Capítulo 49 — Pei Shaoze, seu canalha
Pei Shaoze endireitou o corpo, inclinando-se languidamente no encosto da cadeira, seus olhos escuros pensativos.
Se pudesse usar a indiferença para forçá-la a ir embora, ela cederia?
Ele não tinha certeza.
"Bum..."
Um trovão ecoou do lado de fora da janela.
Era junho, estação das chuvas de ameixa, então a tempestade chegou sem aviso.
Su Banxia mal tinha dirigido um pouco quando o céu escuro começou a despejar uma chuva torrencial, gotas grossas como feijões caindo sem parar.
Sua habilidade ao volante não era lá muito boa, e, além disso, nos últimos anos no exterior, ela se acostumara a dirigir do lado direito.
De repente de volta ao país, ainda estava um pouco desajeitada.
Com todo cuidado, chegou ao restaurante que Pei Shaoze mencionara. Não tinha levado guarda-chuva ao sair, e o estacionamento era ao ar livre.
Quando correu do carro para o restaurante, já estava com a roupa encharcada.
Havia pouca gente no restaurante, parecia que por ser tarde demais, não havia ninguém. Su Banxia ficou no balcão para fazer o pedido.
Era um tanto estranho, porque sua roupa estava completamente molhada, parecendo muito desalinhada.
E, mais surpreendente ainda, ela não tinha perguntado a Pei Shaoze o que ele queria comer quando veio. Quando estava prestes a ligar para ele,
descobriu, frustrada, que tinha deixado o celular no escritório ao sair.
Além disso, ela nem sabia o que Pei Shaoze queria comer.
Ficou hesitando no balcão por um tempo, até que a recepcionista perguntou o que ela gostaria de pedir. Só então pegou o cardápio e escolheu alguns pratos de qualquer jeito.
Era para levar.
Como a roupa estava molhada, não era bom sentar no sofá do restaurante, então ela ficou esperando de pé.
Esperou um bom tempo até que todos os pratos ficassem prontos.
Quando pagou e saiu, a chuva não tinha parado, pelo contrário, só aumentava.
Mas não havia escolha, ela tinha que ir.
Correu para o carro, ligou o motor e saiu do restaurante. Su Banxia percebeu, tarde demais,
que se voltasse pelo mesmo caminho, teria que passar por um túnel. E, com aquela chuva forte, se fosse pelo túnel, ele certamente estaria alagado.
O carro era baixo; se o túnel estivesse alagado, o motor poderia muito bem apagar.
Mas já era tarde para dar meia-volta; ela já estava na via expressa, não podia retornar. Mesmo com pouco trânsito, era perigoso demais.
Agora, só podia torcer para que a água no túnel não fosse muita e ela conseguisse passar em segurança.
Mas, como diz o ditado, o que se teme é o que acontece.
Então, infelizmente, o carro de Su Banxia apagou ao passar pelo túnel.
O túnel era longo, e a maior parte estava alagada.
E a chuva lá fora só aumentava. Se Su Banxia ficasse no carro, corria o risco de o túnel encher tanto que a água a engolisse junto com o veículo.
Sem escolha, ela desceu e começou a andar em direção à saída do túnel.
O túnel comprido estava tão alagado que a água já batia nos joelhos dela, então cada passo era difícil.
Quando finalmente chegou à boca do túnel, viu que não havia nenhum carro na estrada.
É verdade, num temporal desses, só alguém sem juízo como ela pegaria um túnel.
A roupa estava encharcada, não podia ficar ali esperando carona, então continuou andando. A chuva só aumentava, trovões e relâmpagos vinham um atrás do outro.
Su Banxia gemeu por dentro, torcendo para não ser atingida por um raio; senão, morreria de forma ridícula.
Finalmente chegou a um cruzamento, onde havia carros. Su Banxia ficou na beira da estrada, acenando para pedir carona.
Mas a chuva era tão forte que ninguém parava.
...
Edifício Dingsheng.
Escritório do presidente.
Pei Shaoze estava diante da janela panorâmica, observando lá fora os trovões, relâmpagos, vento e chuva.
Sua testa bonita se franziu.
Uma preocupação surgiu em seu coração. Depois de esperar muito sem ver Su Banxia, ele pegou o telefone para ligar para ela.
