos guardas. Além de cuidar dos príncipes, havia tarefas grandes e pequenas, como limpeza e limpar mesas, tudo precisava delas.
Se tivessem sorte de se tornar servas pessoais de algum príncipe ou princesa, poderiam ter uma vida mais leve; caso contrário, era cansativo!
"Então vamos indo, irmã Illya."
"Hum. Vão logo!"
Acenou para que as duas fossem.
"A propósito, irmã Illya, vi o príncipe ir para o escritório há pouco. Ele não vai ler de novo, vai?"
"O príncipe costuma ficar até tarde, mas hoje não deve. Do jeito que ele está, não consegue ler." — disse Illya.
"Você tem sorte, irmã, de estar ao lado do príncipe mais velho. Diferente de nós... só servimos como empregadas."
"Quem não é empregada? Até invejo vocês! Têm tempo para visitar a família." — respondeu com um tom de queixa.
Com sua alta inteligência emocional, Illya, em pouco mais de um mês, já tinha boas relações com várias servas, e até alguns guardas e oficiais do palácio a conheciam.
Depois de se despedir das duas, Illya, preocupada, foi até o escritório dar uma olhada.
Silêncio total,
Precisava andar leve.
A luz do cômodo já estava apagada, e ouvia-se um ronco pesado.
Nunca tinha visto o príncipe beber antes... Chegou silenciosamente ao quarto atrás do escritório, onde ele estava deitado.
"Príncipe~"
Tapou a boca e chamou baixinho.
Sem resposta, então estava realmente dormindo.
Ajoelhou-se no chão para tirar os sapatos de Sean, que estava deitado sem nem ter tirado os sapatos.
"Hm... I..."
Assim que mexeu, Sean resmungou na cama.
Parou, olhou para ele.
"Príncipe, o senhor bebeu demais." — disse baixinho.
"Hm... hum... vai... dormir." — provavelmente nem ouviu direito o que dizia.
Tirou os sapatos rapidamente e se preparou para sair, quando de repente lembrou de algo. Voltou e se ajoelhou na frente de Sean.
"Príncipe, qual é o nome daquele mentor que o senhor disse que se parece comigo?"
Se não fosse por vê-lo bêbado hoje, Illya provavelmente não ousaria fazer essa pergunta.
"Hm... I..."
Aproximou o ouvido, mas não conseguia entender.
No fim, desistiu...
Na verdade, Illya sempre teve uma curiosidade: o príncipe disse que a comprou porque seu cabelo branco como neve lembrava o de seu mentor.
Uma bruxa ou feiticeira de cabelos brancos.
Ela realmente tinha visto uma...
E era uma figura muito poderosa, famosa no sul de Edak, mas também com muitos nomes ruins, a ponto de o povo não ousar discutir sobre ela.
A única coisa elogiada nela era a beleza, e seu nome parecia ser Elísis.