Capítulo 6: Capítulo 6: Solte-me

Ela ficou parada na porta, sem saber se entrava ou saía, sentindo o próprio rosto queimar de vergonha.

Mas, sem saber por quê, seu coração sentiu um aperto amargo, e a cena de seis anos atrás voltou a brilhar em sua mente.

No entanto, ela e Pei Shaoze pareciam ser de dois mundos completamente diferentes.

— Hum!

De repente, a mulher dentro da sala saiu furiosa: — Sua velha, usando esse tipo de truque para nos atrapalhar, acha que vai conseguir o que quer?

Conseguir? Deixa pra lá.

Su Banxia não queria criar inimigos à toa, e logo se fez de vítima: — A senhora se enganou, já sou mãe de dois filhos.

Só quero trabalhar duro aqui, nunca tive outras intenções. Olhe para mim, o presidente jamais se interessaria por alguém assim!

A mulher, ainda furiosa, examinou Su Banxia de cima a baixo. Su Banxia, por sua vez, abriu os braços e mostrou sem cerimônia seu terno surrado e, por fim, ainda empurrou os óculos grossos e pesados sobre o nariz.

Os fatos falam mais que palavras. Su Banxia era realmente boa em se fazer de feia. A mulher bufou: — Desconfio que você não teria coragem mesmo!

E, em seguida, saiu de salto alto, rebolando como uma cobra d'água.

Resolvido um problema, Su Banxia deu uma espiada furtiva na porta da sala do presidente. O verdadeiro problema estava lá dentro, uma verdadeira bomba-relógio!

Logo de manhã cedo, no escritório, daquele jeito... Os homens são mesmo animais movidos pelo instinto... pensou Su Banxia consigo mesma.

— Entre!

Su Banxia correu para dentro: — Presidente...

As cortinas da janela estavam fechadas, a sala estava escura, ainda com um ar de intimidade, quente, com um cheiro peculiar. Ao lembrar da cena de antes...

Seu coração ficou inquieto.

— O que você viu agora há pouco?

Pei Shaoze estreitou os olhos, com um tom de voz perigoso.

Su Banxia balançou a cabeça rapidamente, indicando que não tinha visto nada.

O terno de Pei Shaoze estava intacto, apenas levemente amassado. Ele se levantou e se aproximou de Su Banxia, passo a passo.

A cada passo que ele dava, o coração de Su Banxia batia mais forte. Mas Pei Shaoze parecia fazer de propósito, aproximando-se sem parar, sem intenção de parar.

Até encurralar Su Banxia contra a parede.

O toque frio nas costas fez Su Banxia se retesar toda. Vendo o rosto bonito de Pei Shaoze se aproximando cada vez mais, ela estendeu uma mão e segurou firmemente o peito dele.

— O que foi?

Pei Shaoze estreitou os olhos para Su Banxia, como se pudesse ler tudo.

— Eu... vou trabalhar...

Su Banxia sentiu o coração acelerado. Tapando a boca, murmurou essas palavras e tentou fugir, mas antes de dar dois passos, foi puxada de volta por Pei Shaoze, que a prendeu completamente com os braços abertos.

Com a inércia, os óculos de Su Banxia voaram para o lado.

Ela rapidamente levantou a mão para ajustá-los, mas já era tarde demais por alguns décimos de segundo.

Apenas um vislumbre, e Pei Shaoze ficou impressionado com seus olhos límpidos.

O olhar de Pei Shaoze se fixou nos óculos de Su Banxia.

— Por que você sempre usa óculos?

Ele estendeu a mão para puxá-los, mas Su Banxia, assustada, o impediu bruscamente. No instante em que os dedos se tocaram, uma sensação estranha passou pelo coração de Pei Shaoze.

— Sou muito míope! — explicou Su Banxia apressadamente. — Se não usar óculos, não enxergo nada.

— É mesmo?

Pei Shaoze olhou para a expressão culpada de Su Banxia e ergueu levemente o canto da boca: — E se eu mandar você tirá-los?