Vendo que Su Banxia estava vivendo cada vez melhor, como Su Sinian poderia tolerar isso com seu temperamento? Não demorou muito para ela entrar em contato novamente com Su Banxia por iniciativa própria. Su Banxia estava no escritório, concentrada nos documentos em mãos, quando o toque do celular interrompeu seus pensamentos. Ela deslizou o dedo para atender, sem nem olhar para o identificador de chamadas, achando que era mais um parceiro de negócios, e adotou um tom profissional. — Alô, sou a secretária pessoal do Sr. Pei, do Grupo Dingsheng. Em que posso ajudar? — Secretária pessoal? Su Banxia, você realmente sabe se enfeitar, hein! Su Sinian já estava de mau humor, e as palavras "secretária pessoal" só pisaram no seu calo, fazendo-a explodir. — Senhorita? Ao ouvir sua voz, Su Banxia franziu levemente a testa e a mão segurando o celular hesitou por um instante. Su Sinian bufou com desdém: — Ainda se lembra de mim como senhorita? Pensei que, depois de se agarrar a um galho alto, tivesse esquecido suas origens. — A senhorita ligou para dar alguma instrução? Su Banxia franziu a testa e respondeu friamente. — Instrução até que tenho. Como está a vida da secretária Su ultimamente? Percebendo o tom hostil, Su Banxia franziu ainda mais a testa e respondeu com indiferença: — Graças à senhorita, a vida não vai tão mal. — Humpf! Su Sinian estalou a língua: — Claro que você vive bem, passando o dia todo nos braços de Pei Shaozhe, se aquecendo um ao outro. Como não estaria confortável? — Não entendo o que quer dizer. Eu e o Sr. Pei somos apenas superiores e subordinados comuns. Por favor, não invente histórias. Su Banxia respondeu friamente. — Apenas superiores e subordinados comuns? Você já está morando na casa deles, e ainda chama isso de relação comum? Su Banxia, você acha que os outros são idiotas ou se considera muito superior? Su Sinian zombou. Ela sempre desprezou Su Banxia. Aquela mulher era só uma criança abandonada que o pai trouxera para casa; por que tinha que competir com ela por tudo? Nominalmente, ela, Su Sinian, era a única herdeira da família Su, mas sempre que algo bom aparecia, tinha que dividir pela metade! Ela não precisava de irmã alguma; só queria ser a única a receber carinho. Na visão de Su Sinian, a existência de Su Banxia era apenas para roubar suas coisas: antes, o afeto do pai; agora, o amor dos homens. Diante do desprezo de Su Sinian, Su Banxia sentiu um aperto no coração. Afinal, o que ela disse não estava totalmente errado; sua relação com Pei Shaozhe realmente não era tão pura quanto ela afirmava! Pensando nisso, Su Banxia suspirou e respondeu com calma: — No momento, não tenho onde morar. O Sr. Pei, sendo compreensivo com os subordinados, me deixou ficar alguns dias. — Mudar-se com toda a família para lá? Su Banxia, sua cara é realmente grossa! Su Sinian riu com sarcasmo. — Senhorita, tem mais alguma coisa? Su Banxia olhou para a pilha de documentos sobre a mesa, um pouco irritada. Su Sinian, furiosa, retrucou: — Pare de bancar a oficial comigo. Su Banxia, estou avisando: não tente fazer joguinhos. Se atrapalhar meus planos, não vou te perdoar. Pei Shaozhe só pode ser meu noivo. Se quer se casar com ele, veja se o pai concorda! Ouvindo isso, Su Banxia respondeu com indiferença: — Minha relação com o Sr. Pei não é tão íntima quanto você imagina. Se não tem mais nada, vou desligar. Sem esperar que Su Sinian dissesse mais algo, Su Banxia encerrou a ligação imediatamente. Jogou o celular de lado, com uma expressão cansada. Segurando a caneta, debruçou-se sobre a mesa e começou a rabiscar aleatoriamente em uma folha em branco. "Família Su" As duas palavras estavam especialmente nítidas, destacando-se no papel branco. — Ah. Su Banxia suspirou. Ela sempre desejara ter laços familiares. Quando criança, para ganhar a aprovação da mãe Su, não hesitou em ir longe, no inverno rigoroso, comprar seu lanche favorito, o espaguete de arroz com caracóis. Mas aquilo, aos olhos dela, era completamente desprezível. Para se aproximar de Su Sinian, ela fazia tudo o que a outra queria, cuidando dela desde os tempos de escola. Embora fosse dois anos mais nova que Su Sinian, parecia a irmã mais velha, sempre cuidando da mais nova. Lembrava-se de que, quando criança, ao sofrer injustiças, se encolhia sozinha no escuro para chorar, porque sabia que lágrimas não valiam nada na família Su. Quanto mais sofria na família Su, mais os outros se alegravam! Na superfície, era a segunda filha dos Su, mas na realidade, vivia pior que os empregados. Quando Pei Shaozoe entrou, Su Banxia nem percebeu. Segurando a caneta, escrevia "Família Su" repetidamente no papel. Aquelas duas palavras tinham um significado imenso para ela! Pei Shaozoe não a interrompeu. Olhando para as palavras que ela escrevia no papel, saiu devagar. Sabia que, naquele momento, Su Banxia precisava de silêncio, e ele lhe daria tempo, embora não soubesse o que realmente havia acontecido. Yan Xin estava resolvendo questões de trabalho quando a porta do escritório foi aberta. Pensando que era Zhang Shanshan trazendo documentos, nem levantou a cabeça e apontou para um canto da mesa. — Deixa ali. E aproveita para pegar o relatório deste mês, preciso comparar os resultados de vendas. Pei Shaozoe caminhou lentamente até a mesa, apoiou as mãos sobre ela, inclinou-se para frente e o encarou com indiferença. Yan Xin esperou um bom tempo pelo documento que queria, levantou a cabeça instintivamente e deu de cara com Pei Shaozoe. — Shaozoe? Yan Xin se surpreendeu: — O que você veio fazer aqui? — Não é bem-vindo? Pei Shaozoe ergueu uma sobrancelha. — Não é isso. Mas você nunca vem à toa. Por que não fica no seu escritório e vem me incomodar? Yan Xin, ao falar, já olhava para ele com desconfiança. As experiências traumáticas que sofrera nas mãos dele ainda estavam frescas na memória. Pei Shaozoe era muito traiçoeiro; ele não queria cair na armadilha de novo. — Você não vai me mandar para longe, vai? Yan Xin perguntou, hesitante. — Você só fica de bobeira, além de ter ideias mirabolantes, não faz mais nada? Pei Shaozoe, irritado, endireitou-se e sentou-se no sofá ao lado. Yan Xin correu, bajulando, para lhe trazer água: — Como assim de bobeira? Olha os documentos na minha mesa, vê como estou dedicado. — Então está me criticando, de forma indireta, por ser um chefe tirano com os funcionários? Pei Shaozoe respondeu friamente. Yan Xin quase cuspiu sangue. Esse cara, quando quer arrumar briga, deixa qualquer um sem resposta. — Claro que não. Só estou mostrando que estou trabalhando duro, sem segundas intenções. Yan Xin riu, todo contente, mas por dentro xingava: esse demônio vivo, ele não queria nem ver!