"Esse processo já está demorando demais. Se fosse um pouco mais rápido, a criança já estaria a caminho." Su Banxia disse, meio brincando, meio sério.
Ela não tinha muito contato com Lin Haoran, e, superficialmente, achava que os pensamentos daquele homem não estavam totalmente voltados para Fang Shiqing.
Mas ela não era a parte envolvida e não podia decidir por Fang Shiqing. Essas questões de sentimento só se entendem quando se vive na pele.
"Haoran não é do tipo que faz bagunça." Fang Shiqing disse, com uma voz suave e frágil.
"Repito: pensa bem antes de continuar com ele. Não quero que você se machuque." Nos olhos de Su Banxia transparecia uma sinceridade genuína.
Fang Shiqing assentiu em silêncio, mas o lampejo de desejo em seu olhar ainda revelava o que pensava por dentro.
Sabendo que não adiantava insistir, Su Banxia deixou para lá. Desde que ela mesma ficasse mais atenta, não deixaria Fang Shiqing sofrer um dano muito grave.
"Já está tarde, descanse bem." Fang Shiqing olhou para o relógio no pulso e disse com um sorriso suave.
Sem sonhos, quando Su Banxia acordou, o céu mal clareava.
Para compensar a falta que sentia dos filhos, Su Banxia cozinhou pessoalmente um café da manhã farto. Quando terminou tudo, os outros três foram acordando aos poucos.
"Que consciência elevada você tem!" Fang Shiqing sentiu o aroma vindo da cozinha e sorriu levemente.
"Olha, tudo o que vocês mais gostam." Su Banxia exibiu o café da manhã na mesa como um tesouro.
Su Guoguo veio pulando e disse com voz infantil: "Quem tem mãe é um tesouro!"
Su Banxia riu com a fala dela e, com carinho, beliscou a ponta do nariz da menina: "Vai logo escovar os dentes, que a mamãe leva vocês para a escola."
"Já sei!" Su Guoguo fez uma careta.
A família tomou o café da manhã em harmonia. Su Banxia dirigiu para levar as duas crianças à escola. No caminho, Su Guoguo, com seus olhos negros, não parava de observar Su Banxia.
"Mamãe vai nos buscar hoje à tarde, eu e o irmão?"
"Bem..." Su Banxia hesitou por um instante, depois sorriu devagar: "A mamãe não pode garantir isso agora, mas vai se esforçar ao máximo para voltar."
Ela só esperava que Pei Shaoze não fosse muito exigente hoje, mas, lembrando de como ele a procurou naquele dia, achava que seria difícil.
Su Guoguo fez bico, com um ar de injustiça, e virou-se para olhar Su Hao ao lado.
"Dessa vez vai demorar quanto tempo?" Os olhinhos de Su Hao mostravam um toque de irritação.
"A mamãe está com dívidas agora, então... pode demorar um bom tempo." Su Banxia instintivamente baixou os olhos, sentindo culpa demais para encarar as crianças.
"Mamãe, não precisa se preocupar em dever dinheiro para aquele tio malvado. Eu e o irmão decidimos que, de agora em diante, vamos arrumar um tempinho para trabalhar fora e pagar a dívida para a senhora. Assim a senhora pode ter mais tempo para ficar com a gente?"
Su Guoguo falou com uma expressão séria.
Ouvindo as palavras da filha, mesmo que o coração de Su Banxia fosse de pedra, ele se derreteria.
"Bobinha, vocês são pequenos ainda. Estudar bem é o mais importante."
"Mas também precisamos da mamãe por perto. As outras crianças têm pai e mãe para buscá-las, eu e o irmão não temos." Enquanto falava, as lágrimas de Su Guoguo ameaçavam cair.
Su Banxia sentiu o nariz arder, e a culpa apertou seu peito.
Por causa do egoísmo dela, as duas crianças cresceram sem amor paterno. Agora, ela ainda precisava se preocupar com o sustento, e temia que até o amor materno estivesse faltando.
O clima entre mãe e filhos ficou pesado durante todo o trajeto. Quando finalmente chegaram à escola, Su Guoguo e Su Hao se viraram para olhá-la. Os pequenos seres, com seus olhares, carregavam uma emoção indescritivelmente complexa.
Recuperando a compostura, Su Banxia voltou ao Grupo Dingsheng. Vestida com seu uniforme de trabalho, sua presença exalava toda a sua aura.
"Secretária Su, você chegou atrasada." Pei Shaoze, com o rosto sombrio, olhou para a mulher que entrava.
Su Banxia já esperava ser provocada. Respirou fundo e disse calmamente: "Faltam 17 minutos para o horário de trabalho. Não sei a que atraso o Sr. Pei se refere?"
"Como minha secretária pessoal, é essa a atitude que tem comigo? Estou começando a duvidar da capacidade profissional da Secretária Su." A voz de Pei Shaoze não tinha nenhum calor.
"Sr. Pei, vou pagar a dívida." Su Banxia apertou os punhos, com uma expressão de quem não tem nada a perder.
Vendo-a assim, Pei Shaoze não pôde deixar de rir baixinho: "O salário mensal da Secretária Su mal cobre os juros dessa dívida. Até quando pretende enrolar?"
Su Banxia esboçou um sorriso: "Então o Sr. Pei me dê um prazo. Nesse tempo, vou dar um jeito de juntar esse dinheiro."
"Dois anos." Pei Shaoze ergueu dois dedos, com um brilho astuto nos olhos.
Su Banxia respirou fundo e mostrou um leve sorriso: "Está bem, dois anos. Vou pagar essa dívida, não vou dar o cano!"
"Palavras não valem nada."
"Se o Sr. Pei não confia em mim, podemos fazer um contrato por escrito."
Mal ela terminou de falar, Pei Shaoze virou-se e lhe entregou um documento: "Assine isso."
Su Banxia, desconfiada, pegou o contrato e folheou algumas páginas. "Contrato de servidão" — três grandes palavras saltaram aos seus olhos, ofuscantes.
"Eu sou apenas uma secretária!"
"Desde o momento em que você ficou me devendo dinheiro, já não é mais só minha secretária." Pei Shaoze se aproximou e a encarou: "Ou a Secretária Su acha que, só com o salário, consegue pagar todas as minhas dívidas em dois anos?"
"Vou dar um jeito de juntar o dinheiro, mas assinar esse contrato de servidão... desculpe, não consigo!" Su Banxia apertou os punhos com força. Essa era sua linha de princípios.
Pei Shaoze a observou com interesse: "Secretária Su, ter fibra é bom, mas ter fibra demais sem saber a hora é só teimosia."
Su Banxia virou o rosto, sem dar a mínima para ele. Aquele homem era terrivelmente dissimulado!
"Espero que você mesma venha me pedir para assinar esse contrato." Pei Shaoze esboçou um sorriso sedutor, com uma emoção nos olhos que ninguém conseguia decifrar.
"Pei..."
"Faça um café para mim, com pouco açúcar." Pei Shaoze sabia o que ela ia dizer e a interrompeu sem hesitação, empurrando lentamente a xícara para a frente dela.
Su Banxia rangeu os dentes e assentiu: "Nesse período, vou cuidar do Sr. Pei com todo o conforto!"
Pegou a xícara da mesa com raiva, Su Banxia foi para a copa com um nó na garganta.
Enquanto preparava o café, ela amaldiçoava Pei Shaoze baixinho, xingando até os antepassados dele, mas ainda assim não se sentia satisfeita.