Capítulo 166: Capítulo 166 De Volta à Família Su

“Pei... Presidente Pei?”

Su Banxia falou fracamente, olhando para ele com o rosto cheio de incredulidade.

“Você está planejando fazer as duas crianças esperarem por você por quanto tempo?”

Pei Shaoze franziu a testa ao ver alguém parado imóvel no mesmo lugar.

Su Banxia balançou a cabeça imediatamente e apressou-se em segui-lo.

Na entrada do campus, carros iam e vinham. Assim que o sinal da aula tocou, um grupo de crianças saiu correndo da escola. Guoguo, ao ver Pei Shaoze chegando junto com Su Banxia, teve os olhos brilhando.

“Tio veio levar Guoguo para comer algo gostoso?”

Su Guoguo ergueu a cabeça e perguntou com uma voz infantil.

Essa pequena comilona, onde quer que vá, nunca esquece de comer. Vendo seu rostinho erguido, Su Banxia riu sem querer, e a sombra que pairava em seu coração parecia ter se dissipado por completo.

Pei Shaoze se curvou e pegou Guoguo no colo: “Claro que sim. Guoguo está cansada depois de um dia inteiro de aula?”

“Eu estava cansada, mas quando vi o tio Pei, não fiquei mais.”

Su Guoguo, uma pequena sabichona, abraçou firmemente o pescoço de Pei Shaoze e disse com voz dengosa.

“Puxa-saco.”

Su Hao olhou para Su Guoguo e comentou de mau humor, mas o sorriso em seus olhos era incontrolável.

As crianças são as mais inocentes. Su Banxia ficou parada, vendo as duas crianças se entrosarem com Pei Shaoze.

De repente, ela sentiu que laços de sangue são algo impossível de se livrar. Por mais que tentasse esconder, não conseguia ocultar o afeto entre pai e filhos.

Su Hao era muito calmo, mas diante de Pei Shaoze, não conseguia evitar se aproximar dele.

Talvez fosse por isso que ela temia deixar Pei Shaoze se aproximar das crianças?

A família de quatro foi animadamente de carro para um restaurante jantar, e depois voltaram para casa.

Su Sinian, escondida nas sombras, observou tudo aquilo, sentindo-se muito desconfortável.

Embora a mãe de Su já tivesse prometido ajudá-la a se livrar de Su Banxia, seus olhos já não toleravam nem um grão de areia; ela desejava que aquilo acontecesse naquele instante.

“Su Banxia, você mesma escolheu ficar no meu caminho, você mesma está pedindo para morrer!”

Su Sinian apertou firmemente o volante, olhando fixamente para a frente.

O coração de Su Banxia tremeu sem motivo. Ela virou a cabeça instintivamente para olhar para trás, vendo a estrada vazia, e franziu levemente a testa.

“O que foi?”

Pei Shaoze, enquanto dirigia, não se esqueceu de olhar para ela. A Su Banxia de hoje estava muito estranha!

“Nada... nada.”

Su Banxia balançou a cabeça: “Obrigada por hoje, por ter acompanhado as duas crianças por tanto tempo.”

Olhando para as duas crianças já adormecidas no banco de trás, um sentimento estranho brotou no coração de Su Banxia.

“Seus filhos são meus filhos. É natural que eu seja bom para eles.”

Su Banxia ficou ligeiramente surpresa: “Presidente Pei está brincando. Como meus filhos poderiam ter algo a ver com o senhor?”

“Você já é minha, quanto mais os filhos?”

A voz de Pei Shaoze estava excepcionalmente suave, muito diferente de seu estilo habitual.

“Está ficando tarde, vou levar as crianças para descansar.”

Su Banxia nem ousava levantar a cabeça para olhar nos olhos de Pei Shaoze; seus olhos pareciam ter um poder especial que a fazia não conseguir se afastar.

Pei Shaoze observou Su Banxia carregando apressadamente as duas crianças, e um sorriso bonito se formou involuntariamente no canto de seus lábios.

