Capítulo 461: Capítulo 461 - Descanso Forçado

“Na época, eu realmente não queria dar atenção a ele, mas aquele cara era tão insistente, e o que ele disse me deixou curioso, então acabei indo. Ele tinha um lugar fixo, por isso fui…” “O motivo de não ter contado é que achei o lugar meio sem graça, eu… também tive medo de você pensar demais, já que estamos tão ocupados.” “Mas também não imaginei que fosse acontecer algo, você sabe.” Su Banxia, enquanto se explicava por ter escondido isso, observava Pei Shaoze de soslaio. Vendo que, ao ouvir isso, ele já tinha largado o trabalho e agora a encarava sério, virando a cabeça. Ao ver a expressão dele, o coração de Su Banxia deu um pulo. Parece que ele não acreditou… Ela pensou, um tanto melancólica: o pior ainda estava por vir. Na verdade, desde o início, quando ela hesitou e perdeu o momento certo de contar, já se sentia culpada, porque sabia que, quando explicasse depois, Pei Shaoze poderia não acreditar, mesmo que fosse verdade. “Eu só… achei que era difícil de dizer…” Su Banxia fez uma última tentativa, pensando que, se Pei Shaoze ainda não acreditasse, ela só poderia fingir de morta. Pei Shaoze não perguntou de imediato, apenas a observou. Depois de um longo tempo, franziu a testa: “Já que é assim, por que não disse antes? Será que sou tão indigno de confiança para você?” “Não é falta de confiança, juro.” Su Banxia se assustou com o tom rouco dele, virou a cabeça e, inesperadamente, viu seus olhos brilharem, como se um lampejo de tristeza tivesse passado… Ela ficou um pouco atônita, balançando a cabeça sem jeito: “Não sei, foi um impulso não querer que você soubesse, mas não fiz nada de errado, e o motivo era justo. Também não consigo entender por quê, então perdi o momento certo. Quando pensei em explicar, achei que… você não acreditaria mais.” Su Banxia, ao falar, acabou fechando os olhos e despejou todo o processo de sua luta interna. “É isso que eu realmente penso. Se não acredita, meu celular tem registros, pode ver.” Su Banxia sentiu que até suas palavras soavam humildes. Percebeu, impotente, que parecia se importar cada vez mais com a opinião de Pei Shaoze. Encolhendo o pescoço, parecia um coelho esperando a morte. E então, o “açougueiro”, em vez de pegar o cutelo para cortar suas patas, depois de um longo silêncio, balançou a cabeça, soltou um suspiro quase inaudível, fechou o notebook e, levantando-se, foi para a porta. Su Banxia ouviu o barulho, virou-se e notou sua expressão carrancuda. Assustada, não conteve o grito: “Onde você vai?” Foi então que Pei Shaoze se virou, parou na porta, a examinou de cima a baixo e disse, de forma monótona: “Entendi. Descanse aqui. Depois de amanhã, mando alguém te buscar em casa.” Dizendo isso, pareceu lembrar de algo, olhou sério para Su Banxia e completou: “Quanto àquilo, se você realmente quiser investigar, pode investigar. Mas espero que me avise, senão, se algo assim acontecer de novo, não terá tanta sorte.” Su Banxia, ao ouvir isso, ficou um momento atônita, depois entendeu algo e balançou a cabeça imediatamente. “E mais…” Pei Shaoze ia dizer algo, mas depois de um instante, balançou a cabeça: “Nada não. Descanse.” Dito isso, ele saiu a passos largos. Su Banxia, confusa, olhou para a porta do quarto, balançou a cabeça, e então viu a enfermeirinha se aproximar, espiando com cautela. Vendo a expressão nervosa da enfermeira, ela não conteve o riso e perguntou, curiosa: “Enfermeira, o que está fazendo?” Ao ouvir a pergunta, a enfermeira ficou sem graça. Hesitou por um momento, sorriu para ela, virou-se para olhar o corredor e comentou: “Esse é seu namorado? A cara feia dele assusta.” Su Banxia, lembrando da reação anterior da enfermeira, também balançou a cabeça, rindo. Mas antes que pudesse falar, a enfermeira continuou, tagarelando: “Mas ele é muito bom para você. Quando saiu, falou com a gente para te transferir para um quarto particular. Já está arrumado, daqui a pouco vão te levar para lá.” “Você não sabe, aqui no hospital os leitos são apertados. Conseguir um quarto particular de última hora não é fácil. Ele deve ter gasto uma boa grana, só para você não passar aperto. Ah, que sorte…” Su Banxia ouvia essas reclamações, os olhos se arregalando um pouco. Depois de um instante, sem perceber, um sorriso leve se formou no canto dos lábios, sua expressão suavizando de um jeito que nem ela notou. Su Banxia descansou no hospital por dois dias. No terceiro dia, sábado de manhã, Pei Shaoze a buscou para levar para casa. Ela só tinha uma fissura óssea, já conseguia andar desde ontem. Dessa vez, pretendia voltar andando, mas Pei Shaoze a obrigou a usar uma cadeira de rodas, fazendo Su Banxia sentir que estava meio paralítica. Ao abrir a porta, antes mesmo de Su Banxia largar as chaves, Su Guoguo já se jogou nela. Vendo-a na cadeira de rodas, as lágrimas escorreram na hora. Su Banxia a consolou por um bom tempo, até se levantar e andar alguns passos para mostrar que não estava manca, só assim conseguiu acalmar o choro de Su Guoguo. Mas a criança parecia ter perdido a segurança, agarrava o braço dela, fazendo manha sem soltar, repetindo sem parar: “Mamãe, onde você foi? Por que não nos ligou nesses dois dias? Sabia que eu estava morrendo de preocupação? Onde você foi?” Su Guoguo falava, quase subindo na cadeira de rodas. Pei Shaoze estendeu a mão para segurá-la, e ela parou, mas ficou ao lado, sem se mexer. Su Banxia a acalmou por um tempo, aliviada, mas quando levantou a cabeça, viu Su Hao também de cenho franzido ao lado. Ele ficava de boca fechada, olhando para Su Banxia em silêncio, o rostinho parecendo dez anos mais velho de tão tenso. Mesmo assim, Su Banxia notou seus olhos vermelhos e a preocupação e medo mal disfarçados. Sem alternativa, Su Banxia se levantou, abraçou Su Guoguo com um braço e foi até Su Hao, agachando-se para puxar os dois para perto: “Mamãe está bem. Não contei a vocês porque pensei que voltaria logo, não queria atrapalhar os estudos.” Su Hao, porém, bufou com desdém, olhando para ela sem piedade. Vendo a birra do menino, Su Banxia foi até ele, apertou sua cintura e disse: “Hao Hao, mamãe está com gesso no pé e não consegue se agachar. Você vai mesmo falar comigo assim?” Ao ouvir isso, Su Hao relutantemente se aproximou, servindo de muleta humana, ajudando-a a se levantar. Su Banxia, então, se apoiou nele, sorrindo e o abraçando: “Pronto, não se preocupem. Estou bem, sou adulta, iria fazer algo perigoso? Mamãe não aguenta ficar longe de vocês. Vamos ver se meus tesouros emagreceram?”