O cavalo parecia entender os sentimentos humanos, cavando o chão com os cascos, como se estivesse muito satisfeito.
— Esses cavalos foram selecionados a dedo, são muito dóceis, não terão problemas, podem ficar tranquilos.
A jovem que conduzia o cavalo sorriu.
Talvez por passar muito tempo montando ao ar livre, sua pele era morena, mas a aura que exalava fazia com que as pessoas não conseguissem desviar o olhar. Era preciso admitir que aquela mulher era muito bonita.
— Quero montar este.
Su Guoguo, corajosa, escolheu um cavalo que não era nem muito alto nem muito baixo.
— Vem, eu te ensino a montar.
A jovem sorriu, saltou agilmente para o cavalo com um movimento gracioso que fez Su Banxia ficar impressionada. Ela se inclinou, estendeu a mão e puxou Su Guoguo para cima, segurando sua mão pequena com a sua grande, ensinando com paciência como segurar as rédeas e montar.
Su Hao, vendo Su Guoguo tão concentrada, sentiu uma coceira de vontade e também escolheu um cavalo, sendo guiado por um instrutor.
— Cuidado, vocês.
Su Banxia não pôde deixar de alertar, vendo as crianças se divertindo, não teve coragem de interromper.
— Não sabe montar?
Pei Shaoze, conduzindo um cavalo marrom, parou na frente de Su Banxia.
Ao ouvir isso, Su Banxia se virou lentamente, um pouco envergonhada, e assentiu: — Antes, onde teria oportunidade para isso?
— Então é perfeito, eu te ensino.
Pei Shaoze sorriu.
— Você?
Su Banxia ficou surpresa, parada ali olhando para ele, engolindo saliva sem perceber.
Pei Shaoze ergueu uma sobrancelha com indiferença: — Não confia na minha habilidade de montar?
— Não, não é isso.
Su Banxia balançou a cabeça repetidamente, o rosto queimando de vergonha. Sem saber por quê, quanto mais perto estava de Pei Shaoze, mais ansiosa ficava.
Vendo-a tão adorável, Pei Shaoze não pôde deixar de rir baixinho: — Pode ficar tranquila, garanto que você não vai cair do cavalo.
Ao dizer isso, ele estendeu a mão para ela.
Su Banxia se sentiu um pouco atordoada, segurou a mão dele, pisou no estribo e sentou-se no cavalo, com o corpo levemente curvado, sem ousar se mexer.
Vendo que ela estava firme, Pei Shaoze saltou para o cavalo, passou os braços pelos lados dela, segurou as rédeas e disse com um sorriso calmo: — Incline as costas ligeiramente para a frente, não fique tão rígida. Segure as rédeas assim, olhe para a frente, não para o chão.
A paciência incomum surpreendeu Su Banxia. Ela virou a cabeça para olhá-lo e viu que ele estava extremamente focado.
— Não olhe para mim, olhe para a frente. Ao montar, é preciso prestar atenção à direção.
Pei Shaoze ergueu uma sobrancelha.
Seguindo suas instruções, Su Banxia fez como ele disse. Talvez por ele estar ao seu lado, sentiu-se segura e, aos poucos, ousou endireitar as costas e observar a paisagem ao redor.
Na planície, a vista era bela em todos os lugares.
— Mamãe!
Su Guoguo acenou animadamente para ela. A pequena, esperta, já conseguia montar sozinha devagar, com alguém segurando a rédea na frente, então não havia motivo para preocupação.
— Guoguo está montando muito bem.
Su Banxia ergueu o polegar para ela.
Su Guoguo, orgulhosa, conduziu o cavalo lentamente na direção oposta. Su Banxia, de bom humor, segurou as rédeas e apertou as pernas contra o dorso do cavalo.
— Vamos galopar um pouco.
Pei Shaoze sorriu levemente.
— Hã?
Su Banxia ergueu uma sobrancelha, mas antes que pudesse reagir, Pei Shaoze deu um tapa no dorso do cavalo, que disparou imediatamente.
O vento passou zunindo, era emocionante.
Su Banxia primeiro gritou, o corpo recuando instintivamente, sentindo-se segura no colo largo e firme, e rapidamente se acalmou.
O campo de equitação não era grande nem pequeno. Depois de algumas voltas, já estavam um pouco cansados. O cavalo diminuiu a velocidade, e Pei Shaoze abraçou Su Banxia, balançando-se devagar.
— Está feliz comigo?
Pei Shaoze perguntou de repente.
O coração de Su Banxia apertou. Ela não via a expressão no rosto dele, mas só pela pergunta, já percebia um certo afeto.
— Claro que estou feliz.
Su Banxia não negou.
Com Pei Shaoze, ela sentia alegria genuína. Aquele homem lhe dava segurança suficiente, fazendo-a querer se aproximar.
— Essa felicidade, vou protegê-la com você daqui para frente.
Pei Shaoze se inclinou e sussurrou perto do ouvido dela.
A voz era tão suave que parecia que o vento a levaria.
O corpo de Su Banxia ficou tenso, claramente incrédula com aquelas palavras.
— Shaoze...
— O quê?
Pei Shaoze ergueu uma sobrancelha: — Se gosta dessas palavras, vou dizê-las todos os dias para você.
— Você está estranho hoje.
Su Banxia se recompos e disse devagar. De fato, Pei Shaoze estava diferente hoje. Onde estava aquela imagem fria de antes?
Pei Shaoze não se importou: — Raramente saio para relaxar, não deveria dizer isso a você?
Pensando na persistência de Lu Zhihang em cortejar Su Banxia ultimamente, Pei Shaoze não podia negar que sentia algo. Seguindo a sugestão de Pei Shaoyin, ele achou que, quando necessário, também precisava dar algumas palavras doces à mulher.
Claro, ele não contou isso a Su Banxia.
Vendo a alegria nos olhos dela naquele momento, Pei Shaoze sentiu que, às vezes, palavras suaves eram um bom reforço para o relacionamento.
A tarde inteira montando a cavalo foi realmente cansativa.
Depois de jantar e dar um passeio, Su Banxia cuidou das duas crianças até que dormissem e então voltou ao quarto para descansar.
Pei Shaoze estava deitado na cama lendo uma revista. Mesmo vestindo roupas caseiras, isso não diminuía sua elegância, pelo contrário, acrescentava um toque diferente.
— As crianças já dormiram?
Vendo Su Banxia voltar, ele fechou a revista e ergueu os olhos para sorrir para ela.
— Com tanta brincadeira hoje, já estavam cansadas e dormiram.
Su Banxia sorriu calmamente, sentando-se ao lado dele.
Pei Shaoze entendeu. Ficar sempre em casa e na escola, numa rara viagem, as crianças não iriam se divertir ao máximo?
No campo de equitação, as duas crianças eram muito espertas. Depois de algumas tentativas, já conseguiam montar sozinhas, devagar, mas já era impressionante.
— Hoje realmente cansou, vamos descansar.
Pei Shaoze disse calmamente.
Vendo que não era tarde, Su Banxia não recusou. Apagou a luz, deitou-se ao lado dele, aninhou-se e logo adormeceu.
Uma noite sem sonhos, dormiu tranquilamente.
No dia seguinte, ao acordar, o sol estava bonito. Su Banxia espreguiçou-se confortavelmente, sentindo-se bem. Levantou-se, fez uma higiene rápida e foi para a sala de estar.
Pei Shaoze já estava sentado no sofá lendo o jornal, com as duas crianças ao seu lado.