"É claro que tenho minha utilidade", disse Sean.
Karyana era a pessoa que ele conhecia que mais entendia de cartografia. Se conseguisse mais um mapa de Rietis, não poderia dominar os movimentos da cidade? Especialmente na área do Palácio do Príncipe.
"Eu realmente não entendo por que você gosta tanto de estudar essas coisas. Com um talento tão bom, deveria usá-lo para a magia. Ficar dividindo a atenção assim dificilmente vai te trazer progresso em uma área. Seus anos mais produtivos são estas poucas décadas; se os dedicasse bem à magia, teria um grande avanço no futuro!" Karyana falou isso com seriedade.
Parecia que ela não o [desprezava!] tanto quanto aparentava.
O nível de afinidade se mantinha quase sempre em [amigável], e com isso não devia tramar nada contra ele.
"Claro que sim... estou sempre praticando magia, sem deixar nada de lado", disse Sean.
Exceto em ocasiões especiais em que não praticava, sempre que o dia seguinte era mais tranquilo, ele treinava algumas magias. Como mais aumentaria a proficiência?
"Quando treinamos, damos tudo de nós todos os dias, diferente de você, que tem tanta folga... mas tudo bem, você ainda é um nobre do Império. Talvez prefira subir de posição social a se tornar um mago." Karyana mostrou um estado de [hesitação!].
Provavelmente queria dizer algo motivador, mas, considerando a identidade dele, acabou não falando.
"Por que você acha que esforço só se mostra com cansaço físico? Muitas pessoas se esforçam, mas em lugares que outros não veem..."
"Deixa isso de lado. Você pode me arrumar um mapa de Rietis? Depois disso, não vou mais te incomodar com essas coisas", Sean a interrompeu, cortando sua intenção de dar lições.
Forçar seus próprios valores sobre os outros nunca leva a discussões produtivas. Ele estava ali para conseguir um mapa, não para debater o rumo da vida.
Ele mesmo decidiria seu caminho!
Karyana olhou para Sean com [sentimentos confusos!], e então o estado mudou para um olhar de [desprezo!].
"Rietis não é como qualquer outra cidade. Você pode comprar o que quiser. Vá até a Biblioteca do Sábio, no Mercado Norte. Lá deve ter essas coisas."
Então vendiam aquilo. Por que diabos eu estava perdendo tempo aqui?
Tchau, tchau...
"Ei, você vai agora? Sabe onde fica?" Karyana o chamou ao ver que ele já se preparava para sair.
Sean tirou algo da bolsa e ergueu na palma da mão.
"Sem problemas. As moedas de ouro me dirão."
Karyana então percebeu que ele era um nobre. Se queria encontrar um lugar, não podia simplesmente pagar por isso?
"Se eu não voltar a tempo para o jantar, não precisam esperar por mim."
"...Ninguém vai te esperar!!!"
Sean ouviu isso atrás de si enquanto já atravessava a porta do salão.
............................
Quando chegou ontem, era fim de tarde, mas à noite foi chamado de carruagem direto para o Palácio do Príncipe. Então Sean nunca tinha visto como eram as ruas ao redor da sede da Asa do Céu durante o dia.
O motivo de Sean achar que a sede da Asa do Céu parecia uma catedral era por causa dos edifícios ao redor e de todo o ambiente, que lembravam muito.
Saindo do pátio, havia uma plataforma à frente, com trilhas que contornavam os fundos da sede em ambas as extremidades. À sua frente, uma longa escadaria...
Com uns cinquenta metros de altura em linha reta, elevava toda a sede da Asa do Céu a um ponto alto. Para chegar às ruas oficiais, era preciso descer. Claro, pela porta lateral da sede, havia uma rampa longa; ontem à noite, ele e Freylia saíram por ali.
A escadaria era quase toda varrida por servos, muito limpa, e dava para ver que o material da pedra era de boa qualidade...
Manter uma organização de magos tão grande numa cidade assim e ainda arcar com esses custos... não era à toa que Freylia dissera que o Príncipe ajudava muito a Asa do Céu.
Na visão de Sean, só com as missões aceitas por algumas centenas de magos, não dava para ganhar tanto dinheiro. Deveria haver muito apoio do Príncipe; só com o patrocínio da nobreza de alto escalão dava para construir um lugar tão grande.
Ao chegar na rua, Sean percebeu que muitas pessoas ao redor estavam [olhando...] para ele. Quando virava a cabeça para vê-las, apareciam estados de [desconfiança!] e [confusão!].
Afinal, a Asa do Céu era uma organização de feiticeiras. Um homem saindo de lá naturalmente atraía muitos olhares...
Mas com tantas notificações assim, Sean se sentia muito desconfortável, como se cada movimento seu estivesse sob observação alheia... Na verdade, isso era normal. Até uma garota bonita passando pela rua atrai muitos olhares.
Mas a diferença é que a garota não sabe disso.
Se sua visão fica sempre te avisando que está sendo observado, perseguido, qualquer um se sentiria estranho.
Ganhou um poder, mas tem que pagar o preço por ele!
Sean perguntou a um transeunte onde alugar carruagens nas redondezas e foi para o local indicado.
No caminho, ainda havia muitas pessoas olhando para ele, mas depois de algumas ruas, diminuiu. No entanto, três olhares não paravam...
A notificação trazia um *3 ao lado.
Estranho. Já tinha andado tanto, e ainda havia quem o observasse?
E sempre três olhares. Isso era claramente perseguição!
Sean virou-se de repente...
Como a rua estava cheia, no momento em que virou, viu várias pessoas olhando para ele.
Perseguição de verdade não é como nos filmes, em que a pessoa se vira e vê alguém "se escondendo" de propósito, um nível fraquíssimo. Um verdadeiro perseguidor anda normalmente, como qualquer um, só que está de olho nos seus movimentos.
Até mesmo uma pessoa comum, ao andar, pode ficar olhando para as costas de alguém à frente, distraída. E quando você se vira, atrai ainda mais olhares.
Então não dá para dizer que quem olha para você é o perseguidor...
No instante em que Sean se virou, a notificação [sendo observado...] aumentou em dezenas. Parecia que em lugares cheios era difícil identificar o alvo; só indo para um local com menos gente.
Chegando ao ponto de carruagens, Sean escolheu uma de aparência limpa e perguntou ao cocheiro.
"Sabe onde fica a Biblioteca do Sábio, no Mercado Norte?"
O cocheiro levantou a cabeça, pensando.
"Claro que sei. Até fui lá agora pouco!"
Sean já tinha visto o estado de [mentira!] nele, mas como sabia onde era o Mercado Norte, subiu na carruagem.
Fechou a porta...
Com a carruagem começando a se mover, as notificações extras na visão desapareceram.
Agora só restavam *2, ainda presentes.