**Guilda de Mercenários da Cidade de Ouro.**
Não importa o horário, é sempre um dos lugares mais movimentados da cidade; basta entrar para ser engolido pelo mar de gente no meio da multidão.
Em um canto perto do quadro de missões, um grupo de mercenários estava entediado, sentado e olhando para o nada.
— Diga alguma coisa. — O homem largou o copo, com um olhar preguiçoso para seus companheiros.
— O que você quer que eu diga? Já faz três dias que não pegamos nenhuma missão. Se não aceitarmos uma logo, vamos morrer de fome!
Os quatro olharam para o prato sobre a mesa, onde só restavam alguns pães secos.
— Ainda não acabou, não é?
— Mas assim não dá para o mês inteiro.
— Que tal esperarmos mais alguns dias? Ando sem energia, só quero dormir, e as missões recentes estão muito perigosas. — Ouvindo a voz preguiçosa da garota à sua frente, o homem ergueu levemente a cabeça.
O grupo foi formado há três meses. Originalmente eram cinco, mas agora só restavam quatro. Eles costumavam atuar em cidades do norte, mas como as missões eram escassas e o pagamento baixo, mal dava para os cinco sobreviverem. No entanto, após o incidente em Tacoma, uma enxurrada de mercenários do sudeste invadiu a região, reduzindo ainda mais os ganhos e, para piorar, elevando o custo de vida local.
Isso foi demais para os cinco, que já viviam no limite da pobreza, a ponto de não conseguirem mais pagar o aluguel.
Felizmente, ouviram dizer que Ouro City estava em construção, com um padrão de vida ainda baixo, e que, após a expansão, a população era pequena e os aluguéis muito baratos. Então decidiram mudar sua base para lá.
No primeiro mês, até que foi bom.
Só que...
Depois de pegar algumas missões de recompensa grandes, o hábito preguiçoso do grupo voltou. Já fazia vários dias.
O mecânico original do grupo já tinha ido embora, restando apenas as três garotas à sua frente.
Barnier olhou para as três, debruçadas sobre a mesa, de costas para o sol, e suspirou.
Ah...
Virou a cabeça e observou os outros grupos na guilda, quase todos ocupados subindo de nível ou escolhendo as próximas missões.
Lembrava que os mais velhos sempre diziam que mulheres são mais diligentes. Por isso, quando montou o grupo, escolheu um com três garotas. Agora, olha só: elas são piores que a garçonete do bar da guilda.
— Você estava olhando para a garçonete, não estava? — De repente, uma voz interrompeu os pensamentos de Barnier.
— Hã? Não, nada disso.
— Eu vi! — A garota à sua frente arregalou os olhos.
Para ser sincero, suas três companheiras não eram feias. Talvez fosse o convívio diário que o fizesse não reparar mais na beleza delas. O grupo tinha uma feiticeira, uma guerreira e uma alquimista. Ele era um patrulheiro, e com o mecânico que partiu, a formação era muito boa.
Só que agora virou isso.
— Você estava olhando para os seios dela, eu vi.
— Barnier sempre foi um tarado, não é normal? — Disse outra garota.
— Ei, pelo menos somos um time, e vocês me tratam assim?
Vendo o olhar de desprezo das três garotas.
— Tudo bem, vamos resolver logo o problema da fome, isso é o essencial. Se não, por que você não se casa com um comerciante rico? Arranca um bom dote, e na noite de núpcias a gente te resgata e foge. Assim teremos dinheiro para ir trabalhar em outra cidade. — Barnier de repente olhou para a garota de cabelos negros como corvos.
— Isso não dá.
— Acho a ideia boa. Resolve nossa fome e ainda te dá uma amostra de como é casar. Você não vive dizendo que quer se casar? — Disse Barnier.
— Mas não pode ser assim, tão de qualquer jeito. Só caso se todos os bens forem transferidos para o meu nome! — A garota respondeu de repente.
Os outros três a olharam com desprezo.
— Falando nisso, Latina, você já está em idade de casar. Por que não arruma um marido? Com seu jeito, talvez conseguisse até uma boa herança. — A garota olhou para a outra ao seu lado.
Era o padrão das garotas do sul: cabelos loiros e olhos azuis, mas Latina tinha um corpo mais curvilíneo.
— Por que eu? Você não disse que queria um comerciante rico que te desse a herança?
— Podemos formar um time! Quem sabe a gente engana todos os comerciantes da rua inteira! — A garota de cabelos azuis disse animada.
— E aí não seríamos procurados pela guarda?
— Hmm, provavelmente sim. Mas se eles deram de livre vontade, não deveria...
Barnier viu as duas começarem a inventar histórias de novo. Quando não tinham o que comer, os quatro costumavam se distrair assim. Ele apalpou as poucas moedas no bolso, o suficiente para uma semana de vida.
Olhou para a bela garçonete que servia as mesas.
Não sabia quando conseguiria se estabelecer e casar em Ouro City. De todas as cidades do sul, Ouro City tinha os preços mais baixos; senão, só restava ir para o interior, onde as guildas tinham poucas missões.
Enquanto os quatro se lamentavam, o responsável pela guilda entrou correndo pela porta.
— Grande notícia! Grande notícia!
Todos no salão olharam para ele.
— Chegou uma notícia do Palácio do Conde! Dizem que ontem à noite um assassino tentou atacar o Conde e foi pego. O corpo está pendurado na Praça Central! — O homem entrou gritando.
Conde?
Conde Sean Weigel.
O lorde de Ouro City?!
O nobre mais sortudo?
Num instante, o nome veio à mente de todos.
— Conde Weigel...
Barnier olhou para o quadro de missões, onde começavam a aparecer novas tarefas.
— É o Conde Sean. Ah, vou dar uma olhada! — A garota loira se levantou de repente e correu para o quadro.
— O que houve com ela?
— Parece que Latina mudou de alvo para o Conde Sean. Ele é o único nobre do sul que não é casado, tem a posição mais alta e é muito jovem. — Disse a garota de cabelos azuis.
— Hã? — Barnier ficou de cara feia.
— O alvo anterior não era o Príncipe Philip?
— Esse é muito distante. Latina acha que o Conde é melhor, e ele tem muitas histórias interessantes.
Vendo todo mundo se aglomerar no quadro, os três também foram dar uma olhada.
**Última Missão:** O inimigo que atacou o Palácio do Conde já foi executado, mas pode haver cúmplices escondidos em Ouro City. Se forem encontrados e denunciados ao Quartel-General da Guarda, haverá recompensa. Se forem mortos, também haverá recompensa. **Prêmio: Moedas de Ouro.**
Abaixo, vinha uma descrição dos inimigos, e no final, o nome: **Exército Revolucionário Rebelde.**
— São pessoas do Exército Revolucionário! Que ousadia!
— Mas eles não atuam no norte? Por que vieram parar aqui?
Na guilda, as pessoas não paravam de especular.
Barnier também ouviu a notícia da missão de recompensa. Bateu o copo na mesa.
— Cuidado! Você espirrou água em mim!
— Desculpa, desculpa! É que estou muito feliz. Nossa chance chegou!