Capítulo 183: Capítulo 183 Nós não vamos embora, está bem?

Yan Xin ouviu as palavras de Su Banxia e não pôde deixar de sorrir levemente, com os lábios franzidos: "Acho que você é a primeira pessoa que ousa falar assim dele."

Su Banxia deu de ombros impotente, apontando para a pilha de documentos à sua frente: "Não ouso resistir cara a cara, só posso reclamar pelas costas. Talvez seja o que chamam de espírito de Ah Q."

"Não pense demais. Shaozhe provavelmente está te punindo abertamente, mas no fundo vai sentir pena de você."

Yan Xin conhecia bem Pei Shaozhe. Esse homem é o típico caso de quem prefere sofrer calado a perder as aparências.

"Você não vai viajar a negócios? Ainda não foi? Vai perder o voo."

Su Banxia olhou para o relógio e apressou-o.

Yan Xin acenou com a cabeça e se despediu dela. Desta vez, a viagem duraria apenas uma semana. Embora não fosse longa, ficar tanto tempo sem ver Su Banxia o deixava um pouco desconfortável.

Mesmo sabendo que não tinha chance com Su Banxia, bastava vê-la de longe todos os dias para se sentir satisfeito. Às vezes, só a silhueta dela já lhe dava energia para o dia inteiro.

Só que ela nunca soube disso.

Ao sair da empresa, Yan Xin sentiu uma melancolia inexplicável. Em todas as outras viagens de negócios, nunca tinha sentido isso.

"Sr. Yan, o que houve?"

Zhang Shanshan percebeu sua mudança de humor e perguntou com preocupação.

"Estou pensando no fuso horário da viagem. Isso me irrita."

Yan Xin inventou uma desculpa qualquer.

Zhang Shanshan levou a sério e se mostrou atenciosa: "Não se preocupe. Só precisamos nos ajustar no primeiro e no último dia. O resto é tranquilo."

"Só você é tão despreocupada."

Yan Xin sorriu levemente.

Olhando para o perfil elegante dele, Zhang Shanshan caiu em êxtase mais uma vez, mas escondeu seus sentimentos no fundo do coração.

Su Banxia estava fazendo hora extra na empresa. Sem perceber, o dia escureceu. Olhando para a montanha de papéis ao lado, ela respirou fundo e continuou a revisar.

"Mamãe!"

A porta do escritório se abriu, e duas crianças entraram pulando.

"Guoguo? Haohao?"

Su Banxia se surpreendeu: "Como vocês vieram parar aqui?"

"Foi o tio Pei quem nos trouxe. Ele disse que a mamãe errou o relatório hoje, então precisa fazer hora extra para refazer. Mamãe, como você pôde ser tão descuidada?"

Su Guoguo a repreendeu com sua vozinha infantil.

Su Banxia, ao ouvir isso, olhou para o homem que acabara de entrar.

Ele estava segurando uma marmita!

Su Banxia franziu os lábios, sentindo-se um pouco mais aliviada. Parece que ele não é tão cruel quanto ela imaginava.

Su Hao, diferente de Su Guoguo, olhou para a mesa cheia de documentos e franziu a testa: "Você tem que fazer tudo isso?"

"Sim..."

"Não!"

Su Banxia e Pei Shaozhe falaram quase ao mesmo tempo. Ele tomou a dianteira: "Isso é o volume de trabalho do mês da sua mãe, mas hoje ela só precisa corrigir os erros."

Ao ouvir as palavras de Pei Shaozhe, ela não pôde deixar de revirar os olhos.

Esse homem mente sem nem pestanejar.

Aquela pilha de papéis na mesa dela não era culpa dele?

"Quanto tempo a mamãe ainda vai demorar?"

Su Guoguo apoiou o queixo e olhou para ela: "O tio Pei disse que vai nos levar para jantar. Mamãe, tem que se apressar."

"Gulosa."

Su Banxia riu sem saber se ria ou chorava. Essa criança perde a razão quando ouve falar em comida.

No entanto, ao ver os documentos à sua frente, ela não pôde evitar franzir a testa: "Guoguo, vá com seu irmão e o tio Pei jantar. A mamãe ainda vai demorar muito."

