Fang Shiqing fez uma pausa. De fato, a preocupação de Su Banxia não era infundada. Por mais talentoso que Ren Yuan fosse, ele era apenas um gerente de departamento na família Zhou. O presidente Zhou jamais confiaria plenamente nele a ponto de entregar a empresa em suas mãos. E quem poderia estar por trás de toda essa série de problemas provavelmente era outra pessoa. "Banxia, você..." "É por isso que estou com a mente tão perturbada. Mas não tem problema, vou continuar investigando os detalhes. De todo modo, farei o possível para evitar que a Dingsheng passe por essa crise." Su Banxia respirou fundo, falando com seriedade. Ao ouvir isso, Fang Shiqing sorriu involuntariamente: "Na verdade, acho que com alguém tão perspicaz como o presidente Pei por perto, ele não permitiria que algo assim acontecesse. Então, fique tranquila." "Tomara." Su Banxia suspirou sombriamente, virou-se e sorriu levemente para a pessoa ao lado. As duas trocaram algumas palavras breves e se separaram, cada uma voltando para seu escritório. Pei Shaozé já havia partido. Sem ver aquele "demônio vivo", Su Banxia não conseguia definir exatamente o que sentia. Ela não tinha clareza sobre qual era seu lugar no coração dele. A sensação que Pei Shaozé lhe passava era sempre de altos e baixos, difícil de agarrar. Ele era como as estrelas no céu: lindas, mas distantes, inalcançáveis. "O que devo fazer com você?", disse ela, suspirando. Sentia, inexplicavelmente, que seus sentimentos por Pei Shaozé estavam se tornando cada vez mais profundos. No dia seguinte, tudo seguia como de costume. Su Banxia estava no escritório cuidando de assuntos de trabalho quando, de repente, um barulho vindo de fora chamou sua atenção. Antes que pudesse se levantar para investigar, a porta do escritório foi abruptamente empurrada. "Ba-Banxia..." Fang Shiqing estava sem fôlego, ofegante. Só Deus sabia como ela se sentira ao ver a cena lá embaixo. Subira as escadas correndo, sem esperar o elevador. "O que foi?" Su Banxia fez uma pausa, sem entender. Fang Shiqing respirou fundo: "Minha querida, você tem mesmo sorte no amor! O jovem presidente do Grupo Lu veio se declarar na porta da empresa." "O quê?" Su Banxia levantou-se de repente da cadeira, com o rosto tenso. "Lá embaixo, na entrada da empresa, Lu Zhihang está de terno branco, parecendo um príncipe encantado, segurando flores. Está parado na porta. E já está quase na hora do almoço, provavelmente está esperando por você." Enquanto falava, Fang Shiqing olhou para o relógio no pulso. Su Banxia franziu levemente as sobrancelhas. Não demonstrava excitação, apenas indiferença. Não sabia o que Lu Zhihang estava tramando, e seu rosto mostrava certa confusão. Percebendo seu mau humor, Fang Shiqing a observou com mais atenção: "Banxia, que tal dar uma chance a Lu Zhihang? Desde a faculdade até agora, a determinação dele é firme." "Impossível." A resposta de Su Banxia foi direta, e seu olhar, cortante, fez Fang Shiqing engolir o resto das palavras. Su Banxia ficou diante da janela panorâmica, olhando para Lu Zhihang, que estava encostado em um Maybach. Seu coração apertou. Carro esportivo, flores e um homem bonito — tudo parecia saído de um drama romântico. Mas aquela cena, aos olhos de Su Banxia, era uma ironia. Ela sentia que Lu Zhihang estava fazendo isso de propósito para humilhá-la! Naquele momento crítico da cooperação entre as famílias Lu e Pei, ela, como principal responsável pelo projeto, já enfrentava muitos boatos. Originalmente, já estava em uma situação difícil de se explicar. Agora, com isso, não se sabia em quantas versões a história se transformaria. Além disso, o mais importante era que ela não queria que Pei Shaozé entendesse mal. Já por causa de sua recente relação com Lu Xiner, Pei Shaozé estava de mau humor. Com uma cena tão chamativa, não seria ainda mais desconfortável? "Banxia, que tal você ir falar com ele e esclarecer as coisas?", sugeriu Fang Shiqing, vendo sua expressão sombria, em tom cauteloso. "Não precisa." Su Banxia balançou a cabeça, desviando o olhar da figura lá embaixo, e se voltou para Fang Shiqing: "Já que ele gosta de esperar, que espere. Hoje não vou sair para o almoço. Deixo o almoço por sua conta." Fang Shiqing deu de ombros, suspirou sombriamente, disse algumas palavras para que ela não se preocupasse, e saiu do escritório. De fato, ter um pretendente tão ardente era algo de dar dor de cabeça. Pei Shaozé voltou à tarde. Já ouvira falar do pequeno incidente do meio-dia. Quando entrou no escritório, sua expressão era indecifrável, difícil de ler. "Você já fechou o contrato?" Ao vê-lo, Su Banxia sentiu um aperto no coração. Levantou-se da cadeira e lhe deu um sorriso tranquilo. "Secretária Su, sua vida diária é realmente cheia de cores. Sem você na Dingsheng, os funcionários perderiam tantos assuntos para comentar nos intervalos?" Pei Shaozé se aproximou dela, apoiou as mãos na mesa e ergueu levemente as sobrancelhas. Ele estava sorrindo, mas para Su Banxia, aquele sorriso parecia uma sentença de morte. Ela engoliu em seco, nervosa: "Pre-Presidente Pei..." "Hm?" Pei Shaozé franziu a testa. "Shaozé, você está enganado. Entre mim e Lu Zhihang, não há nada." Su Banxia segurou firmemente os dois lados da cadeira para se encorajar. Pei Shaozé estalou a língua: "Ouvi dizer que houve um evento muito chamativo com flores ao meio-dia. Por que a Secretária Su não apareceu?" "Eu..." "Parece que não me esforcei o suficiente para mostrar a todos que você é minha." Pei Shaozé estendeu a mão e ergueu suavemente o queixo dela, num gesto íntimo. Su Banxia sorriu sem jeito, sem saber como reagir. Sentia-se como um peixe na tábua de cortar, à mercê do outro. "Não-não é nada disso..." Sua mente estava uma bagunça, o coração inquieto. Olhando para ele, deu um passo à frente, com um olhar suplicante: "Você precisa acreditar em mim. Entre mim e Lu Zhihang, realmente não há nada." Raramente via Su Banxia tão receptiva. Pei Shaozé não podia negar que se sentiu tocado. O ciúme diminuiu pela metade, e ele disse, mais calmo: "Depois de amanhã, há um encontro do círculo de negócios. A Secretária Su deve ir vestida a rigor e me acompanhar." "...Está bem." Su Banxia assentiu. Naquela altura, ainda tinha escolha? Depois de dizer isso, Pei Shaozé se endireitou e perguntou casualmente: "Conseguiu alguma conclusão na família Song, como pedi?" "Sim, mas o presidente Song tem uma condição: depois que o negócio estiver fechado, todos os recursos de fornecedores estrangeiros serão compartilhados conosco." Su Banxia resumiu brevemente a situação. Ao ouvir, Pei Shaozé sorriu levemente, com um brilho nos olhos difícil de decifrar: "Realmente uma raposa. Deixe isso comigo." "Isso envolve a família Zhou." Su Banxia lembrou, séria.