Pei Shaoze semicerra os olhos escuros, aproximando-se de Su Banxia com uma aura sombria. A intensa hormona masculina faz o sangue de Su Banxia refluir, deixando-a extremamente desconfortável.
— Sr. Pei...
Pei Shaoze ergue a mão, seus dedos longos e finos como jade retiram os pesados óculos pretos que estavam sobre a ponte do nariz dela, revelando seus olhos grandes e nítidos, com uma clara distinção entre o preto e o branco.
Sem a obstrução da armação, ele consegue ver claramente seus traços delicados, e todas aquelas lembranças vagas, mas inesquecíveis, que estavam em sua mente, vêm à tona.
— Su Banxia, há seis anos você invadiu meu quarto, sem vergonha alguma me pediu para te possuir, depois sumiu sem dizer nada, e ainda por cima me deixou descaradamente duzentos como gorjeta de prostituição. Agora, disfarçada, entra na minha empresa, se aproxima de mim, seduz meu irmão. Posso saber qual é o seu objetivo?
Ele narra tudo com um tom calmo e pausado, o olhar frio e sereno, mas com uma raiva latente.
Su Banxia sabe que ele a está vendo como uma espiã comercial, e até mesmo o acidente de seis anos atrás foi puxado para isso.
Ela o encara, balança a cabeça e diz seriamente:
— Sr. Pei, eu sei que se eu disser que tudo isso foi coincidência, o senhor não vai acreditar, mas a verdade é essa.
— Hah...
Ele ri com desdém e diz:
— Já que é coincidência, então peça demissão!
— Não posso!
Quase sem pensar, Su Banxia responde rapidamente.
Vendo Pei Shaoze a olhar com um sorriso irônico, ela se apressa em explicar:
— Sr. Pei, naquela noite de seis anos atrás, não foi de propósito que invadi seu quarto. Seis anos atrás, eu e Ren Yuan éramos namorados, eu só queria ir atrás dele para acertar contas. Naquela noite, eu tinha bebido muito, por isso entrei no quarto errado e acabei encontrando o senhor. O senhor deve se lembrar bem, naquela noite eu bebi demais e já estava de porre.
— Ah...
Pei Shaoze prolonga o som, lembrando-se daquela noite. Ela estava bêbada, sim, mas no dia seguinte, ela...
— E a gorjeta e o pato, também foi coincidência?
Ele pergunta isso com os dentes rangendo.
Em toda a sua vida, nunca havia sido tratado com tanta zombaria. Su Banxia foi a primeira.
Ao mencionar isso, Su Banxia fica um pouco envergonhada. Ela, uma moça virgem, foi dormida por alguém sem motivo, e, desequilibrada, desenhou um patinho no peito dele. Quanto aos duzentos, ela admite, foi de propósito.
Mas ela nunca imaginou que um dia se encontraria com Pei Shaoze como inimiga!
Se soubesse antes, teria fugido para bem longe. Mas agora... flecha lançada não volta!
Isso não dá para explicar direito. Su Banxia continua:
— Depois daquela noite de seis anos atrás, fui estudar no exterior. Quando voltei para procurar emprego, nunca pensei que entraria na Dingsheng, e que o senhor fosse o presidente da Dingsheng. Tudo isso foi coincidência.
Quanto mais fala, mais baixa fica sua voz, murmurando:
— Sobre aquela noite de seis anos atrás, realmente sinto muito.
Embora no fundo ela não queira se desculpar de jeito nenhum, mas quando se está sob o teto dos outros, é preciso abaixar a cabeça. Ela se entrega.
Yan Xin, ao lado, ouve tudo confuso, levando um tempo para entender que Pei Shaoze foi dormido por alguém sem motivo há seis anos, e essa pessoa era Su Banxia.
De repente, ele se lembra das duas crianças que viu, que se parecem muito com Pei Shaoze.
Na época, embora não acreditasse na explicação de Su Banxia, no fundo achava que não existiam tantas coincidências no mundo.
Agora, ouvindo a conversa deles, ele praticamente conclui que os dois filhos de Su Banxia são de Pei Shaoze.
E Pei Shaoze ainda não sabe nada sobre as crianças.
Para testar, ele olha para Su Banxia e pergunta:
— Srta. Su, a senhora é casada agora?
A pergunta surge do nada. A atenção de Su Banxia ainda está em Pei Shaoze, pensando em como se livrar das suspeitas dele, quando surge Yan Xin.
Ela não esqueceu que Yan Xin já viu Xiao Hao e Guo Guo.
Preocupada que Yan Xin possa dizer algo que não deve, ela rapidamente responde:
— Sim, já sou casada. Meu marido está no exterior, e por causa do trabalho, trouxe meus filhos de volta ao país.