"É tão complicado assim?"

Su Guoguo ficou um pouco decepcionada. Aquele restaurante era tão gostoso.

"Sim."

Su Banxia estava com dor de cabeça.

Pei Shaozhe a observava friamente, como se esperasse que ela pedisse clemência. Mas, claramente, Su Banxia não caía nessa. Do começo ao fim, manteve-se calma.

Isso acabou com sua superioridade. Pei Shaozhe colocou a marmita na frente dela: "Comprei sopa de arroz com molho de caracol para você. Sei que gosta. Come isso para encher o estômago, depois termina esses documentos e vamos todos jantar. Eu e as crianças já comemos um pouco, não estamos com muita fome, podemos esperar por você."

Su Banxia ergueu levemente as sobrancelhas e o encarou.

Às vezes, ela realmente não sabia que tipo de pessoa era Pei Shaozhe. Sempre a torturava de um lado, enquanto do outro lhe dava surpresas infinitas.

Depois de arrumar as coisas, eles finalmente saíram juntos.

Naquela noite, Su Guoguo e Su Hao se divertiram muito. Ambos ficaram com vontade de mais.

No dia seguinte, sábado, Pei Shaozhe saiu cedo porque tinha um contrato para assinar. Su Banxia pensou muito e decidiu se mudar dali.

Aproveitando que ele não estava em casa, era o momento perfeito para transferir o acampamento.

Su Guoguo desceu as escadas e, ao ver Su Banxia arrumando as malas, levou um susto: "Mamãe vai se mudar de novo?"

"Este lugar não é nossa casa. Estamos só de favor. Ficar incomodando o tio Pei, a mamãe se sente mal."

Su Banxia explicou com suavidade.

Sabia que as crianças não queriam sair, mas a situação atual não permitia escolhas.

"Mas eu e o irmão não queremos ir."

Su Guoguo franziu o rostinho. Adorava aquele lugar, não pelo tamanho da casa, mas pelas pessoas.

Pei Shaozhe, no começo, parecia distante, mas com o tempo, elas descobriram que ele era muito bom. Tão bom que até Su Hao o elogiava sem parar.

"Sem graça. A mamãe promete que vai trabalhar duro para sustentar vocês e dar uma casa grande."

Su Banxia fingiu estar brava e falou com um pouco de irritação.

"Mamãe, o irmão também não quer ir."

Su Guogoo disse em voz baixa, cabisbaixa.

Su Hao estava descendo as escadas e, ao ver a cena, nem precisou adivinhar o que estava acontecendo. O pequeno franziu a testa: "Mamãe, eu realmente não quero ir."

"Mamãe sabe que vocês gostam daqui, mas isso não é nossa casa..."

"O tio Pei disse que não se importa de ficarmos aqui. Por que a mamãe não pode aceitar?"

Su Hao perguntou com serenidade.

"Isso é só educação dele. Hoje temos que nos mudar."

Su Banxia foi firme.

Su Hao trocou um olhar com Su Guoguo, que imediatamente entendeu e se jogou sobre as malas, recusando-se a sair.

"O que vocês estão fazendo?"

Su Banxia ficou irritada, mas não tinha coragem de bater ou xingar.

"Se mudarmos, a mamãe vai ter menos tempo para nós. E eu e o irmão vamos ficar entediados. Morando aqui, a mamãe fica feliz, e eu e o irmão também. Não queremos ver a mamãe chorar. Queremos que a mamãe seja feliz."

Su Guoguo falou com seriedade. Ela realmente achava que Su Banxia também gostava daquele lugar e temia que, ao sair, ela ficasse triste.

As palavras ingênuas da criança fizeram Su Banxia parar o que estava fazendo.

"Mamãe, não vamos embora, está bem?"

Su Guoguo implorou.

"Este lugar é tão bom assim?"

Su Banxia perguntou com indiferença.

Su Hao olhou para ela: "Pelo menos a mamãe também parece feliz, não é?"

O olhar do filho era penetrante, como se pudesse vê-la por dentro.

Su Banxia ficou em silêncio. Não conseguia contestar o pedido dos filhos.