Mas, para sua surpresa, o toque dela soou na mesa do escritório dela.
"Droga!"
Pei Shaoze soltou um palavrão, jogou o telefone de lado.
E pegou outra chave do carro para ir ao estacionamento subterrâneo da empresa.
Que mulher idiota, sair de casa e esquecer o celular.
Dirigindo para fora da empresa, Pei Shaoze tentou adivinhar por qual caminho Su Banxia teria ido.
Calculando o tempo, ela devia ter tido algum problema no caminho, por isso não tinha voltado.
Para não correr o risco de perdê-la, Pei Shaoze dirigiu devagar o tempo todo. A chuva forte caía sem parar, e procurar alguém na estrada num temporal desses
era realmente difícil.
Era fácil sofrer um acidente.
Su Banxia não tinha conseguido carona, a roupa estava encharcada, a chuva não parava. Logo, ela não tinha mais forças para andar.
Agachou-se na beira da estrada, encolhendo seu corpinho. Se um pedestre não prestasse atenção, nem veria que havia alguém ali.
Quando Pei Shaoze a encontrou, viu-a encolhida na beira da estrada, a chuva forte a encharcando inteira.
O cabelo molhado cobria seu rosto, ela estava realmente no fundo do poço.
Ao vê-la assim, o coração de Pei Shaoze deu um pulo, uma dor o atravessou.
Ele aproximou o carro dela, vendo que ela não procurava um lugar para se abrigar, apenas ficava agachada na estrada como uma boba. Por um momento, sentiu uma raiva inexplicável.
Essa mulher era realmente uma idiota.
Su Banxia percebeu um carro parando ao seu lado. Levantou os olhos e viu um Mustang preto na sua frente.
Ela já estava quase desmaiando. Sem pensar duas vezes, foi até o carro, abriu a porta e sentou.
Ao ver o rosto sombrio e bonito de Pei Shaoze, a cautela que sentia se dissipou completamente.
Ela se recostou no banco e fechou os olhos.
Pei Shaoze a olhou, ainda com raiva, ligou o carro e disse friamente: "Viu que era meu carro?"
Su Banxia, de olhos fechados, respondeu: "Não!"
"Entra em qualquer carro, então!"
"Hum."
Ela não tinha energia para discutir com ele. A cabeça pesava muito. Logo que se recostou, adormeceu.
Pei Shaoze pensou em levá-la de volta à empresa, mas, ao sentir o corpo quente dela, pisou fundo no acelerador e foi direto para a Vila Yicheng.
O carro parou na Vila Yicheng. Su Banxia estava com uma forte dor de cabeça. Sentindo o carro parar, olhou ao redor.
Viu Pei Shaoze abrir a porta e pegá-la no colo para descer. Ela franziu a testa e protestou: "Posso andar sozinha. Onde é isso?"
"Cala a boca!"
Ele a repreendeu e a carregou direto para o quarto no segundo andar.
Su Banxia já tinha estado ali, então reconheceu a vila dele.
Um pouco nervosa, disse: "Pei Shaoze, o que você está fazendo me trazendo aqui? Quero ir para casa!"
A febre estava alta, a ponto de ousar chamá-lo pelo nome completo.
Ele a levou para o quarto, e, considerando que ela estava encharcada, a colocou diretamente no banheiro.
Ordenou friamente: "Toma banho!"
Su Banxia, meio confusa, protestou: "Não vou tomar banho, Pei Shaoze, quero ir para casa!"
"Toma banho!"
Depois de dizer essas duas palavras, Pei Shaoze se virou para sair.
Mas Su Banxia, de repente, sentou no chão e abraçou a perna dele, olhando para cima e dizendo: "Pei Shaoze, quero ir para casa. Me leva para casa, senão não vou deixar isso barato!"
Ela estava claramente confusa, falando com um tom infantil.
O rosto estava levemente vermelho, o olhar perdido.
Vendo-a assim, o tom de Pei Shaoze suavizou. Ele se agachou, a pegou no colo e disse: "Toma banho. Depois do banho, quando estiver bem, eu te levo de volta!"
O tom era quase de quem a acalmava.
Su Banxia ainda não concordava. Franzindo a testa, continuou a se debater: "Não, quero ir para casa agora, agora mesmo! Pei Shaoze, seu canalha!"