Capítulo 160: Capítulo 160: O Passado

— O senhor está perguntando pela senhora? Deixe-me pensar... — Kalibo estava diante de Sean e Ignya.

Ambos seguravam o retrato e foram perguntar ao velho mordomo. Se havia alguém naquela casa que conhecesse melhor as histórias da geração passada, era aquele velho mordomo, que servia à família Wigor desde os tempos do avô de Sean.

Observando as mãos trêmulas de Kalibo pegarem o quadro que Ignya segurava...

Sempre ouviram em casa que o Barão Wigor da geração passada adorava pinturas a óleo, a ponto de, na época, o subsídio nacional e o Conde Hamilton trazerem alguns quadros, e também pintarem retratos para a família.

— É este retrato... — A mão calejada acariciou suavemente a borda, e havia lágrimas nos cantos dos olhos.

— Agora entendo por que o patrão gostava tanto de pinturas a óleo naquela época. Realmente. Depois de tantos anos, ainda nos faz lembrar daqueles dias... Já faz tanto tempo...

— ... Naquela época, veio um viajante, diziam que tinha muito talento para pintura... O senhor ainda não tinha nascido! Foi na época em que o patrão acabara de conhecer a senhora, e mandou pintar este quadro... hahaha...

A risada soava um pouco envelhecida.

Kalibo já era muito velho, o mais idoso da casa.

Às vezes, falava e agia com confusão, e Sean raramente pedia que ele fizesse algo, mas ele sempre insistia em fazer sozinho.

Não havia jeito, no inverno, pensava que se movimentar um pouco era bom...

Mas, falando nisso, seu corpo era muito robusto, andava com firmeza apesar da idade avançada.

— Quando a senhora partiu, o senhor ainda era pequeno, talvez três ou quatro anos, provavelmente não se lembra dela. — Ele olhou para Sean.

Na verdade, Sean mal se lembrava dos seus dez anos, pois ter memórias de dois mundos às vezes causava confusão... Como, certo dia, um menino observando o nascer do sol em uma torre de mago na neve, ou sonhando com uma bruxa avistada do alto de um arranha-céu.

Mas, pensando bem, de onde viria uma torre de mago na vida passada? E em Taylemian, onde haveria torres de mago? Quanto aos arranha-céus, era ainda mais absurdo.

Então Sean achava que era a confusão das memórias dos dois mundos se misturando... Nos sonhos, via cenas que parecia lembrar, mas, ao pensar bem, nunca tinha visto. Era normal, lembrava-se de ter lido reportagens semelhantes na vida passada.

Provavelmente, porque os 'eus' dos dois mundos tinham situações parecidas, e, ao se fundirem, surgiam essas cenas que ultrapassavam o tempo e o espaço.

— E por que ela partiu? — Sean perguntou por iniciativa própria.

Desde que Ignya encontrou aquele retrato, Sean sentia uma sensação muito peculiar.

Em teoria, os pais daqui também poderiam ser chamados de 'pais', mas ele sempre usava o nome da família Wigor.

O que era a tal herança...

Sangue, nome, ou fragmentos deixados na boca e na memória dos outros...

Enfim, ele também queria saber, como se pudesse encontrar um senso de pertencimento nisso.

— Lembro que perguntei ao patrão na época, e ele disse que a senhora queria voltar à casa dos pais, mas, depois que partiu, nunca mais voltou... Naquela época, o senhor não parava de chorar, e, embora o patrão tentasse consolá-lo, eu sabia que ele também chorava à noite. Por isso, ninguém ousava tocar no assunto, e, com o tempo, simplesmente pararam de mencioná-lo.

Não era à toa que Sean, desde que chegara àquele mundo, só ouvia falar do Barão Wigor da geração passada ou da anterior. Já que a família tinha tantas gerações, a parte feminina também deveria ter alguma história, mas quase nunca se ouvia algo parecido.

— Então... ela não era da cidade? — Sean continuou perguntando.

Kalibo balançou a cabeça firmemente.

— Não!

— A senhora veio de fora. Na época, uma tempestade caiu sobre a cidade. Ouvi dizer que um grupo de mercenários não desceu da montanha, e o patrão foi pessoalmente com outros procurá-los... Naquela noite, estava muito escuro, e só quem conhecia bem a montanha ousava subir. Sem tochas, usávamos lanternas manuais e íamos devagar, passo a passo...

Kalibo contou a história de mais de vinte anos atrás. Na época, o Barão Wigor subiu a montanha com outros e, no fim, encontrou a aventureira perdida. Na verdade, era só uma pessoa, que mais tarde se tornaria a mãe de Sean.

— Naquela época, o patrão trouxe a pessoa para casa para se recuperar, e, aos poucos, descobriu que era uma moça muito bonita. — Ao dizer isso, Kalibo também sorriu.

Naquele período, era quase como a história de um rapaz do interior encontrando uma bela moça.

Um era um barão local, a outra, uma garota desconhecida, mas muito bonita...

— Na época, todos percebíamos que a senhora era especial, mas não sabíamos explicar o quê. Nenhum de nós tinha visto uma dama nobre, mas depois achamos que devia ser... No entanto, mesmo quando a Srta. Aelia Hamilton veio, achei que sua aura não se comparava à da senhora.

— Talvez o patrão tenha sido atraído por essa aura e a cortejou incessantemente. Quando ela estava prestes a partir, ele finalmente criou coragem e se declarou.

Claro, o resultado foi bom.

Senão, Sean não teria vindo ao mundo...

— Se era assim, por que ela partiu depois?

— Não sei ao certo. O patrão só nos disse que a senhora queria voltar à casa dos pais. Pensando bem... Eles viveram juntos por alguns anos, e, depois que o senhor nasceu, passaram mais três ou quatro anos sem que ela voltasse. Era compreensível que quisesse voltar.

— Mas o que me intriga é por que o patrão não foi junto na época, e também não foi atrás depois. — Kalibo, embora fosse o mordomo da casa, não ignorava completamente os sentimentos dos patrões.

O Barão Wigor da geração passada nunca saiu de Taylemian até morrer. Sean já tinha reclamado disso muitas vezes, mas agora parecia que não era tão simples.

Se eram tão apaixonados, por que não ousou ir atrás?

Ou será que aconteceu algo mais... Na cabeça, ele se lembrou da primeira vez que viu aquele mundo: o pai na cama, pedindo que ele continuasse a linhagem dos Wigor.

Hoje, ao ouvir essa história, aquela frase, ao ser lembrada, parecia ter um outro significado.

— Nia, venha comigo.

Puxando Ignya, ele correu novamente para o quarto no andar de cima.

Kalibo ficou olhando para os dois, e Ignya ainda acenou educadamente para ele...

— O que vamos procurar?

Ao chegar ao quarto do Barão Wigor da geração passada, Sean começou a revirar gavetas e armários.

— Procurar outras pistas, qualquer coisa... Cartas ou diários.

Os dois procuraram por um bom tempo, mas não encontraram nada além do retrato. Desde a morte do Barão Wigor da geração passada, ninguém mais entrara ali. Muitas coisas ainda estavam na disposição original, até a pena sobre a mesa não tinha sido guardada, ainda estava como o barão a deixara.

A ponta da pena já estava ressecada, e o papel sobre a mesa não tinha muitas palavras significativas.

— Que tal irmos procurar na montanha?

— Hã?

— Em Taylemian, sempre houve uma tumba antiga que muitos magos exploram.