—Mas quando ela foi embora, vocês não desconfiaram dela, não tiraram até o último centavo dela? Ela vendeu o celular para pagar a passagem.
Qiao Pengyu de repente se lembrou disso, sentindo uma fúria avassaladora no peito, sem saber em quem descontar ou por que estava com tanta raiva.
—Você ainda tem coragem de falar de mim? E você? Tratou bem a Yunyun? Se tivesse tratado bem, será que ela não teria nenhum apego e cortaria laços conosco assim?
—Parece que o irmão mais velho também sabe que exagerou. Então você já pensou bem em quem nos deu aquela ideia? Por que ela daria uma ideia dessas?
Qiao Pengyu, ao ser lembrado por Qiao Pengjian, realmente se lembrou: na época, Qiao Shiyue parecia estar falando em defesa de Yunyun, mas cada palavra incitava a raiva deles.
—Não, não pode ser. Ela é nossa irmã de sangue, não é tão malvada assim.
—Pense o que quiser. Pode até tratá-la como uma deusa, não me importo. Mas de agora em diante, ela é sua irmã; eduque-a como quiser, mas não me envolva mais.
—Seu moleque, como é que fala assim? —Guo Yuhua acabara de levar Qiao Shiyue de volta ao quarto e, ao voltar, ouviu as palavras de Qiao Pengjian, ficando furiosa.
Qiao Pengjian disse: —Mãe, a irmã foi vocês mesmos que perderam, e Yunyun foi vocês que adotaram por conta própria. Vocês têm dívidas com Qiao Shiyue e querem compensar, isso é problema de vocês. Por favor, não me façam chantagem moral para que eu também a mime e a favoreça incondicionalmente.
Vocês acham que, se esforçando agora para compensar, realmente conseguem reparar o que fizeram?
Uma infância infeliz precisa de uma vida inteira para ser curada. Vocês acham que conseguem compensar isso?
Vocês acham que maltratar Yunyun vai equilibrar a mente dela?
Por favor, parem de se enganar, ok?
O que vocês fazem é só para aliviar a própria consciência. A partir de hoje, vou me mudar. Só volto a morar aqui quando ela se casar.
—Seu filho ingrato! Se ousar sair desta casa, não vou mais te reconhecer como filho.
Qiao Pengjian parou por um instante, virou-se na porta e olhou para ela: —Antes foi assim que você expulsou Yunyun. Agora vai expulsar também o filho legítimo?
Guo Yuhua sentiu que tinha falado demais, mas já tinha dito, e não tinha coragem de admitir o erro.
Vendo que a mãe não respondeu, Qiao Pengjian virou-se e saiu.
Guo Yuhua ficou ainda mais furiosa: —Ingrato, ingrato! Tudo culpa daquela Yunyun, que só dá prejuízo! Foi ela que estragou o terceiro.
Qiao Pengyu, exausto, subiu as escadas e disse: —Mãe, estou cansado, vou descansar.
—Mais velho, pare aí.
Qiao Pengyu não parou e subiu direto.
—Revolta, revolta! Um por um, todos se revoltaram!
—Mãe, o que houve? —Qiao Penghua voltou correndo e, ao ouvir a voz furiosa de Guo Yuhua, apressou-se até ela e a segurou.
—Segundo, você finalmente chegou! O terceiro foi estragado pela Yunyun, quer se mudar, nem a mãe quer mais. O mais velho também não tem paciência para me ouvir...
Qiao Penghua sentiu a cabeça doer. Lá vem ela de novo.
Ele tinha recebido a notícia de que a polícia tinha ido à casa deles, sem saber o que tinha acontecido, largou o trabalho e voltou correndo.
E aí, ao chegar, só ouviu a mãe reclamando, como se fosse um som infernal nos ouvidos.
Que tortura.
Quem aguenta isso?
Ele também queria fugir.
Mas não conseguia escapar.