Capítulo 212: Capítulo 212 - Não Cumprir a Palavra

Vendo isso, Fang Shiqing não disse mais nada. Os dois conversaram casualmente sobre os tempos de universidade, ambos lamentando o passar do tempo.

Enquanto isso, no caminho de volta com as duas crianças, Pei Shaoze foi submetido a um interrogatório contínuo por parte delas.

— Foi você que maltratou a mamãe, por isso ela foi para o hospital? Su Guoguo franziu o rostinho e perguntou séria. Ela gostava muito daquele tio bonito e rico, mas em questões de princípio, não abria mão!

Pei Shaoze segurou o volante por um instante: — Quem te disse isso?

— A madrinha me contou que a mamãe desmaiou no trabalho. Você fez ela fazer hora extra de novo? Su Guoguo parecia estar cobrando explicações. Aquela expressão feroz era uma cópia exata de Su Banxia quando se irritava.

Pei Shaoze ficou um pouco constrangido. Não sabia como responder àquela pergunta, afinal, era verdade. Dessa vez, Su Banxia desmaiou e foi hospitalizada, e ele tinha, sim, uma ligação direta com isso.

Vendo a expressão dele, Su Guoguo franziu ainda mais a cara: — Tio Pei, você não cumpre o que promete. Disse que daria tempo suficiente para a mamãe ficar conosco, mas já faz muito tempo que não estamos com ela.

— Guoguo, coisas da empresa, vocês, crianças, não entendem. Pei Shaoze disse com um sorriso suave. Todo o seu gelo diante dos outros não funcionava com uma menininha adorável.

Su Guoguo não caiu nessa: — Foi você que mandou eu e meu irmão encenarmos para a mamãe ficar, mas você não cumpre o que promete.

Ao ouvir isso, Pei Shaoze limpou a garganta e disse calmamente: — Dessa vez foi um mal-entendido, não pensei direito. Mas o tio garante que isso não vai se repetir.

— Hum. Su Guoguo virou o rosto com um ar de orgulho, claramente não acreditando nele. Uma ou duas vezes até dava para perdoar, mas quantas já foram?

Pei Shaoze sabia que sua credibilidade com as duas crianças já era zero. Ficou bastante frustrado, sem acreditar que ele, sempre tão firme, agora estava sendo derrotado por uma criança.

O carro seguia suavemente pela estrada. Su Hao não disse uma palavra o tempo todo, seu jeito frio fez até Pei Shaoze olhar para ele várias vezes. Os dois filhos de Su Banxia tinham personalidades opostas: uma era vivaz e adorável, o outro, frio e elegante.

— Eu realmente não sei como sua mãe conseguiu educar vocês. Pei Shaoze disse com um tom sugestivo. Sinceramente, ele gostava muito das duas crianças de coração e queria tratá-las como se fossem suas.

Su Guoguo não respondeu mais. A pequena criatura se debruçou na janela, olhando as luzes da cidade lá fora, com um toque de emoção no rosto. Embora ainda fossem pequenos, também ansiavam por afeto. Crescer sem a companhia do pai já deixava algumas lacunas em seus corações, e agora até a mãe raramente estava com eles.

— Irmão. Su Guoguo fez uma careta triste e se virou para olhar para Su Hao ao lado.

Su Hao manteve a expressão calma. A aura que emanava daquela pequena figura não era nada inferior à de um adulto.

Chegando em casa, as duas crianças desceram do carro. Su Guoguo foi para o quarto, enquanto Su Hao ficou na sala, encarando Pei Shaoze à sua frente. Os olhares do grande e do pequeno se encontraram, nenhum dos dois recuou.

Pei Shaoze esboçou um sorriso no canto da boca, sentindo uma admiração genuína por aquela criança. Ter tanta determinação numa idade tão jovem não era fácil. Ele parecia ver um reflexo de si mesmo naquela criança.

— O que foi, Haohao? — Você prometeu que cuidaria bem da mamãe. Su Hao foi direto ao ponto. Não tinha falado no carro porque não queria deixar Guoguo triste de novo.

— Dessa vez, vou refletir sobre o que aconteceu. Pei Shaoze disse com um sorriso sincero para a criança.

— Você realmente gosta da mamãe? Su Hao olhou fixamente para ele, como se quisesse ler sua alma. Desde pequenos, viviam os três juntos. Como o único homem da casa, ele tinha o dever de proteger as duas mulheres.

— Por que pergunta isso? Pei Shaoze o observou com interesse.

Su Hao respondeu calmamente: — Antes, na França, eu sabia que o tio Lin também gostava da mamãe, mas ele nunca deixava ela se machucar. Pelo contrário, ele fazia tudo que podia por ela.

Ao ouvir isso, a expressão de Pei Shaoze mudou sutilmente. Ele sabia muito bem quem era o "tio Lin" que Su Hao mencionava.

— E no coração do Haohao, você gosta mais do tio Lin ou de mim? Pei Shaoze perguntou com voz suave.

— Tio Pei acha que, com o jeito que você trata a mamãe agora, eu deveria gostar de você? Su Hao devolveu a pergunta, com um tom incisivo que deixou Pei Shaoze sem resposta. Parecia que, ultimamente, ele tinha sido um pouco duro com Su Banxia. Coisas pequenas demais, aos olhos dele, viravam grandes erros.

— Se você realmente gosta da mamãe, não a deixe mais se machucar ou ficar triste. Antes, na França, nossa vida era simples, mas éramos felizes. Su Hao disse, palavra por palavra.

Com Lin Tongze, embora Su Banxia não tivesse se apaixonado por ele, ela era feliz e contente. Aquelas palavras, nos ouvidos de Pei Shaoze, eram como uma agulha, perfurando o ponto mais sensível do seu coração. Como diz o ditado, sem comparação não há sofrimento. Agora, ele estava completamente ofuscado por Lin Tongze, não é?

— Pode ficar tranquilo. Também vou fazer sua mãe ser uma mulher sem preocupações. Pei Shaoze se agachou e fez a promessa.

— Quero ver resultados reais, não promessas vazias. Com essas palavras, Su Hao se virou sem hesitar, deixando-lhe uma silhueta despreocupada.

Olhando para aquela criança, Pei Shaoze estalou a língua involuntariamente, um sorriso surgindo em seu rosto.

Depois de colocar as duas crianças para dormir, Pei Shaoze dirigiu até o hospital. Fang Shiqing já tinha ido embora, e no quarto só restava Su Banxia.

— Por que você veio? Su Banxia se assustou e se sentou rapidamente.

— Está sentindo algum desconforto? Pei Shaoze sentou-se na beira da cama dela e perguntou com cuidado.

O coração de Su Banxia apertou. Ela olhou para ele com certa desconfiança. Aquele tom tão suave não era o estilo dele.

— Estou... muito melhor. — Descanse bem. As coisas da empresa, eu passei para Zhang Shanshan recentemente. Não se preocupe. Pei Shaoze ajeitou o cobertor para ela.

Sentindo o aroma característico que emanava dele, Su Banxia ficou paralisada. Mexeu os lábios, sem saber o que dizer. Aquele homem tinha tomado o remédio errado hoje?

— Ainda não vai dormir? Está esperando eu te fazer dormir? Pei Shaoze esboçou um sorriso no canto da boca.

Entendendo a insinuação, Su Banxia fechou os olhos imediatamente.