Foi realmente inesperado. Do embarque até a saída, Su Banxia e Pei Shaoze não trocaram uma palavra sequer. Embora estivessem sentados juntos, como não disseram nada, várias comissárias de bordo acharam que eles não se conheciam.
Quem diria... "...Tudo bem!" A comissária de bordo forçou um sorriso e se virou rapidamente para sair. Su Banxia suspirou aliviada, finalmente seus ouvidos teriam paz. Com o canto do olho, ela percebeu Pei Shaoze, cujos olhos escuros estavam fixos nela sem se mover. Su Banxia ficou um pouco surpresa e deu um sorriso constrangido: "Elas estavam muito barulhentas, por isso falei aquilo. Sr. Pei, você não se importa, né?" Pei Shaoze franziu a testa e soltou duas palavras: "Importo, sim!" Fez uma pausa e acrescentou: "Minha esposa se importaria!" Su Banxia: "..." Ele tem esposa? A comissária trouxe vinho tinto e suco de frutas, e Su Banxia não continuou a conversa com ele. Quatro horas depois, o avião pousou em Bangkok. Pei Shaoze tinha vindo para cá porque a filial da Dingsheng estava com alguns problemas complicados. Su Banxia achou que ele a levaria para resolver, mas, para sua surpresa, ao chegar ao hotel, ele a deixou lá e foi sozinho para a filial. Sem nada para fazer, ela não conseguia dormir no hotel, então foi até uma livraria perto dali para ler. Havia poucas pessoas na livraria. Su Banxia pegou um livro, pediu um suco e encontrou um lugar tranquilo para se sentar. Ficou lá por um bom tempo. Alguém sentou ao lado dela, mas ela nem percebeu. Só quando sentiu algo estranho é que levantou os olhos do livro. Viu um homem sentado à sua frente, um estrangeiro, loiro de olhos azuis, muito bonito. O homem a observava. Su Banxia sorriu educadamente e cumprimentou: "Olá!" O homem também a olhou e sorriu: "Moça, você é realmente linda!" No exterior, isso era um elogio. Su Banxia assentiu e sorriu: "Obrigada!" Ia continuar lendo, mas o homem parecia querer conversar. Olhando para o livro em francês que ela segurava, perguntou: "Você entende francês?" Su Banxia assentiu: "Sim, um pouco!" O homem então falou diretamente em francês: "Você já morou na França?" Su Banxia concordou: "Fiquei um tempo." Fez uma pausa e olhou para ele: "Você é francês?" O homem assentiu e sorriu: "Sim!" Su Banxia não pretendia falar muito com ele, mas o homem, ao conversar, foi se soltando cada vez mais. Ela tinha que admitir que ele era um homem muito divertido. Mesmo que ela falasse pouco, ele conseguia manter o clima da conversa muito bem. Vendo que o dia já estava escurecendo, Su Banxia disse com um pouco de pesar: "Desculpe, está ficando tarde, preciso voltar." "Posso deixar um contato?" O homem perguntou, com um olhar sincero para Su Banxia. Ela hesitou e deixou o telefone dele. Um encontro casual, apenas mais uma pessoa que conheceu nessa viagem. Ao voltar para o hotel, Su Banxia se assustou ao entrar. Pei Shaoze estava no quarto dela, o corpo esguio recostado no sofá. Quando ela entrou, seus olhos escuros e profundos se fixaram no rosto dela, e ele perguntou em voz baixa: "Onde você foi?" "Fui ler numa livraria perto do hotel." "Por que não atendeu o telefone?" Su Banxia olhou rapidamente para o celular. Várias chamadas perdidas, todas de Pei Shaoze. Quando entrou na livraria, ela colocou o celular no silencioso, por isso não ouviu as ligações. "Não ouvi." Pei Shaoze a observou por um momento e depois fez um gesto para ela: "Venha cá." Su Banxia foi até ele e disse respeitosamente: "Sr. Pei, os problemas aqui já foram resolvidos?" Ele a trouxe de manhã cedo, mas não a levou