Capítulo 47: Capítulo 47: Enviá-lo para proteger o Pequeno Tangyuan

—Você não aprontou alguma tão grande que não ousa voltar, né? — Os olhos de Shen Yunyun brilhavam de fofoca.

Encontrando aquele olhar fofoqueiro, Xu Zimo ficou cheio de linhas na testa.

Ele não teve escolha senão contar todo o processo de sua vingança.

Shen Yunyun ouviu com atenção e, ao terminar, ficou profundamente chocada.

Não imaginava que aquele ancião de aparência tão imponente não era um ancião, mas o patriarca, ou seja, o pai de Xu Zimo.

Espera, o pai de Xu Zimo matou a mãe dele e o irmão mais velho, e então ele matou o pai.

Parricídio.

Embora fosse compreensível, era imperdoável.

Desde os tempos antigos, parricídio sempre foi punido com raios do céu.

— Será que, ao voltar para o seu mundo original, você vai ser atingido por raios?

Xu Zimo não esperava que Shen Yunyun pensasse nisso, e imediatamente assentiu, fingindo ser fraco, indefeso e digno de pena.

— Que desgraça, aquele velho sem-vergonha. — Shen Yunyun se colocou no lugar de Xu Zimo e facilmente pensou na família Qiao, rangendo os dentes de raiva.

— Você provavelmente não pode ficar neste meu mundo. Que tal eu te mandar para outro? Talvez você possa até ser um conselheiro imperial. — Shen Yunyun lembrou-se de Xiao Tangyuan.

Da última vez, Xiao Tangyuan foi envenenado até a morte; se não fosse pela pílula de reanimação de nove voltas de Xu Zimo, ele já teria virado pó.

Ela já tinha adivinhado que quem estava contra a imperatriz não era uma pessoa qualquer.

Essa pessoa, muito provavelmente, era o imperador.

Embora não houvesse provas, era uma suposição razoável.

Além do imperador, quem mais teria a capacidade de mexer nos bastidores durante o parto da imperatriz?

Se ela mandasse Xu Zimo para lá, ele seria mais do que suficiente para ser conselheiro imperial.

Ela olhou para Xu Zimo.

Xu Zimo ainda tentou resistir: — Não posso ficar?

— Tenho alguém que preciso proteger. Vá e proteja essa pessoa para mim.

Xu Zimo concordou.

Shen Yunyun estava um pouco insegura, sem saber se conseguiria levar Xu Zimo consigo.

Mas, como já tinha trazido Xiao Tangyuan para este mundo, em teoria, deveria ser possível.

Então, ela abriu o retorno da imperatriz.

A cena começou a mudar instantaneamente.

Shen Yunyun olhou para Xu Zimo, inquieta, enquanto ele permanecia com a mesma expressão serena, como um imortal intocado pelo mundano.

De repente, ao redor, ouviu-se um canto baixo e repetitivo, que inexplicavelmente lhe parecia familiar.

Shen Yunyun lembrou-se: aquele canto baixo era parecido com o do sacrifício do grande sacerdote no mundo das feras que ela visitara.

Ela rapidamente olhou ao redor e percebeu que estava no Palácio Fengyi, onde morava a imperatriz.

O canto baixo vinha do pátio do Palácio Fengyi.

O pátio inteiro estava envolto em fumaça de incenso. Havia um monge de vestes roxas, segurando uma espada de madeira de pessegueiro numa mão e um sino na outra, murmurando palavras.

De repente, a espada de madeira de pessegueiro pairou no ar, com a ponta apontando diretamente para o Palácio Fengyi.

Dentro do palácio, Xiao Tangyuan soltou um "au" e de repente ficou imóvel.

— Rápido, salve-o. — Shen Yunyun empurrou Xu Zimo às pressas.

Xu Zimo balançou a manga larga, e a espada de madeira de pessegueiro se partiu em dois pedaços instantaneamente. O monge cuspiu sangue e caiu para trás.

Os discípulos atrás dele se apressaram para segurá-lo, gritando nervosos: — Mestre, mestre!

Shen Yunyun correu para ver como estava Xiao Tangyuan.

Xiao Tangyuan estava com os olhos vazios, como um boneco deitado nos braços da imperatriz.

Shen Yunyun sentiu uma onda de raiva subir. O que havia de errado com essa imperatriz?

Era provavelmente a imperatriz mais inútil que ela já vira. Como podia ser tão covarde?

Ela era a senhora do palácio central, não conseguia nem proteger uma criança?

A imperatriz, ao vê-la, ajoelhou-se imediatamente.

Shen Yunyun disse, irritada: — O que há de errado com você? Não é a imperatriz? Como deixou os outros te maltratarem assim?

A imperatriz chorava sem conseguir falar.