Ele não sabia como Su Banxia havia cuidado sozinha das duas crianças antes, mas vendo como ela era tão habilidosa agora, devia ter passado por muitas dificuldades naquela época, não?

No fim de semana, Su Banxia acordou cedo. Depois de ver Pei Shaoze sair para o trabalho, ela pediu a Su Hao que cuidasse de Guoguo e também saiu.

No caminho de volta para a casa dos Su, seu coração acelerou, e ela não conseguia se acalmar.

Depois de seis anos longe de casa, agora que voltava, seu coração sentia mais rejeição do que alegria.

“Banxia voltou.”

Su Sinian já estava esperando em casa. Ao ouvir o som do carro lá fora, foi a primeira a sair para recebê-la.

“Senhorita.”

Su Banxia cumprimentou a pessoa que chegava com respeito.

Su Sinian sorriu calorosamente: “Somos da mesma família, por que tanta formalidade?”

Enquanto falava, estendeu a mão para pegar o braço de Su Banxia.

Su Banxia deu um sorriso leve e recuou discretamente um passo: “A senhorita é muito gentil. Afinal, a senhorita é a filha legítima da família Su, enquanto eu sou apenas uma garota sem berço.”

“Ah, é?”

A mão de Su Sinian ficou suspensa no ar, constrangedoramente. Seus olhos brilharam com um traço de malícia, mas no rosto ainda mantinha um sorriso caloroso: “É raro voltar para casa. Papai está morrendo de saudades. Entre logo.”

Ao entrar na sala de estar, Su Banxia apertou instintivamente sua bolsa, endireitou as costas e se encorajou.

Su Jin estava no sofá lendo o jornal, os óculos quase escorregando até o queixo.

A mãe de Su estava ao lado dele, descascando uma maçã.

Essa cena harmoniosa, aos olhos de Su Banxia, parecia extremamente dolorosa.

Eles eram uma família de três, e ela sempre seria uma intrusa desnecessária.

“Mamãe, papai, Banxia voltou.”

Su Sinian limpou a garganta e disse com um sorriso suave.

“Depois de seis anos fora, finalmente se lembrou que tem esta família?”

A mãe de Su bufou friamente. Ela já detestava Su Banxia; se não fosse pela felicidade futura de sua própria filha, nunca a deixaria pisar nesta casa!

Su Jin franziu a testa ligeiramente. Mesmo sem falar, já impunha respeito. A mãe de Su, vendo isso, calou-se na hora.

“Senhor Su, Senhora Su, estou de volta.”

Su Banxia cumprimentou suavemente as duas pessoas à sua frente, com um sorriso no rosto que carregava uma clara distância.

“Que bom que voltou. Estive pensando em você estes dias; não ficava tranquilo até vê-la chegar em casa em segurança.”

Su Jin colocou o jornal de lado e acenou: “Banxia, venha cá.”

Vendo o sorriso enigmático de Su Jin, Su Banxia ficou um pouco confusa.

“Papai está chamando você.”

Su Sinian a empurrou instintivamente.

Su Banxia tropeçou, quase caindo, mas conseguiu se segurar na mesa atrás dela, ainda que de forma desajeitada.

A mãe de Su deu uma risadinha. Para ela, aquela garota sem berço continuava sendo uma sem-educação, incapaz de se portar à altura.

Su Banxia não se importou com esse pequeno incidente. Antes, na casa dos Su, as humilhações que sofrera eram muito piores.

“Senhor Su.”

Su Banxia se recompôs, foi até a frente de Su Jin e sorriu calmamente.

“Emagreceu bastante. Tem passado dificuldades lá fora, não é?”

Embora as palavras de Su Jin fossem ditas em tom de preocupação, elas faziam Su Banxia sentir-se estranhamente desconfortável.

Ela recuou alguns passos, desviando deliberadamente o olhar de Su Jin, e disse calmamente: “Está tudo bem, já me acostumei.”