Su Banxia ouviu aquilo e, sem querer, baixou a cabeça.
Pelo reflexo na mesa de vidro, viu seu próprio rosto.
Realmente estava feio, quase parecendo uma paciente grave.
Su Guoguo, naquele momento, também abraçou seu braço e balançou: "Mamãe, o que você tem? Se estiver triste, sai pra relaxar um pouco. A gente já está bem, podemos fazer lição de casa em casa, tem alguém cuidando da gente!"
Su Guoguo disse, apontando para os dois seguranças parados na porta.
Eram seguranças pessoais 24 horas, então não iam embora à noite, mas descansavam no quarto da empregada.
Su Banxia ainda hesitava um pouco, mas Yan Xin do outro lado também insistiu: "Você não pode continuar assim para sempre."
Yan Xin, a princípio, não queria se intrometer, mas o tom de Su Banxia estava realmente estranho, e ele tinha ouvido de Pei Shaoze que Pei Jiaxin andava fazendo alguns movimentos ultimamente.
Se Su Banxia ficasse presa num beco sem saída assim, talvez não conseguisse lidar com o que viesse depois.
"Se você continuar pensando besteiras sozinha, não vai fazer bem a você mesma. Mesmo que não seja por você, pense nas crianças."
Yan Xin soltou a bomba.
"...Tudo bem então."
Su Banxia foi despertada por aquelas palavras, e percebeu que seu estado atual estava realmente errado, só não sabia quando essa ansiedade tinha começado.
A ansiedade se acumulava no coração, já a sufocando. Se ela desabasse, o que seria das crianças?
Ela sabia que precisava sair para relaxar, pelo menos jogar fora um pouco da pressão desnecessária, para ficar melhor.
Yan Xin suspirou aliviado, deu o endereço, e Su Banxia pegou um táxi para lá.
Su Banxia encontrou o bar pelo endereço, e ao entrar, descobriu surpresa que aquele bar era completamente diferente dos outros, quase parecia uma cafeteria.
Mas o tom geral era azul escuro, a luz era fraca, e ao entrar, mal se via o rosto uns dos outros.
Yan Xin ouviu o sino da porta de madeira tilintar, virou-se e viu Su Banxia parada do lado de fora, então foi recebê-la: "Aqui."
O garçom pegou o casaco de Su Banxia e o levou para o guarda-roupa.
Su Banxia sentou-se no balcão, e imediatamente alguém lhe ofereceu uma toalha quente.
Ela olhou para cima, surpresa, e viu o barman, que não a encarava, apenas abaixava a cabeça limpando copos de vidro.
"O ambiente aqui é muito bom. Quando estou estressado, também gosto de vir tomar um drink. Um martini, pode ser?"
Yan Xin disse, sorrindo.
"Obrigada. Na verdade, isso é problema meu, e ainda te incomodo para me consolar. Já estou meio sem graça."
Su Banxia sorriu, mas sua voz foi ficando baixa.
"Você pensa demais. Quem nunca errou no trabalho? Desde que entrei na empresa, os pequenos erros que causei somaram prejuízos de mais de um milhão, e não fui demitido."
Yan Xin riu, puxando assunto.
Su Banxia balançou a cabeça, pegou a taça e deu um gole, suspirando: "Não é só por causa disso. Talvez muitas coisas se acumularam, e eu não consigo lidar, por isso me sinto tão inútil..."
"Como você seria inútil? Se fosse, não teria sido contratada desde o início. Já chegou até aqui e ainda duvida de si mesma? Isso não é duvidar de si, é duvidar da empresa e do presidente Pei."
"...Assim falando, parece que é verdade."
Su Banxia ouviu, inclinou a cabeça pensando, soltou uma risada e tomou mais dois goles.
Talvez por estar de baixo-astral, ela ficou bêbada muito rápido. Depois de três coquetéis, já cambaleava e mal enxergava as pessoas.
Yan Xin não ousou deixá-la beber mais, só a guiava para desabafar.
Mas Su Banxia nunca foi de pavio curto; mesmo bêbada, só murmurava baixinho, resmungando.
"Precisa de ajuda? Essa moça parece muito bêbada. Temos uns quartos nos fundos para descanso, são para os funcionários, então são pequenos..."
O barman viu Su Banxia já ter vomitado três vezes e veio perguntar.
Yan Xin olhou para Su Banxia, viu seu olhar perdido e o rosto corado, pensou um pouco e balançou a cabeça: "Acho que já chega. Melhor levá-la para casa... A ideia era ela tomar um drink e extravasar as emoções acumuladas. Parece que já deu. Depois de descansar uns dias, deve ficar bem."
"Embora afogar as mágoas não seja o ideal, às vezes não tem outro jeito. Vou chamar um táxi para vocês."
O barman saiu e parou um táxi.
Yan Xin colocou Su Banxia meio carregada no carro. Ela já mal reconhecia as pessoas, agarrou o braço de Yan Xin e falou confusamente: "Eu realmente não sei como te dizer. Queria explicar tudo, não quero guardar isso no peito. Por que virou assim? Eu achava que eles eram minha família..."
Su Banxia falava de forma desconexa, uma frase atropelando a outra, sem lógica.
Yan Xin também não entendia direito, só a consolava baixinho: "Você tem razão, não devia pensar tanto. Esquece tudo isso."
"Como esquecer? Isso não dá pra esquecer, aquilo também não! Por que eles fazem isso comigo? Por quê?! O que eu fiz de errado?!"
Su Banxia agitava as mãos desordenadamente, batendo com a bolsa como se quisesse desabafar.
Então, um colar caiu da bolsa dela.
Yan Xin viu, abaixou-se rapidamente e pegou o colar.
"Meu!"
Su Banxia, com os olhos semicerrados, estendeu a mão de repente e agarrou o colar, falando de forma birrenta.
"Tá bom, tá bom. Posso colocar em você?"
Yan Xin suspirou, mas ao mesmo tempo ficou um pouco mais aliviado.
Ela estar tão bêbada a ponto de fazer escândalo significava que, quando acordasse, o estresse teria diminuído bastante.
Su Banxia ouviu aquilo, saiu cambaleando do carro, esticou o pescoço esperando Yan Xin colocar o colar.
Ela já não distinguia as pessoas, não sabia quem estava na frente, nem o que fazia. Só sentia que estava num sonho confuso.
Queria desabafar tudo, sem nenhum pudor.
"Você..."
Yan Xin, no entanto, olhou para o pescoço dela, tão bonito quanto o de um cisne, e seu olhar escureceu. Em seguida, com as mãos trêmulas, estendeu a mão.
Quando colocou o colar no pescoço dela, os dois ficaram muito próximos.
Yan Xin virou a cabeça e pôde ver os cílios grossos de Su Banxia, como asas de borboleta, sua pele fina e seu rosto levemente rubro.
Yan Xin ficou olhando, paralisado, quase incapaz de resistir a se inclinar para dar um beijo...
Mas, no momento em que ia se aproximar, lembrou-se de algo de repente e se afastou rapidamente.
"Vai para casa primeiro."
Yan Xin, como quem foge, a colocou de volta no carro.
Depois de dar o endereço ao motorista, deu dois passos para trás e fugiu para o bar.
E ele não percebeu que, do outro lado da rua, uma pessoa estava parada, imóvel, com a bolsa caída no chão.
Era Fang Shiqing.