Tentando encontrar uma brecha para si mesma, Su Banxia se aproximou de Pei Shaoze e disse: "Presidente Pei, ainda tenho assuntos em casa. Sobre o compromisso à noite, pode arrumar outra pessoa?"
"Que assuntos?"
Pei Shaoze mantinha os olhos baixos, revisando documentos, com o semblante sombrio.
Su Banxia continuou: "Sou mãe. Todo dia trabalho até tarde, e meus filhos ficam muito tempo sem me ver. Isso não é certo. Além disso, já resolvi todas as questões da empresa. Atividades como esse compromisso, o senhor..."
Pei Shaoze largou o contrato nas mãos, endireitou o corpo, recostou-se com sua figura esbelta e elegante, e a encarou friamente: "Você quer muito ser uma mãe competente?"
Su Banxia assentiu.
Em troca, recebeu uma risada fria de Pei Shaoze: "Su Banxia, quando você escolheu o trabalho, já deveria saber que trabalho e família não se conciliam. Para começar, você não é só minha secretária, mas também minha assistente pessoal. Pela sua atitude atual em relação ao trabalho, acha que tem condições de negociar comigo aqui? Quer ser uma mãe competente? Pode ser!"
Ele ergueu a mão fria, apontando o dedo longo para a porta do escritório: "Deixe uma carta de demissão aqui, saia por essa porta, e a partir de agora, pode ficar tranquila sendo uma mãe exemplar!"
Fez uma pausa e acrescentou uma palavra, em voz baixa, mas com um peso inegável: "Pode ir!"
Su Banxia nunca imaginou que alguém pudesse tratar a frieza e a crueldade com tanta naturalidade.
Depois de um longo momento, ela não pôde deixar de rir, reprimindo toda a insatisfação e raiva, e olhou para ele: "Presidente Pei, onde será o compromisso à noite e a que horas?"
Diante de sua reação, Pei Shaoze franziu levemente a testa, mas não disse mais nada.
Apenas comentou secamente: "Vou te mandar as informações depois."
Olhando para a roupa dela, ele acrescentou, com um toque de desprezo: "Volta e troca de roupa. Não quero levar uma caipira para um compromisso."
Caipira?
Su Banxia só pôde dar um risinho...
Seguindo as ordens dele, Su Banxia organizou o trabalho e foi para casa trocar de roupa.
Ao sair do escritório, lembrou-se do enorme buquê de rosas que Yan Xin havia dado ao meio-dia. Pensou que o apartamento estava meio vazio, sem muitos enfeites, e que aquelas rosas ali não tinham muita utilidade. Melhor levá-las para casa, onde poderiam dar um toque de clima.
Com isso em mente, pegou o buquê e se preparou para sair do escritório.
Mas antes de dar alguns passos, Pei Shaoze a chamou: "O quê? Não quer compartilhar comigo a doçura dessas rosas?"
Su Banxia ficou meio confusa. Ele, um grande presidente, precisava dessas coisas?
Para não irritá-lo, Su Banxia suavizou a voz: "Essas rosas aqui só atrapalham. Quero levá-las para casa, já que também preciso comprar flores para lá."
Era a verdade.
Mas Pei Shaoze parecia determinado a implicar com ela, e disse friamente: "Não atrapalham. É raro ter rosas tão bonitas; ficam aqui, são agradáveis de ver."
Já que ele falou assim, Su Banxia não podia mais insistir.
Sem pensar muito, largou o buquê e foi embora.
Depois que Su Banxia saiu, Pei Shaoze olhou para aquele enorme buquê de rosas vermelhas, cada vez mais incomodado. No fim, ao sair, pegou as flores e foi embora.
Não muito longe do prédio da empresa, havia uma pilha de lixo. Depois de jogar o buquê de rosas vermelhas ali, Pei Shaoze se sentiu bem melhor.
A recepcionista, ao sair, viu o grande presidente sorrindo para um buquê de rosas no lixo, e ficou surpresa por um momento.
Aproveitando a rara oportunidade de encontrar o presidente sozinha, a recepcionista se aproximou: "Presidente, boa tarde!"
Mesmo sendo apenas um cumprimento, o rosto da recepcionista já estava vermelho. Afinal, ela nunca tinha falado com Pei Shaoze antes!
Pei Shaoze grunhiu em resposta e se virou para sair.
Andou alguns passos, parou e olhou para a secretária: "Amanhã cedo, avise o departamento de logística para colocar rosas em todos os escritórios. Brancas, não vermelhas!"
Dito isso, sem esperar a resposta da recepcionista, ele entrou no carro e foi embora.
