"Está feliz?" Pei Shaoze podia ver claramente o rosto dela pelo retrovisor e não pôde deixar de perguntar em voz baixa. "Não, não estou." Su Banxia balançou a cabeça, mas internamente não parava de criticar aquele homem por não ter nenhum romantismo. Que mulher não gostaria de uma coisa dessas, não é mesmo? Pensando nisso, Su Banxia ainda queria revirar os olhos para ele. Diante dessas pequenas manias de orgulho dela, Pei Shaoze apenas sorriu levemente, acalmou a mente e, de repente, perguntou devagar: "O pai de Guoguo e Hao Hao já fez algo assim com você?" Uma simples frase instantaneamente calou Su Banxia, e o sorriso em seu rosto ficou um pouco rígido. "Hm?" Sem obter resposta, Pei Shaoze não pôde deixar de olhar para ela mais uma vez: "Lin Tongze mora na França, deveria entender mais de romantismo." "Talvez." Su Banxia se virou, sem vontade de dar atenção a ele. Sobre a questão das crianças, ela realmente não queria falar muito. Contar a Pei Shaoze a verdadeira identidade daquelas duas crianças, ela temia muito acabar ficando sem nada no final. Vendo isso, Pei Shaoze também não insistiu mais. O clima, que antes estava até bom, agora ficou um tanto constrangedor. Pei Shaoze podia ver claramente pelo retrovisor a seriedade no rosto da mulher ao lado, e seu coração também se apertou. Saber que ela estava pensando em outras coisas na frente dele era, no fim das contas, desconfortável. Os dois voltaram para casa cada um com seus sentimentos, sem trocar uma palavra. No dia seguinte, tudo seguiu como de costume. Depois de acordar, Su Banxia, como sempre, cuidava da rotina da família. "Mamãe." Su Guoguo, esfregando os olhos sonolentos, rodeava-a. "Guoguo, por que não vai se lavar?" Su Banxia, enquanto se ocupava, olhou para baixo para ela. A pequena era muito esperta, e ela realmente não sabia o que ela queria. Su Guoguo fez bico, estendeu as mãos e disse com voz infantil: "Quero um abraço." "Hm?" "Abraço." Os olhos de Su Guoguo estavam cheios de expectativa. Su Banxia hesitou, depois a pegou no colo: "Mamãe está ocupada, Guoguo precisa aprender a se virar sozinha. Vai se lavar com o irmão, está bem?" Mal terminou de falar, Su Guoguo abraçou o pescoço de Su Banxia e, com cuidado, deu um beijo em seu rosto: "Mamãe não deu o beijo de bom dia para Guoguo." "Então mamãe vai te dar agora." Su Banxia riu sem saber se ria ou chorava. Aquela pestinha era realmente adorável demais. Depois de ganhar o beijo de bom dia que queria, Su Guoguo foi embora feliz. As duas crianças ficaram implicando uma com a outra, trazendo um pouco de vida à sala silenciosa. Quando Pei Shaoze desceu as escadas, foi exatamente essa cena que viu. Olhando para a silhueta ocupada na cozinha, seus lábios se curvaram involuntariamente, e o desconfortável assunto da noite anterior parecia ter se dissipado como fumaça. "Tio Pei." Su Guoguo, depois de se lavar, viu Pei Shaoze sentado na sala e naturalmente se aconchegou nele. "Quer que o tio também te dê um beijo de bom dia?" Pei Shaoze a pegou no colo e deu um beijo em sua bochecha. Su Guoguo, satisfeita, abraçou o pescoço dele e devolveu o beijo, com uma risada clara e especialmente encantadora. "Que infantil." Su Hao resmungou de lado. Já era uma criança grande e ainda queria beijo de bom dia. Mas, se fosse o pai deles, talvez até desse para considerar. "O café da manhã está pronto." Su Banxia disse em voz baixa para os três. Pei Shaoze carregou Su Guoguo até a mesa, os dois muito próximos um do outro. Vendo aquela cena, Su Banxia não pôde deixar de hesitar. Realmente era um laço de sangue impossível de cortar. Antes, Su Guoguo até brincava bem com Lin Tongze, mas nunca foi tão íntima assim. "Uau, que farto! Mamãe é demais!" Su Guoguo ficou de água na boca. Na frente dela, estavam todas as suas comidas favoritas. "Vocês se saíram muito bem nos estudos ultimamente, então isso é um prêmio da mamãe." Su Banxia disse com voz suave. Ao ouvir isso, Su Guoguo ficou muito feliz. Os ovos fritos no prato, bem molinhos, estavam especialmente tentadores. Su Guoguo, com garfo e faca, comia o que estava no prato com muita habilidade. Pei Shaoze ergueu os olhos para ela, com um leve sorriso nos lábios: "Antes, na França, você também era assim?" "Hm?" Su Banxia hesitou, depois assentiu: "No fim das contas, as crianças precisam de cuidados." Mesmo que a vida naquela época fosse difícil, ela nunca deixaria faltar nada para os dois filhos. "A secretária Su trabalha muito. E o pai das crianças, não cuida de vocês?" Pei Shaoze perguntou como se fosse sem querer, tocando no assunto novamente. "Tongze... é muito bom para nós." Su Banxia baixou a cabeça, sem ousar respirar alto, e nem mesmo erguer os olhos para ele, com medo de que a emoção em seus olhos fosse descoberta. E essa postura cautelosa dela, aos olhos de Pei Shaoze, parecia ser um sinal de que ainda tinha sentimentos por Lin Tongze, e seu rosto escureceu na hora. As duas crianças, sentindo o clima estranho, ficaram quietas, sem falar nada. Depois de comer, Pei Shaoze levou as crianças para a escola e depois levou Su Banxia para a empresa. Durante todo o caminho, silêncio total. O clima pesado fez Su Banxia se sentir muito sufocada. Ao chegar na empresa, Pei Shaoze pegou os documentos e foi direto para a reunião semanal. Su Banxia ficou sozinha no escritório, balançando a cabeça sem jeito. Aquele homem teimoso, às vezes, ela realmente não sabia o que ele queria. Enquanto mexia nos documentos, o toque do celular interrompeu sua atenção. Era um número desconhecido. Su Banxia hesitou e, distraidamente, atendeu. "Secretária Su." A voz do outro lado estava distorcida por um modificador, impossível de identificar quem era. "Quem é você?" Su Banxia ficou confusa, sem saber quem estaria brincando de um jogo tão infantil com ela. O outro lado deu uma risadinha: "A secretária Su tem mesmo um talento enorme, até desmontou o esquema de Lin Haoran. Só não sei, nos próximos passos, quanto tempo você vai aguentar?" "Quem é você, afinal!" O rosto de Su Banxia escureceu. "Quem eu sou não importa. Su Banxia, você me deve algo, e eu vou cobrar aos poucos. Vou cobrar com a sua vida!" A voz do outro lado tinha um tom maligno. A risada ecoava sem parar, arrepiando os cabelos. Mesmo sendo pleno dia, Su Banxia sentiu um calafrio nas costas. Aquele telefonema era suspeito, muito estranho. Depois de desligar, Su Banxia jogou o celular de lado e tentou pensar, mas não conseguiu adivinhar quem poderia ter ligado. Como a tarde foi muito ocupada, ela logo esqueceu o assunto. Para ela, talvez fosse só uma brincadeira de alguém. Só perto do fim do expediente Pei Shaoze voltou à empresa. Ao vê-lo, Su Banxia, muito educadamente, entregou a ele a planilha organizada: "Presidente Pei, este é o detalhamento de todas as transações da empresa neste período."