Capítulo 318: Capítulo 318 Ameaça

Ao ver tantos pterossauros voando, os guardas imperiais na porta da capital jamais tinham presenciado uma cena assim. — General, olhe ali, também tem por lá... As presas e garras afiadas dos enormes pterossauros começaram a deixar os soldados nervosos. Muitos sabiam que as tropas de Jagon estavam acampadas fora da cidade, justamente porque suas unidades aéreas não podiam entrar na cidade. Além disso, como aliados, o exército da capital não dava muita importância à presença deles. Mas, de repente, por que estavam surgindo e investindo contra a capital?! — Eu sei, não se assustem! O general da guarda imperial parou os soldados ao redor, fazendo com que todos se acalmassem. Contudo, mesmo que os soldados estivessem tranquilos, o comandante encarregado de proteger o portão ainda não ficava sossegado. As tropas do Rei Sol não eram aliadas? Não tinham vindo com a permissão do rei? Por que, de repente, estavam investindo contra o palácio? — Acenem as bandeiras e gritem, quero perguntar pessoalmente ao líder deles... O comandante estava prestes a mandar os soldados chamarem os aliados nos pterossauros para descer e conversar, mas, assim que terminou de falar, um rugido estridente ecoou novamente sobre o palácio. — Parece que aquele dragão os está chamando — disse um oficial ao lado. Que outro dragão poderia estar sobre o palácio senão os dois que comandavam o exército inimigo? — O palácio deve estar em apuros, não os deixem passar... Os outros, venham comigo de volta ao palácio. — Foi só então que o comandante sentiu que algo estava errado. O comandante inimigo reunir as tropas no palácio era um grande tabu, podendo até causar uma guerra entre nações. — Barrem-nos, não os deixem passar! O incidente foi tão repentino que quase ninguém estava preparado para reagir. A guarda imperial só pensou em alertar, mas as tropas do Rei Sol não obedeceram. Os pterossauros mergulharam em linha reta, cravando suas garras afiadas nas muralhas. Com um pouco de força, arrancaram pedras do tamanho de bacias. Qualquer soldado que tentasse avançar para impedi-los recuava instintivamente alguns passos ao ver o corpo enorme dos pterossauros. Rugido~~~ Gritos ecoaram por toda a capital de todos os lados, e muitos cidadãos colocaram a cabeça para fora para ver. Todos sabiam que as tropas do Rei Sol haviam chegado, mas não sabiam como eram... Dizia-se que aquele exército invencível na linha de frente agora estava sobrevoando a capital. Milhares de pterossauros convergiram de todas as direções para o palácio. Aquela imponência estava muito além do que a guarda imperial de Bashalan poderia alcançar... Muitos curiosos pensaram que era um desfile militar dos aliados, e vários cidadãos acenaram para o céu. .................... Os rugidos dos pterossauros ecoaram sobre o palácio, e até dentro do grande salão era possível sentir inúmeras pedrinhas caindo. — Você... o que está tentando fazer! Comandante Melsusa, quer ameaçar nosso rei com o exército? — E daí? Melsusa rebateu. — Você... O arco já estava esticado, e o teto do salão parecia prestes a desabar... — Esperem um pouco. — Finalmente, Sean se dispôs a falar. Com uma mão sobre o peito, Melsusa e Ben Tali se curvaram a ele ao mesmo tempo. Ainda parecia um sonho... A mudança de identidade foi tão repentina que Sean mal conseguia se adaptar. Sua mãe era realmente a imperatriz de Jagon? E por que ela tinha vindo ao Império Bashalan? Mas não havia tempo para discutir isso agora; o rei Simon à sua frente era o ponto crucial. — Ainda somos aliados, afinal. Se começarmos a lutar assim, os soldados na linha de frente ficarão apreensivos... Acho que o rei Simon também não quer ver isso. — Com a identidade subitamente elevada, Sean pôde chamá-lo pelo nome. Quem governa um império não é tolo; mesmo que o fosse, seus conselheiros não seriam. Caso contrário, como o país se sustentaria? Os nobres olharam para o rei Simon, como se esperassem sua resposta... — Então, Sean Viger... não, príncipe Sean Yzdihar. — Apesar do estado de [Relutância!] pairando sobre sua cabeça, como rei, ele precisava priorizar seu país, mesmo que tivesse que reconhecer uma identidade repentina. — O que você sugere? — Pouca coisa. Continuarei enviando soldados para lutar na linha de frente... — Ao dizer isso, ele olhou intencionalmente para Melsusa ao lado. Eles não se conheciam bem, mas, já que ela reconhecia sua identidade, precisava confirmar se obedeceria às suas ordens. A resposta foi que todos ao redor assentiram. — Até que os bogos se retirem completamente do território de Bashalan. Ao mesmo tempo, renunciarei à recompensa exigida pelo exército de Jagon. Ao ouvir isso, os lordes que estavam furiosos mudaram de atitude instantaneamente, alguns até mostrando [Expectativa!] e [Alegria!]. Melsusa ia falar, mas Sean a interrompeu... — Mas as perdas das tropas realmente precisam ser compensadas. Gostaria que a região de Oro fosse cedida a mim, para pertencer a Jagon. O que acham? Assim que mencionou a cessão de terras, alguém certamente se oporia. Por isso, ele primeiro ofereceu a isenção do pagamento, para pelo menos dar um gostinho aos lordes do sul. — Isso não pode! Nem um palmo do território de Bashalan pode ser perdido. Para o império ceder terras, teriam que nos exterminar primeiro — disse o mensageiro à frente, insatisfeito. Mal ele terminou de falar, um pterossauro pousou atrás da porta quebrada do salão. Seu corpo enorme quase bloqueava toda a entrada... E, através do local destruído pela magia, era possível ver mais dragões circulando no céu. Se todos atacassem, o destino do palácio, ou melhor, de toda a capital, era previsível. Os guardas imperiais comuns não eram páreo para essas feras voadoras. Mesmo que magos de alto nível interviessem, as tropas inimigas não eram fracas. Na linha de frente, Bashalan dependia totalmente dos dragões e bois de ferro dos aliados para lutar. Vendo os guardas querendo agir, o rei Simon os deteve... O destino do império vinha antes da honra. Por mais humilhante que fosse, o país adversário era mais forte! E ele nunca imaginaria que o príncipe do deserto estivesse no império. — Sua proposta é construtiva, mas preciso de um tempo para pensar. — Claro, o rei tem tempo de sobra para considerar... Pelo estado do rei, Sean sabia que ele já havia concordado. Afinal, o Império Bashalan, após mais de meio ano de guerra, já não tinha muito do que se orgulhar. Recusar-se a ceder era apenas manter a aparência de um grande império do passado. No final, eles aceitariam. Se não aceitassem, Sean teria que recorrer a ameaças. Dito isso, ele saiu do salão com Melsusa e Ben Tali, dando-lhes tempo para discutir, mas não muito. Ao passar por Freylia, Sean evitou intencionalmente falar com ela, apenas trocando um olhar. Não era apropriado conversar naquele momento, pois seria ruim para Freylia. Na porta, ele olhou para os milhares de pterossauros no céu. Era a primeira vez que Sean via bestas tão enormes, criaturas de uma região desconhecida, e ele, por acaso, era da realeza daquela região. Tudo mudou tão rápido... Até agora, parecia irreal.