Combinaram o local e a hora, e cada um desligou o telefone.
Su Banxia esperou cedo no destino. Sentou-se perto da janela, apoiando o queixo com uma mão, enquanto a outra mexia distraidamente no café à sua frente.
— Banxia.
Lin Tongze viu sua figura assim que entrou, e sorriu levemente enquanto se aproximava dela.
Ao ouvir a voz, Su Banxia se recompôs imediatamente, endireitou-se e sorriu para o recém-chegado: — Senta.
Lin Tongze a olhou, sentou-se calmamente à sua frente e perguntou: — Está de mau humor?
Desde que entrou, viu Su Banxia distraída. Ele a conhecia bem; geralmente, ela só agia assim quando estava de mau humor.
— Você percebeu isso? Parece que sou transparente para você.
Su Banxia disse meio brincando, meio sério.
Lin Tongze não se importou: — Você é alguém que sempre mostra o que sente no rosto. Se eu não percebesse, não seria seu amigo por tantos anos à toa.
— Obrigada por estar sempre ao meu lado todos esses anos, Tongze. Na verdade, eu...
— Banxia, entre nós não precisa de agradecimentos. Na verdade, eu também sou grato pela alegria que você me trouxe na França. Sempre que enfrentava dificuldades no trabalho, você era a primeira a dar sugestões. Se for para agradecer, você foi quem mais me ajudou.
Lin Tongze interrompeu-a, com um sorriso suave.
Su Banxia ficou surpresa: — Com meu conhecimento superficial, consigo realmente ajudar você?
— Às vezes, você se subestima demais, Banxia. Aos meus olhos, você é muito talentosa.
Os olhos de Lin Tongze pareciam brilhar como estrelas ao olhar para Su Banxia.
— Não sou tão boa assim.
Su Banxia desviou o rosto, tentando evitar seu olhar.
Lin Tongze disse calmamente: — Você me chamou hoje, não é só para tomar este café, certo?
— Tongze...
— Fala logo, o que aconteceu?
Lin Tongze sorriu levemente enquanto a observava.
Su Banxia suspirou baixinho, limpou a garganta e disse devagar: — Pode me arrumar uma passagem para a França? Quanto mais cedo, melhor.
Ao ouvir isso, Lin Tongze ficou um pouco surpreso: — Você realmente decidiu?
— Desta vez, tenho o direito de não ir?
Su Banxia deu um sorriso amargo, toda a impotência estava implícita.
Lin Tongze sentiu uma pontada de dó. Ele disse calmamente: — Amanhã à tarde tem um voo. Vou providenciar tudo para você. Assim que resolver as coisas aqui, virei para a França o mais rápido possível.
— Obrigada.
Su Banxia agradeceu sinceramente.
— Não repito a mesma coisa duas vezes.
Lin Tongze sorriu.
Os dois conversaram um pouco e depois se despediram.
Su Banxia arrumou a bagagem secretamente durante a noite. Para não levantar suspeitas e evitar que Pei Shaoze percebesse algo, foi trabalhar como de costume. Quando chegou a hora, inventou uma desculpa de entregar documentos e saiu.
Foi até a escola das crianças para buscá-las, mas ficou surpresa ao descobrir que elas já haviam sido levadas um minuto antes.
Su Banxia sentiu o coração afundar e ligou apressadamente para Lin Tongze.
— Já arrumou tudo?
Lin Tongze perguntou com um sorriso.
— Foi você quem buscou Guoguo e Haohao?
A voz de Su Banxia estava claramente ansiosa.
Lin Tongze ficou surpreso: — As crianças desapareceram?
— Perguntei ao professor aqui, ele disse que foram levadas por um homem. Pensei que fosse você.
Su Banxia estava extremamente agitada, com a voz embargada de choro.
— Calma, se acabaram de levá-las, não devem ter ido longe. Dê uma olhada nas redondezas, procure nos lugares que Guoguo e Haohao mais gostam.
Lin Tongze tentou acalmá-la.
Su Banxia não hesitou e começou a procurar com afinco nas proximidades, o coração apertado.
Com o horário do voo se aproximando, seu desespero aumentava. Para ela, as duas crianças eram mais importantes que tudo!
— Guoguo! Haohao!
Su Banxia procurou rua após rua, a voz já rouca de tanto gritar, mas ainda não via sinal das crianças.
Quando o céu começou a escurecer, Su Banxia se sentiu exausta, mal conseguindo se manter de pé. No auge do desespero, a voz infantil de Su Guoguo soou de repente ao seu lado.
— Mamãe.
Ao ouvir, Su Banxia ergueu os olhos e viu a criança à sua frente. Sentindo uma emoção complexa, deu um passo à frente e abraçou Su Guoguo apertado.
— Mamãe.
Su Guoguo não entendia o que estava acontecendo.
Su Banxia a soltou, examinou-a cuidadosamente para garantir que estava bem, e só então se acalmou. Mas logo seu rosto mostrou um pouco de raiva: — Por que não ficou na escola durante a aula? Saiu com um estranho. E se tivesse se perdido?
— Mamãe...
Su Guoguo viu a raiva de Su Banxia e fez uma careta de injustiça.
— Vocês esqueceram tudo o que eu disse antes?
Su Banxia estava séria.
— Mamãe, foi o tio Pei quem nos buscou. Hoje é seu aniversário, e eu e meu irmão queríamos te dar uma surpresa.
Su Guoguo, sentindo a raiva da mãe, começou a chorar alto.
Su Banxia ficou paralisada. Endireitou-se e viu Pei Shaoze e Su Hao parados não muito longe.
Su Hao segurava uma caixa de bolo elegante e, ao olhar para Su Banxia, seus olhos mostravam uma clara confusão.
— Pei... Pei Shaoze...
Su Banxia murmurou, com uma emoção complexa no olhar.
— Ouvi da Guoguo que hoje é seu aniversário.
Pei Shaoze a olhou com indiferença, com o tom frio de sempre.
— Eu...
— Mamãe, este bolo foi feito por nós três. Na França, eu e meu irmão estragamos um bolo uma vez, e desta vez fizemos questão de te dar outro.
Su Guoguo enxugou as lágrimas e disse com voz infantil.
Su Banxia franziu a testa, com uma expressão claramente preocupada.
Pei Shaoze, com o rosto sério, deu um passo à frente e pegou Su Guoguo no colo, ignorando completamente Su Banxia.
Vendo as costas daquele trio, Su Banxia se sentiu ainda mais desconfortável.
Lin Tongze ligou para saber como estava a situação, e Su Banxia explicou de forma hesitante. Não precisava dizer muito para ele entender o que se passava em seu coração.
Ao desligar, Lin Tongze teve um olhar profundo, sentindo uma estranha sensação de perda, como se o lugar mais importante em seu peito estivesse vazio.
Su Banxia seguiu os passos do grupo à frente e voltou para casa constrangida.
Su Guoguo, animada, pegou uma faca e um garfo, cortou um pedaço pequeno do bolo e o ofereceu a Su Banxia: — Mamãe, feliz aniversário. Que você seja sempre jovem e bonita.
— Seu pestinha.
Su Banxia deu um sorriso resignado. Aqueles dois filhos eram seu tesouro e sua eterna alegria.