A recepcionista ficou confusa. O presidente estava...?
...
Su Banxia voltou para casa, trocou de roupa e mal teve tempo de conversar com os filhos antes de sair de novo.
Guoguo estava esperando ansiosamente pela volta de Su Banxia, mas ela mal falou e já foi embora.
O pequeno, frustrado, fez bico: "Mamãe, a que horas você volta? Eu e o irmão vamos esperar você."
Su Banxia a abraçou, beijou sua bochecha e disse: "Mamãe vai tentar voltar cedo. Guoguo, seja boazinha e obedeça ao irmão, ok?"
Sabendo que não podia segurar a mãe, Guoguo só pôde assentir, olhando para Su Hao com olhos pidões: "Irmão!"
A pequena era imbatível quando queria fazer pena.
Su Hao olhou para Su Banxia, cruzou os braços e a encarou com seriedade: "Você pretende nos deixar esperando assim para sempre?"
Su Banxia tinha um monte de explicações na cabeça, mas não sabia como começar.
Vendo que ela não respondia, Su Hao apenas disse: "Volta cedo."
Depois, puxou Guoguo: "Você tem que fazer a lição de casa."
Su Banxia não sabia o que dizer. Suspirou, com um olhar de culpa para os dois filhos: "Meus amores, mamãe promete que vai tentar voltar para casa o mais cedo possível!"
Não dava mais tempo. Se chegasse atrasada, com o jeito de Pei Shaoze, ela não sabia como ele a ironizaria.
Su Banxia foi direto ao restaurante indicado por Pei Shaoze.
Quando chegou ao prédio do restaurante, Pei Shaoze ainda não tinha chegado. Ela só pôde esperar do lado de fora, já que, como secretária, não era apropriado entrar sozinha.
Mandou uma mensagem para Pei Shaoze e ficou esperando.
Meia hora depois.
As pernas de Su Banxia já estavam dormentes. Pensou em ligar para Pei Shaoze para perguntar.
Mas, de repente, a porta de um Mercedes-Benz preto no estacionamento se abriu. Su Banxia olhou e viu alguém descer.
Ao reconhecer a pessoa, teve vontade de xingar.
Pei Shaoze!
Esse cara era maluco?
Ele já tinha chegado há muito tempo e a fez ficar parada ali esperando de propósito... Era demais!
Pei Shaoze desceu do carro, nem olhou para ela, e entrou direto no restaurante.
Su Banxia o seguiu, morrendo de vontade de estrangulá-lo.
Mas, depois de tanto tempo em pé, suas pernas estavam dormentes, e ela andava mancando.
Entrou no salão particular com Pei Shaoze, cumprimentou rapidamente os representantes da outra empresa e sentou ao lado dele.
Embora fosse um compromisso de negócios, o sucesso ou fracasso dependia totalmente de Pei Shaoze.
Em outras palavras, esse tipo de compromisso nem exigia a presença dele.
Só que Su Banxia não entendia por que Pei Shaoze estava ali.
Será que ele achava chato jantar sozinho e queria companhia?
Os representantes da outra empresa ficaram eufóricos ao ver Pei Shaoze, mas ele parecia não estar ali para negociar, e sim... para beber!
E então, a cena se desenrolou: Pei Shaoze bebia sem parar, enquanto os outros, sem entender, não ousavam tocar no assunto do contrato e só faziam brindes nervosamente.
Até altas horas da noite, Pei Shaoze já tinha bebido bastante.
Su Banxia não estava nem aí para ele; só pensava em como voltar para casa logo e ficar com os filhos.
No fim, Pei Shaoze bebeu tanto que ficou completamente bêbado, acordava, bebia mais e desmaiava de novo.
Depois, alguns dos representantes também ficaram bêbados, todos caídos sobre a mesa.
Os que ainda estavam sóbrios começaram a ficar inquietos e tentaram pedir ajuda a Su Banxia.
Su Banxia não era cega e percebeu. Olhou para Pei Shaoze, já bem alterado, e disse aos outros: "Já é tarde, vocês podem ir primeiro."
Preocupados, alguns perguntaram: "Srta. Su, e o contrato..."
"Amanhã à tarde, vão diretamente à Dingsheng. Vou falar com o presidente Yan para assinar com vocês."
Ouvindo isso, os representantes ajudaram os colegas bêbados a sair.
Olhando para Pei Shaoze, caído sobre a mesa, Su Banxia passou a mão na testa. Desde quando esse homem gostava tanto de beber?
"Presidente Pei!"
Chamou algumas vezes, mas Pei Shaoze não se mexeu.
Parecia completamente bêbado.