Capítulo 119: Capítulo 119: Rumores de Demônios

Dez dias! Embora o tempo ainda seja longo, na prática, ter um período de recuperação significa que a pessoa já está entrando na fase de recuperação. Assim como uma febre ou resfriado, a doença não melhora de repente. Precisa de alguns dias, mas durante esses dias, o paciente já consegue se movimentar gradualmente de forma normal. — Onde... estou!? — O soldado, um pouco recuperado, olhou surpreso para Fréllia e os outros à sua frente. Fréllia e Sohanna podiam ser consideradas bonitas, do tipo que facilmente desperta desejos... — Esta é a cidade de Rietis, a residência do Príncipe Filipe. De onde você veio, soldado? — Percebendo o olhar do homem, Fréllia falou com um tom claramente irritado. Depois de lançar mais uma habilidade nele, levantou-se e foi para perto de Shawn. — Residência do Príncipe Filipe! — O homem arregalou os olhos, com um estado de [Choque!] sobre a cabeça. Ele olhou ao redor, e os nobres e magos ao redor também o observavam. Claramente, a loucura anterior dele havia cessado... — É realmente magia! — Alguém entre os magos comentou. — Como o senhor percebeu, Barão Weigel? — O tom de voz com Shawn de repente se tornou muito mais suave. Já o nobre de bigode que sempre ficava ao lado do príncipe parecia muito [Insatisfeito!], mas era apenas um estado interno, não demonstrado externamente. — Não percebi, mas estou convencido da verdade deste mundo. — Shawn virou-se e sorriu para os que perguntavam. — Energia mágica não é eterna, essa teoria é interessante! — Ashur murmurou para si mesmo. Todos os magos entraram em estado de [Reflexão!], até Sohanna os acompanhou. No entanto, o Príncipe Filipe não estava preocupado com questões de magia naquele momento. Ele foi diretamente até o soldado, que estava gradualmente recuperando a consciência. — Sou o Príncipe Filipe, de onde você vem, soldado? Por que ficou assim? E a região sudeste... — Fez uma série de perguntas. Mas para o soldado que acabara de acordar, ainda havia efeitos mágicos de [Loucura~] sobre ele, mantendo estados negativos como [Confusão!] e [Pensamentos confusos!]. O nome do Príncipe Filipe já havia sido repetido muitas vezes, mas ele ainda parecia não entender. Shawn conhecia bem esse estado de confusão; ele próprio já havia sofrido danos mágicos semelhantes, quase como estar bêbado. Conseguia ver e ouvir, mas era apenas instinto, incapaz de concentrar a mente para pensar... Era como se, ao fechar os olhos, o mundo girasse; precisava se forçar a manter a mente, senão poderia realmente vomitar! — O efeito mágico dele ainda não deve ter desaparecido completamente, talvez devêssemos removê-lo novamente. — Shawn olhou para Fréllia ao lado, que revirou os olhos. — Eu cuido disso! Nesse momento, Ashur se adiantou. Como maga da Torre de Eilinta do sul, com capacidade de nível 11 de Ordenador, sua magia não era fraca. Além disso, na conversa anterior, Shawn achou que Ashur era mais profunda em certos estudos do que Fréllia, como no caso do Olho do Caos, que ela não lembrou de imediato. Foi só alguns dias depois, quando Shawn mencionou o assunto, que Fréllia correu para consultar os registros... e depois ainda disse que teve sorte de não ter acontecido nada pior. Já faz tanto tempo, sorte ou não, que diferença faz. Observando a magia calmante de Ashur sendo aplicada continuamente, a duração do efeito [Loucura~] no soldado diminuía aos poucos. Quando restavam apenas algumas horas, a mente dele finalmente se recuperou. Exceto por um pouco de [Fome!], todos os estados negativos desapareceram. — Como está se sentindo agora, soldado? Pluft~ Ele caiu de joelhos no chão. Parecia que seus pensamentos estavam voltando ao normal, e diante de tantos nobres e grandes magos, só podia se ajoelhar. — Levante-se, soldado. Conte-nos sua situação... — O Príncipe Filipe perguntou com preocupação, mas Shawn notou que sobre a cabeça dele apareceu o estado de [Impaciência!]. Heh. Parece que esse príncipe também se reprimia bastante no dia a dia. — Eu... sou da guarda do Visconde Francisco... — O soldado começou a falar lentamente. Parecia ter dificuldade em se lembrar, não se sabia quanto tempo ele havia suportado o estado de [Loucura~], e levava muito tempo para dizer algumas palavras. Muitos nobres ao redor o apressavam, mas só não gritavam porque o Duque e o Príncipe não haviam falado nada. Na descrição do soldado, na região sudeste, quase da noite para o dia, toda a cidade ficou anormal... — Que tipo de anormalidade? — É... algo muito incomum... O soldado parecia não ter estudado muito, sua descrição era ruim. Várias vezes deixou os nobres [Impacientes!]. — Como se... todos tivessem enlouquecido. No começo, era só na vila de Cátia, depois se espalhou lentamente para a cidade de Tacoma. Ao ouvir o nome familiar da vila de Cátia, Shawn olhou instintivamente para Fréllia ao lado, que também o olhava da mesma forma. A vila de Cátia era o destino das três garotas que sofreram o feitiço [Petrificação~] e ficaram na cidade de Pico do Penhasco... — Seja mais claro, não foi um circo que passou e causou uma série de eventos? — Nesse momento, Fréllia não resistiu e perguntou. — Circo? — O soldado pensou. — Isso já foi há um mês. Na época, havia um circo muito popular fazendo apresentações em uma cidade próxima, mas nada estranho aconteceu... O que ocorreu em Tacoma foi depois, e sem nenhum aviso. Na descrição do soldado, nas cidades da região sudeste, ultimamente, à noite, ouviam-se sons muito estranhos. E as cabras criadas em casa também faziam sons muito esquisitos... Aos poucos, as pessoas viam figuras semelhantes a cabras andando na chuva... — Quem ouvia o grito delas ficava como em um sonho, falando sozinho o dia todo, sem se importar com nada. — O Visconde Francisco achou que era suspeito e enviou pessoas para pedir ajuda ao norte, mas descobrimos que não conseguíamos sair de Tacoma. A cidade parecia coberta por uma névoa, e para onde quer que fôssemos, voltávamos ao mesmo lugar. — Ao dizer isso, os olhos do soldado ainda mostravam medo. — E como você conseguiu sair? — Corremos até a noite, com névoa por toda parte, e os homens-cabra apareceram com os gritos. Não me lembro quem me colocou no cavalo... Com olhos de [Medo!] e [Inquietação!], ele olhou para todos ao redor. Ainda chovia do lado de fora, deixando o quarto muito escuro... A luz era fraca, Todos ficaram em silêncio, ouvindo e vendo o rosto do soldado começar a se distorcer. — A última imagem que lembro é dos homens-cabra rasgando os corpos dos meus companheiros.