para trabalhar, deixando-a no hotel. Su Banxia realmente não sabia o que ele queria. Pei Shaoze deu um tapinha no lugar ao lado dele e disse: "Sente-se." Ela se sentou, tentando manter distância. Mas Pei Shaoze a olhou com a testa franzida: "Você me odeia?" Su Banxia balançou a cabeça: "Não." "Então por que fica tão longe?" Su Banxia: "..." Não era normal manter uma certa distância ao conversar? "Sr. Pei..." "Venha cá." Ele disse, indicando que ela se sentasse mais perto. Vendo que ele parecia um pouco cansado, Su Banxia concordou levemente e se aproximou: "Sr. Pei..." "Su Banxia." "Hã?" Olhando para ele, vendo que ele a fitava, Su Banxia ficou um pouco nervosa. De repente, Pei Shaoze ergueu o braço, abraçou-a e a puxou para o colo. Su Banxia instintivamente tentou se esquivar, mas ele pareceu prever, segurando-a firme, sem dar chance de escapar. O que ele queria fazer? "Sr. Pei..." "Sabe por que eu te trouxe para a Tailândia?" Su Banxia balançou a cabeça: "Não sei." O corpo dela ficou tenso, sem saber como reagir. Pei Shaoze apoiou a cabeça dela no ombro dele e disse: "Su Banxia, fique ao meu lado, seja minha amante. O que você quiser, eu te dou." Su Banxia: "..." O que houve com ele? Ela não disse nada, e a voz dele soou em seu ouvido: "Não use essa história de que você é casada para me enganar. Isso não atrapalha o seu casamento." Como não atrapalharia? Su Banxia ficou confusa. Se ela fosse realmente casada, como poderia ser amante de outro e esposa ao mesmo tempo? "Sr. Pei! Quantas mulheres ao seu redor querem ser suas amantes... Eu não sou adequada!" Ela não entendia qual era a intenção dele. Se era outra forma de testá-la, ou se era apenas uma necessidade física que o levava a fazer esse pedido. Pei Shaoze não continuou a falar sobre isso. Em vez disso, segurou o queixo dela, forçando-a a olhar nos olhos dele. Olhos nos olhos, Su Banxia sentiu um aperto no coração e uma leve dor. Essa dor, ela mesma não conseguia explicar. "Você ama seu marido?" Ele perguntou, olhando para ela. Su Banxia franziu a testa, querendo evitar a pergunta, mas Pei Shaoze apertou seu queixo, forçando-a a responder. "Amo..." Ela disse, soltando uma palavra. Pei Shaoze ouviu e sorriu. Olhando para ela, disse: "Su Banxia, você provavelmente não percebeu, mas quando mente, suas orelhas ficam muito vermelhas." Su Banxia sentiu um aperto no coração e tentou se justificar: "Eu..." "Você não tem marido, nem é casada, Su Banxia. As duas crianças ao seu lado, você as adotou ou são fruto de uma gravidez antes do casamento?" Ele soltou tudo de uma vez. Su Banxia ficou rígida, olhando para ele: "Sr. Pei, o que o senhor está dizendo? Não entendo." "Quer que eu mesmo investigue?" Ele sabia que ela mentia, então mandou investigar. Su Banxia não era casada e não tinha marido. "O senhor me investigou?" O rosto de Su Banxia escureceu, e o sorriso no rosto dela mal se sustentava. Pei Shaoze assentiu, sem negar: "Su Banxia, estamos na era da informação. Se eu quiser, não há nada que não possa ser descoberto." Su Banxia não sabia o quanto ele já tinha descoberto. Pelo menos, pela aparência dele, ainda não tinha focado a atenção em GuoGuo e Xiao Hao. Ela fingiu calma e disse: "Parece que o Sr. Pei está interessado em mim." Pei Shaoze sorriu: "Interessado, não diria, mas pelo menos, despertou meu interesse." Ele se inclinou para ela, os lábios roçaram o rosto dela, beijando-a suavemente. Su Banxia tentou se esquivar, mas a mão grande dele segurou firmemente a nuca dela. Sem conseguir escapar, ela só pôde deixá-lo beijá-la.